STF marca sessão para decidir destino de relatório sobre Banco Master

Plenário foi convocado para 15 de setembro, às 10h, após disputa entre ministros sobre análises da Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Da
Redação
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STF convocou sessão extraordinária para examinar procedimentos e relatórios relacionados às investigações do Banco Master.
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O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará em 15 de setembro, às 10h, uma sessão extraordinária para decidir o destino de relatórios da Polícia Federal (PF) que reúnem registros de contatos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O presidente da Corte, Edson Fachin, convocou o plenário depois de suspender o procedimento que concentrava esses documentos.

Os ministros deverão examinar a regularidade de determinações tomadas pelo relator, André Mendonça, a possibilidade de aproveitamento do material produzido pela PF e o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o procedimento. A discussão ocorre em meio a decisões conflitantes dentro do próprio Supremo e a medidas que também atingiram a direção da Polícia Federal.

Sessão do STF decidirá validade do material

O caso tramita na Petição 16.662, relatada por André Mendonça. A sessão plenária será a primeira ocasião em que os dez ministros discutirão conjuntamente a controvérsia relacionada aos novos elementos encaminhados pela Polícia Federal.

Entre os pontos sob análise está a ordem que levou ao aprofundamento da avaliação dos dados extraídos do celular de Vorcaro. O colegiado também terá de decidir se as informações resultantes dessa providência poderão ser utilizadas no processo.

Além disso, o plenário analisará qual será o encaminhamento dos elementos relacionados a Alexandre de Moraes. A definição poderá determinar se o material pode subsidiar uma eventual apuração ou se o caso será arquivado.

Investigação avançou após pedido de Mendonça

A controvérsia surgiu a partir das investigações sobre o Banco Master. Em 24 de agosto, Mendonça pediu à PF informações atualizadas sobre as apurações, com atenção à identificação de integrantes de uma suposta rede de influência atribuída a Vorcaro.

Após receber a resposta, o ministro determinou a separação do conteúdo em outro processo, a Petição 16.662, e abriu prazo para a manifestação da PGR. Em 1º de setembro, Mendonça afirmou que os novos elementos apresentados pela Polícia Federal deveriam ser examinados pelos dez ministros da Corte.

O relatório da PF tem 218 páginas e analisa dados extraídos do telefone de Vorcaro. Segundo o documento, o aparelho tinha um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”, cujo número teria sido repassado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria em dezembro de 2023.

O material também registra menções a encontros e comunicações nos anos seguintes. A PF apontou, por exemplo, uma mensagem enviada por Vorcaro a Moraes na noite de 17 de novembro de 2025, antes da primeira prisão preventiva do ex-banqueiro no Aeroporto de Guarulhos.

PGR pede anulação de procedimento

A PGR defendeu a nulidade da ordem de Mendonça e das informações produzidas a partir dela. Para a Procuradoria, a determinação de identificar interlocutores e requisitar dados sobre o andamento das investigações buscou elementos relativos a outro integrante do STF.

Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online”

Daniel Vorcaro, em mensagem citada no relatório da Polícia Federal

Na manifestação, o órgão sustentou que uma apuração capaz de atingir ministro da Corte exigiria comunicação prévia à Presidência e análise do plenário. Por isso, a PGR argumentou que o procedimento não poderia avançar apenas por decisão individual.

A Procuradoria também apontou possível violação ao sistema acusatório. Segundo sua avaliação, o magistrado tomou iniciativa de produção de prova durante a investigação, questão que integra o conjunto de temas a ser decidido pelos ministros.

Assim, o julgamento de 15 de setembro deverá definir não apenas a situação dos relatórios já produzidos, mas também os parâmetros para o tratamento processual de informações que envolvam membros do Supremo.

Fachin centraliza decisões sobre a crise

Em 9 de setembro, Fachin suspendeu o processo que reunia os relatórios da PF sobre as interações entre Vorcaro e Moraes. Ele também determinou a paralisação de todo procedimento relativo a possível investigação contra integrantes do STF.

Ao mesmo tempo, o presidente do Supremo ordenou que casos dessa natureza sejam encaminhados previamente à Presidência da Corte. Dessa forma, o procedimento sob sua condução passou a concentrar os principais desdobramentos da disputa.

A crise se ampliou após relatórios de inteligência da PF chegarem a Moraes. Com base nesses documentos, o ministro enviou decisão à Presidência na qual apontou “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.

Fachin retirou essa decisão e seus anexos do inquérito das fake news e incorporou o material ao procedimento da Presidência. A medida reuniu, no mesmo núcleo processual, os documentos apresentados por Mendonça contra Moraes e os demais atos ligados ao conflito.

Conflito alcança comando da Polícia Federal

Os efeitos da controvérsia também chegaram à cúpula da Polícia Federal. Em 8 de setembro, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.

O ministro ordenou ainda que a Corregedoria apurasse a produção de relatórios de inteligência. Segundo Mendonça, os documentos configurariam um “monitoramento sistemático” e ilegal de sua atuação.

No dia seguinte, Flávio Dino determinou a reintegração dos dois dirigentes. Fachin, porém, suspendeu tanto a decisão de Mendonça quanto a de Dino, ao avaliar que a sequência de medidas produziu conflitos e sobreposições processuais no Supremo.

Com a sessão extraordinária, o plenário deverá enfrentar as questões sobre os dados de Vorcaro e as decisões posteriores que ampliaram a crise institucional. O resultado poderá estabelecer o destino imediato dos relatórios e dos procedimentos derivados deles.

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