A Polícia Federal (PF) afirmou em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central, teria recebido pagamentos recorrentes de R$ 500 mil de Daniel Vorcaro. Segundo a corporação, os valores seriam contrapartida pelo repasse de informações sigilosas ao ex-banqueiro, ligado ao antigo Banco Master.
O documento, de 164 páginas, teve o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. A PF também apontou supostas vantagens a Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do mesmo departamento do BC.
PF relata pagamentos recorrentes
De acordo com a PF, Belline Santana recebeu pagamentos mensais de R$ 500 mil. A corporação vinculou os repasses ao suposto fornecimento de dados internos do Banco Central a Vorcaro.
O relatório descreve ainda um pagamento de R$ 760 mil. A informação, segundo a investigação, aparece em mensagens atribuídas a Vorcaro e ao advogado e empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e apontado pela PF como operador financeiro.
A retirada do sigilo do relatório revelou os valores que a PF atribui à suposta relação entre Vorcaro e os dois servidores. A ligação entre eles já havia sido mencionada desde a prisão preventiva do ex-banqueiro, conforme o material.
Relatório cita vantagens a servidores
Além dos valores financeiros, a PF registrou que Vorcaro teria custeado despesas de Belline Santana durante viagem a Paris. O documento menciona almoço, jantar e guia na capital francesa.
Para Paulo Sérgio Neves de Souza, a corporação apontou o pagamento de uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. O relatório também cita a aquisição considerada atípica de um imóvel rural pelo servidor.
Esses elementos foram tratados pela PF como vantagens indevidas. A apuração, no entanto, atribui cada uma dessas circunstâncias ao relatório policial encaminhado ao Supremo.
Investigação apura vazamento no BC
A PF afirmou que Santana e Souza teriam vazado informações internas do Banco Central relacionadas às investigações da Operação Compliance Zero. A operação apura fraudes financeiras bilionárias ligadas ao Banco Master.
Segundo o relatório, os dois servidores também atuaram como consultores de Vorcaro. A corporação descreveu atividades de alinhamento de estratégias, revisão de documentos e reuniões privadas.
Parte dessas reuniões teria ocorrido na residência do investigado, conforme a PF. O documento associa essa interlocução aos interesses do Banco Master perante a área de supervisão do Banco Central.
Mensagens indicam contato com Vorcaro
O relatório reúne mensagens que a PF atribui a Vorcaro, Santana e Souza. Em um dos diálogos mencionados, Paulo Sérgio Souza teria enviado ao ex-banqueiro a portaria de sua nomeação para o Departamento de Supervisão.
Em outro trecho, segundo a corporação, Souza informou que seria prioridade absoluta se reunir com Vorcaro para tratar de interesses do Master. A PF usou as conversas como um dos elementos para sustentar a existência de contato entre os investigados.
As mensagens citadas no documento se somam à descrição das vantagens e dos supostos pagamentos. Dessa forma, o relatório apresenta a versão da investigação sobre a atuação dos servidores junto ao ex-banqueiro.
BC liquidou o Banco Master
Daniel Vorcaro é descrito no relatório como dono do antigo Banco Master. O Banco Central liquidou a instituição em novembro de 2025, de acordo com o material.
A Operação Compliance Zero concentra a apuração sobre supostas fraudes financeiras relacionadas ao banco. As informações internas que a PF diz terem sido compartilhadas estariam ligadas a essa investigação.
O caso chegou ao STF e ficou sob relatoria do ministro André Mendonça. Foi ele quem levantou o sigilo do relatório policial citado na apuração.
Servidores negam os vazamentos
Afastados de suas funções, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza negam ter repassado informações internas do Banco Central a Daniel Vorcaro. A posição dos dois diverge da conclusão apresentada pela PF no relatório.
Os servidores afirmam que podem demonstrar que custearam com recursos próprios as despesas de viagens e outras vantagens mencionadas na investigação. A alegação abrange os gastos associados aos episódios descritos pela corporação.
O material também informa que a Agência Brasil buscava novo posicionamento das defesas dos citados. Enquanto isso, o relatório segue como peça da investigação levada ao Supremo Tribunal Federal.


