A Polícia Federal aponta que Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, orientava Daniel Vorcaro e buscava influenciar, dentro da instituição, assuntos de interesse do então controlador do Banco Master.
As informações aparecem em relatório divulgado na noite de quinta-feira (10), depois que o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, derrubou o sigilo da apuração sobre o Caso Master a pedido do presidente da Corte. Segundo a PF, a investigação analisou indícios de que Vorcaro poderia exercer influência sobre integrantes do BC por meio do acesso e do repasse de informações confidenciais, além de interferências em decisões.
PF descreve relação entre servidor e banqueiro
O relatório reúne episódios de contato entre Paulo Sérgio e Vorcaro. A análise da PF sustenta que o servidor transmitia orientações ao banqueiro e, aparentemente, procurava favorecer interesses ligados ao Banco Master dentro do Banco Central.
Paulo Sérgio ocupava a função de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, área do BC mencionada na investigação. Já Daniel Vorcaro era o então controlador do Banco Master.
A relação aparece em diferentes momentos do documento policial. Entre os assuntos analisados estão reuniões, estratégias de interlocução com dirigentes do Banco Central e documentos relacionados ao Fundo Garantidor de Créditos.
Mensagens citam reunião com o FGC
Uma das frentes examinadas pela Polícia Federal envolve conversas sobre o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC. Em uma mensagem, Paulo Sérgio avisou Vorcaro sobre uma reunião prevista com o fundo.
Na mesma conversa, o servidor mencionou que uma pessoa identificada como “Ailton” estaria bem posicionada caso o Banco Master entrasse na pauta do encontro. Vorcaro respondeu de forma positiva à informação.
Para a PF, o episódio indica que Paulo Sérgio orientava o banqueiro e aparentemente tentava influenciar interesses dentro do Banco Central. O relatório não descreve apenas a comunicação sobre a reunião, mas a insere no conjunto de contatos analisados entre os dois.
Servidor sugeriu estratégia para reuniões
O relatório também afirma que Paulo Sérgio sugeriu pontos que Vorcaro deveria abordar em reuniões com Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central.
Excelente. A proposta de 5 bi é extremamente vantajosa.”
Paulo Sérgio Neves de Souza, em mensagem sobre documento enviado ao FGC
As orientações, segundo a investigação, envolviam estratégia e governança. A PF apresenta esse episódio como parte da atuação do servidor em apoio ao banqueiro em interlocuções com a cúpula do BC.
Além disso, o caso relaciona a troca de mensagens a uma possível obtenção e circulação de informações confidenciais. A Polícia Federal trata esses elementos como indícios analisados na apuração, e não como conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal.
Documento sobre FGC passou por alteração
Em 2025, Paulo Sérgio analisou um documento enviado por Vorcaro com o título “Ofício Banco Master ao FGC”. O servidor sugeriu modificar um dos parágrafos do texto.
A avaliação dele foi que a proposta de R$ 5 bilhões era vantajosa, mas que a referência a uma suposta articulação de instituições poderia desviar o foco da solução de mercado. Vorcaro concordou com a sugestão.
Depois, uma segunda versão do documento foi encaminhada com a mudança. A alteração retirou do texto a menção a um movimento articulado de instituições que supostamente impediria a livre atuação e a distribuição de Certificados de Depósito Bancário.
Investigação examina possível influência no BC
A Polícia Federal afirma que a apuração partiu de indícios de possível influência de Vorcaro sobre integrantes do Banco Central. O mecanismo investigado envolveria a obtenção e o repasse de informações confidenciais.
O relatório também menciona influência em decisões e atuação em assuntos de interesse do Banco Master. Nesse conjunto, as conversas sobre o FGC e as orientações para reuniões com Campos Neto aparecem como episódios examinados pelos investigadores.
A análise policial atribui a Paulo Sérgio uma participação ativa nas orientações ao banqueiro. Ainda assim, as descrições do relatório correspondem a elementos de uma investigação e devem ser compreendidas como alegações e indícios apresentados pela PF.
STF libera conteúdo do Caso Master
O relatório se tornou público depois que Edson Fachin derrubou o sigilo da investigação sobre o Caso Master. A decisão ocorreu a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal, conforme o material divulgado.
Com a retirada do sigilo, vieram a público as mensagens e análises relacionadas à atuação de Paulo Sérgio e aos contatos com Vorcaro. O documento também expôs a discussão sobre o ofício enviado ao FGC.
O conteúdo divulgado concentra-se nos indícios reunidos pela Polícia Federal. Entre os pontos descritos estão a comunicação sobre a reunião com o fundo, as orientações para encontros no Banco Central e a alteração proposta no documento de 2025.


