O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aceitou na noite de quinta-feira (10) um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, para retirar o sigilo do caso Banco Master. Documentos da investigação da Polícia Federal (PF) descrevem uma suposta rede de influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro junto a integrantes do alto escalão do Banco Central.
Segundo a PF, Vorcaro teria tido acesso a informações confidenciais do caso e se beneficiado de documentos manipulados. O inquérito também atribui ao ex-banqueiro a articulação de benefícios para Paulo Sérgio Neves de Souza e aponta pagamentos que, segundo a corporação, eram destinados ao ex-chefe de supervisão do Banco Central Belline Santana.
STF retira o sigilo do caso
A decisão de André Mendonça ocorreu após solicitação de Edson Fachin, presidente do STF. Com isso, o caso Banco Master deixou de tramitar sob sigilo, conforme a informação divulgada sobre a decisão.
Os documentos revelados tratam da investigação conduzida pela Polícia Federal. A apuração descreve relações de Vorcaro com pessoas que ocuparam funções na estrutura de supervisão e fiscalização do Banco Central.
A PF sustenta que a rede investigada alcançou o alto escalão da instituição. As conclusões apresentadas pela corporação integram o inquérito agora tornado público.
PF apura compra de imóvel rural
De acordo com a investigação, Vorcaro teria coordenado a compra de um imóvel rural avaliado em R$ 4,8 milhões para Paulo Sérgio Neves de Souza e o irmão dele, Luis Roberto.
Bom dia! Léo acabou de me mandar mensagen. Obrigado mais uma vez!!! Estamos embarcando daqui a pouco”
Paulo Sérgio Neves de Souza, em mensagem citada pela Polícia Federal
Paulo Sérgio era, então, chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central. Ele também havia exercido o cargo de diretor de Fiscalização da instituição.
Segundo as conversas examinadas pela PF, Vorcaro atuaria como mediador da venda entre Fabiano Zettel e Paulo Sérgio. A investigação cita essa negociação como parte da relação analisada entre o ex-banqueiro e o então integrante do Banco Central.
Mensagens citam viagem à Disney
O conteúdo extraído do celular de Vorcaro também levou a PF a apurar uma viagem de Paulo Sérgio e sua família à Disney. Segundo a corporação, o ex-banqueiro teria viabilizado a viagem.
Após receber a programação do deslocamento, Vorcaro encaminhou o material a um contato identificado como Leo Serrano Giunchetti. Nas mensagens, ele indicava a necessidade de conseguir um guia para os viajantes que seguiriam aquele roteiro.
A PF registrou ainda uma troca de mensagens em 5 de fevereiro de 2024, data em que Paulo Sérgio embarcaria. Na conversa, o então ex-diretor do Banco Central agradeceu a Vorcaro após receber contato de Leo.
Relatório aponta pagamentos a Belline
Outro nome citado no inquérito é Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central. Segundo relatório da Polícia Federal, ele receberia R$ 760 mil mensais de Vorcaro.
A corporação afirma que a relação entre os dois remonta, pelo menos, a outubro de 2023, quando Belline, ainda funcionário do Banco Central, entrou em contato com o ex-banqueiro.
Em mensagens de 9 e 30 de janeiro de 2024, Zettel tratou de pagamentos pendentes e a realizar, incluindo valores destinados a Belline, segundo a PF. Mais tarde, em 2 de outubro de 2024, Zettel teria informado a Vorcaro que parte de uma quantia enviada a Leonardo Palhares era, na verdade, destinada a Belline, no valor de R$ 760 mil.


