Relatório da PF questiona destino de recursos do filme Dark Horse

Documento enviado ao STF aponta necessidade de esclarecer origem, trânsito, destinação e beneficiários de valores ligados à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Da
Redação
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Relatório da Polícia Federal analisa remessas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse.
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Um relatório da Polícia Federal sobre o financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), questiona a afirmação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que os recursos repassados por Daniel Vorcaro foram integralmente aplicados na produção. O documento chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) e se tornou público após o levantamento do sigilo de novos processos ligados ao caso Master.

A PF afirma que ainda precisa esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados. Entre os pontos examinados pelos investigadores está o Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos que recebeu parte dos recursos relacionados ao filme.

Relatório questiona versão sobre Dark Horse

Em maio, Flávio Bolsonaro afirmou à CNN que os recursos pagos pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, haviam sido destinados ao filme. Na ocasião, o senador disse que a produtora poderia apresentar contrato ou prestação de contas sobre a aplicação dos valores.

O relatório policial, porém, não conclui que os recursos tiveram a destinação declarada. Em documento enviado ao ministro André Mendonça, do STF, a corporação registrou a necessidade de aprofundar os esclarecimentos sobre a movimentação financeira.

A análise da PF se concentra na rota do dinheiro e nos destinatários finais. Dessa forma, o documento contrapõe a declaração pública do senador à etapa de apuração indicada pelos investigadores.

PF rastreia remessas ao fundo americano

Segundo a PF, a Entre Investimentos e Participações, empresa ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, enviou US$ 12,33 milhões ao Havengate ao longo de 2025. As remessas ocorreram entre fevereiro e setembro.

Os valores das transferências eram semelhantes às parcelas previstas em um acordo de financiamento de US$ 24 milhões para Dark Horse. À época do acordo, o projeto era chamado de Capitão do Povo.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro reforçaram, na avaliação da PF, a ligação entre as transferências e o filme. Em fevereiro de 2025, diante de dificuldades para fazer um pagamento destinado à produção, Vorcaro orientou que a operação ocorresse por meio da Entre.

Mensagens vinculam pagamento ao filme

Na sequência da orientação atribuída a Vorcaro, Fabiano Zettel informou que o dinheiro seguiria para um fundo. Poucos dias depois, ele enviou ao banqueiro um comprovante de transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate.

O comprovante citado pela PF registra uma operação realizada em 13 de fevereiro de 2025. Segundo o relatório, Zettel indicou que aquele pagamento tinha como destino o filme.

Para os investigadores, as conversas ajudam a conectar o fluxo financeiro ao financiamento da cinebiografia. Ainda assim, o documento ressalta a necessidade de esclarecer todos os elementos da movimentação, incluindo os beneficiários finais.

Fundo muda uso após anos inerte

O Havengate Development Fund LP havia sido criado em 2020 para captar recursos para um empreendimento imobiliário de US$ 21,1 milhões em Melissa, no Texas. A proposta estava vinculada ao programa EB-5, voltado à obtenção de residência permanente nos Estados Unidos por determinados investimentos.

De acordo com a PF, o empreendimento imobiliário não saiu do papel. O fundo ficou operacionalmente inerte por quase quatro anos, até receber os primeiros US$ 2 milhões enviados pela Entre em fevereiro de 2025.

No relatório, a PF aponta que a reativação de um fundo criado para finalidade imobiliária, sem operação imobiliária ativa, como veículo de remessas internacionais vinculadas a uma produção cinematográfica reforça a necessidade de apurar a compatibilidade entre o perfil do fundo e a destinação declarada dos recursos.

STF libera novos processos do caso Master

O relatório veio a público depois que André Mendonça liberou o sigilo de uma nova leva de processos relacionados ao caso Master. Mendonça é ministro do STF e recebeu o documento da Polícia Federal.

O caso envolve o Banco Master, descrito no material como extinto, e Daniel Vorcaro. A análise do financiamento de Dark Horse integra os elementos expostos com a abertura desses processos.

O conteúdo divulgado pela PF mantém o foco na necessidade de esclarecimentos sobre o percurso dos recursos. O relatório também associa as remessas de 2025 ao acordo de financiamento do filme e ao uso do Havengate como destinatário de parte dos valores.

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