PF cita conversa de Vorcaro sobre diretor do Banco Central no Caso Master

Relatório divulgado após o fim do sigilo aponta que Daniel Vorcaro orientou Fabiano Zettel a tratar bem Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Desup.

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Documentos da investigação do Caso Master foram divulgados após a retirada do sigilo da apuração.
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A Polícia Federal citou uma conversa em que Daniel Vorcaro orientou o cunhado e operador financeiro Fabiano Zettel a dispensar bom tratamento a Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central. Segundo a PF, Vorcaro disse que o servidor era um “anjo na vida” dele.

O diálogo integra a investigação sobre a relação de Vorcaro com integrantes do Banco Central no Caso Master. Os documentos se tornaram públicos na noite de quinta-feira (10), depois que um ministro do Supremo Tribunal Federal derrubou o sigilo da apuração a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

PF descreve conversa entre Vorcaro e Zettel

De acordo com o relatório, Zettel avisou a Vorcaro que encontraria Paulo Sérgio Neves de Souza naquele dia e pediu orientações ao cunhado. Em resposta, o banqueiro recomendou que o então chefe-adjunto do Desup recebesse bom tratamento.

A Polícia Federal destacou, no diálogo, a justificativa atribuída a Vorcaro para a orientação. “”

Fabiano Zettel é apontado no material como cunhado e operador financeiro de Vorcaro. A conversa foi incluída pelos investigadores no conjunto de elementos examinados sobre os contatos do então controlador do Banco Master com integrantes da autoridade monetária.

Servidor atuava na supervisão bancária

Na época mencionada pela PF, Paulo Sérgio Neves de Souza ocupava a função de chefe-adjunto do Desup. O departamento integra a estrutura vinculada à Diretoria de Fiscalização do Banco Central.

O relatório também o identifica como ex-diretor de Fiscalização da instituição. Assim, a apuração relaciona sua atuação a uma área encarregada da supervisão bancária.

Segundo os investigadores, a unidade tinha atuação direta em processos relacionados a interesses de Vorcaro e do Banco Master. Essa posição funcional é um dos pontos considerados pela PF ao analisar a conversa interceptada.

Ele está sendo um anjo na minha vida”

Daniel Vorcaro, segundo diálogo citado pela Polícia Federal

Investigação apura possível influência no BC

A PF afirmou que Paulo Sérgio Neves de Souza atuava orientando Vorcaro e, aparentemente, buscava influenciar dentro do Banco Central assuntos de interesse do então controlador do Banco Master.

A conclusão dos investigadores partiu de indícios de possível influência de Vorcaro sobre integrantes da instituição. Segundo a PF, esses indícios envolveriam a obtenção e o repasse de informações confidenciais, além de influência em decisões.

As referências constam de relatório policial e representam a linha de apuração apresentada pela corporação. O documento trata da relação investigada entre Vorcaro e integrantes do Banco Central no âmbito do Caso Master.

STF liberou documentos da apuração

Os documentos que mencionam a conversa foram divulgados após a derrubada do sigilo da apuração. A medida foi tomada por um ministro do STF a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte.

Com a publicidade do material, vieram a público os trechos do relatório da Polícia Federal que descrevem o contato entre Vorcaro e Zettel. O diálogo é apresentado no documento junto da análise sobre os interesses atribuídos ao banqueiro dentro do Banco Central.

A divulgação ocorreu na noite de quinta-feira (10). O material citado se refere ao período em que Paulo Sérgio Neves de Souza exercia cargo no Departamento de Supervisão Bancária.

Defesa de Paulo Sérgio é procurada

A CNN Brasil informou que procurou a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza. O veículo declarou que mantinha espaço aberto para manifestação do ex-integrante do Banco Central.

O conteúdo divulgado descreve a posição da Polícia Federal na investigação. A apuração associa a conversa a suspeitas sobre o tratamento de assuntos de interesse de Vorcaro e do Banco Master na autoridade monetária.

O Caso Master reúne documentos e análises sobre essa relação, agora tornados públicos após a decisão que retirou o sigilo da investigação. O relatório da PF é a base para as referências feitas à conversa e à possível influência investigada.

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