A Polícia Federal afirma, em relatório sobre o Caso Master, que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu a Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, que analisasse documentos do Banco Master destinados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As mensagens citadas pela investigação abrangem ao menos episódios de 2024 e 2025.
Segundo a PF, o material indica pedidos recorrentes para que o servidor avaliasse textos e desse aval antes do encaminhamento ao fundo. Os documentos da apuração foram divulgados na noite de 10 de setembro, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo do caso a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
PF relata pedidos sobre documentos ao FGC
Um dos episódios descritos ocorreu em 29 de abril de 2025. De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro encaminhou a Paulo Sérgio uma minuta de ofício do Banco Master dirigida ao FGC e solicitou que ele avaliasse o texto de resposta.
O arquivo mencionado pela investigação tinha o nome “Ofício Banco Master ao FGC – Minuta de Contrato de Fiadores”. Além da troca de mensagens, o material analisado registrou uma ligação de voz entre os dois, com duração de um minuto e 19 segundos.
A PF tratou esse contato como um dos exemplos da relação que investigava entre Vorcaro e o então integrante da área de supervisão bancária do Banco Central. A apuração atribui ao ex-banqueiro a iniciativa de buscar avaliação prévia sobre o conteúdo destinado ao fundo.
Pode dar uma olhada no nosso texto resposta FGC?”
Daniel Vorcaro, segundo mensagem citada pela Polícia Federal
Mensagens voltam a aparecer em maio
Segundo o relatório, a mesma dinâmica reapareceu em 12 de maio de 2025, menos de duas semanas depois do primeiro episódio citado. Vorcaro perguntou a Paulo Sérgio sobre uma consulta e, em seguida, encaminhou outro documento.
Esse arquivo foi identificado como “Ofício Banco Master – Tratativas para Segunda Etapa de Assistência”. Na conversa, Vorcaro pediu que o servidor verificasse o documento com sua equipe e desse uma confirmação para o envio.
Para os investigadores, a sequência reforça a existência de pedidos repetidos relacionados a textos que seriam posteriormente enviados ao FGC. A conclusão consta do relatório da PF e integra os elementos reunidos na apuração sobre o Banco Master.
Relatório cita antecedente de 2024
A investigação também menciona uma situação anterior, em novembro de 2024. Na ocasião, segundo a PF, Vorcaro enviou a Paulo Sérgio um documento destinado ao Banco Central e perguntou se o conteúdo estava adequado.
Pode dar uma olhada com a turma e me dar ok pra enviar.”
Daniel Vorcaro, segundo mensagem citada pela Polícia Federal
Esse registro amplia o período temporal das conversas apontadas no relatório. Além disso, a PF afirma já ter identificado outras situações em que o servidor teria orientado Vorcaro a respeito de documentos voltados ao Banco Central e ao FGC.
O Departamento de Supervisão Bancária, ao qual Paulo Sérgio estava vinculado como chefe-adjunto, integra a estrutura do Banco Central. Já o FGC é a entidade destinatária dos documentos mencionados nos episódios relatados pela Polícia Federal.
Sigilo do Caso Master é retirado
Os elementos citados foram tornados públicos depois que o ministro do STF retirou o sigilo da apuração. A decisão ocorreu a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte, conforme o material divulgado.
O relatório também faz referência a uma conversa entre Vorcaro e Fabiano Zettel, apresentado na investigação como cunhado e operador financeiro do ex-banqueiro. Segundo a PF, o diálogo foi usado para mostrar como Vorcaro se referia à atuação de Paulo Sérgio.
As menções a mensagens, arquivos e conversas integram a narrativa da Polícia Federal no Caso Master. O relatório atribui à investigação a interpretação de que houve uma conduta reiterada nas solicitações de Vorcaro ao então dirigente da supervisão bancária.


