Soja enfrenta margens negativas na China e oferta brasileira fica mais disputada

Tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, estoques menores no Brasil e demanda chinesa mais fraca pressionam as processadoras no quarto trimestre

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Redação
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Processadoras chinesas enfrentam margens negativas enquanto tarifas e oferta menor dificultam a compra de soja para o quarto trimestre.Trabalhadores transportam produtos de soja importados em um porto em Nantong, província de Jiangsu, na China, em 9 de abril de 2018. REUTERS/Stringer/Foto de arquivo
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As margens de esmagamento de soja permanecem negativas na China, enquanto as processadoras privadas enfrentam oferta mais apertada para o quarto trimestre. A combinação de estoques menores no Brasil, tarifas sobre a soja dos Estados Unidos e demanda mais fraca por ração aumenta a pressão sobre o setor.

O mercado aguarda possíveis medidas após a visita do presidente chinês Xi Jinping a Washington neste mês. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que os dois países fariam anúncios sobre agricultura e barreiras não tarifárias durante a cúpula, mas não apresentou detalhes.

Tarifas limitam a soja americana

As usinas privadas chinesas têm evitado, em grande parte, cargas norte-americanas por causa da tarifa de importação de 10% sobre produtos agrícolas dos Estados Unidos. Mesmo sem uma tarifa adicional, as margens projetadas para parte dos embarques continuariam negativas aos preços atuais.

Segundo Rosa Wang, analista da Shanghai JC Intelligence Co., as margens teóricas de esmagamento para a soja brasileira e norte-americana ficaram entre 150 e 230 iuanes negativos por tonelada nos embarques de outubro a dezembro, sem considerar a tarifa adicional de 10%.

Um processador chinês ouvido no material afirmou que as empresas voltarão a calcular as margens caso as tarifas sejam reduzidas. A avaliação determinará se os carregamentos dos Estados Unidos voltarão a ser economicamente viáveis.

Compras chinesas avançam com cautela

As tradings estatais chinesas compraram cerca de 11 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos depois de uma reunião entre Xi Jinping e Donald Trump, em maio, segundo operadores citados no material.

As usinas privadas, no entanto, continuam afastadas dessas cargas. A diferença entre as compras estatais e a postura dos processadores privados mostra que a tarifa ainda pesa sobre as decisões comerciais do setor.

Johnny Xiang, fundador da AgRadar Consulting, avaliou que as usinas privadas precisarão acessar a soja americana quando a América do Sul se aproximar do fim da safra. Segundo ele, isso dependerá de uma redução tarifária ou de leilões das reservas da Sinograin, estatal chinesa de armazenagem.

Margens negativas refletem custos maiores

Os futuros de referência da soja dos Estados Unidos subiram quase 12% em relação às mínimas de junho. O movimento foi associado às condições climáticas adversas no país, às compras estatais chinesas e às expectativas de que o fenômeno El Niño possa reduzir a oferta global.

A soja brasileira para embarque em novembro foi cotada com prêmio de US$ 3,15 a US$ 3,20 por bushel sobre o contrato de novembro da Bolsa de Chicago, já com custo e frete para a China. Cargas semelhantes do Golfo dos Estados Unidos foram oferecidas a US$ 3,20 a US$ 3,25 por bushel, sem tarifas.

Os compradores esperam que a colheita norte-americana, prevista para aumentar a disponibilidade nas próximas semanas, pressione os preços. Ainda assim, Xiang disse que o preço final da soja americana permanece incerto porque não surgiram consultas chinesas de compra em grande escala.

Demanda por ração perde força

A indústria chinesa de processamento também sofre com a redução da demanda por ração. O rebanho suíno do país deve diminuir no quarto trimestre, enquanto Pequim busca reduzir estoques e limitar o peso dos animais para estabilizar um mercado com excesso de oferta.

Esse movimento reduz a necessidade de farelo de soja, um dos principais produtos obtidos no esmagamento do grão. Por isso, as processadoras enfrentam simultaneamente custos elevados de aquisição e menor perspectiva de consumo.

Os importadores já concluíram em grande parte as compras para outubro. Para novembro, reservaram 4,8 milhões de toneladas, cerca de 60% da demanda projetada, enquanto as compras para dezembro e janeiro ainda estavam no início, segundo dois operadores baseados na Ásia.

Oferta brasileira fica mais restrita

O Brasil tem espaço limitado para ampliar as vendas à China no quarto trimestre. Dois analistas brasileiros atribuíram essa limitação à demanda de outros compradores e à forte atividade de esmagamento no mercado interno.

Até o fim de julho, os produtores brasileiros haviam vendido 82% da safra 2025/26, ante 78% no mesmo período do ano anterior. Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, estimou que o índice provavelmente se aproximava de 85% no momento da avaliação.

As usinas brasileiras também competiram com os exportadores e, em alguns momentos, pagaram preços acima da paridade de exportação. Dessa forma, a disponibilidade para embarques externos tende a ficar mais disputada enquanto a próxima safra não chega.

China busca alternativas de abastecimento

Os embarques brasileiros de soja para a China até 25 de agosto ficaram 2,6 milhões de toneladas abaixo do registrado no ano anterior. Ao mesmo tempo, os embarques do Brasil para outros destinos aumentaram em 6 milhões de toneladas, segundo Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex.

A Argentina ajudou a compensar parte dessa redução. Dados da alfândega chinesa indicaram que o país forneceu 7,9 milhões de toneladas adicionais de soja à China em 2025, alta de 92,4% em relação a 2024.

Esse reforço argentino, porém, pode perder força em 2026 sem incentivos de política semelhantes. Com a próxima safra brasileira prevista apenas para o início de 2027, a China poderá depender de decisões tarifárias, estoques estatais e novas compras para reduzir o risco de falta no curto prazo.

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