AfD propõe usar produção de armas para bancar deportações na Alemanha

Declaração de Ulrich Siegmund, da Saxônia-Anhalt, envolve possível fábrica da israelense Elbit Systems em Sangerhausen.

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Redação
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Possível fábrica da Elbit Systems em Sangerhausen entrou no debate sobre produção de defesa e deportações defendidas pela AfD.REUTERS
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A AfD propôs associar a produção de equipamentos militares ao financiamento de futuras campanhas de deportação na Alemanha. A declaração foi feita na quinta-feira (10) por Ulrich Siegmund, provável futuro líder do partido de extrema-direita na Saxônia-Anhalt, estado do leste alemão.

A fala ocorre enquanto a empresa israelense Elbit Systems negocia a instalação de uma fábrica em Sangerhausen. Segundo a emissora local MDR, a unidade produziria componentes para outras empresas alemãs e poderia criar até 400 empregos.

Siegmund vincula armas a deportações

Em entrevista coletiva, Siegmund afirmou que a AfD não rejeita de forma geral a fabricação de equipamentos militares quando destinada a necessidades internas. Ele relacionou essa produção à obtenção de recursos para ações de repatriação e deportação.

O político também associou a proposta à segurança interna, à estabilidade do país e à defesa nacional. A AfD é um partido anti-imigração e promete uma ofensiva de deportações caso assuma o governo estadual.

Durante a campanha, Siegmund disse que a medida atingiria pessoas sem direito de permanência na Alemanha. Ele negou que a política fosse aplicada a estrangeiros empregados, estabelecidos no estado e com residência legal.

Projeto em Sangerhausen entra no debate

A possível instalação industrial em Sangerhausen tornou-se o foco imediato da declaração. A MDR informou que a Elbit Systems negocia a construção da fábrica no município.

Autoridades municipais disseram que a unidade não fabricaria sistemas de armas completos, drones nem projéteis de artilharia. O projeto seria voltado a componentes destinados a outras companhias alemãs do setor.

A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na sexta-feira (11), data que era feriado em Israel. Enquanto isso, Siegmund afirmou que a AfD acompanha os desdobramentos e examinará quais produtos seriam feitos na fábrica.

Assim, o apoio da legenda ao empreendimento dependerá da análise sobre a produção prevista no local, segundo o dirigente.

AfD questiona política de defesa alemã

A posição sobre a fábrica contrasta com a crítica da AfD aos gastos recordes da Alemanha em defesa sob o chanceler Friedrich Merz. O partido também se opõe ao apoio militar alemão à Ucrânia.

A legenda mantém laços com a Rússia e se apresenta como um “partido da paz”. Esse posicionamento levantou dúvidas sobre o futuro do investimento planejado em Sangerhausen.

Ao mesmo tempo, a declaração de Siegmund indica abertura para produção militar voltada, segundo ele, a objetivos domésticos. A diferença entre o rechaço ao apoio militar à Ucrânia e essa abertura passou a integrar o debate em torno da fábrica.

Vitória eleitoral amplia ambição regional

A AfD obteve quase 44% dos votos na eleição de domingo (6) na Saxônia-Anhalt, mas não conquistou maioria absoluta no parlamento estadual. A vitória foi descrita como histórica no material fornecido.

O partido busca formar um governo estadual e espera atrair individualmente parlamentares conservadores para viabilizar essa meta. Siegmund, ex-vendedor de perfumes de 35 anos, apresentou suas propostas no manifesto eleitoral “Visão 2026”.

Além das deportações desde o início de um eventual mandato, o plano inclui patrulhas cidadãs e turmas separadas para crianças refugiadas sem perspectiva de permanência. A proposta também prevê ampliar significativamente as vagas para pessoas que aguardam deportação.

Na área de migração, a pasta de Interior imaginada por Siegmund obrigaria municípios a criar programas de trabalho compulsório para requerentes de asilo.

Programa prevê mudanças em mídia e governo

O programa de Siegmund também mira a mídia pública. Sua primeira medida seria retirar a Saxônia-Anhalt do acordo entre estados alemães que regula as práticas de radiodifusão.

Segundo ele, a iniciativa abriria caminho para extinguir a taxa mensal de € 18,36 cobrada das residências para financiar emissoras como ARD e ZDF. A AfD pretende substituí-la por um modelo financiado por impostos.

Entre outras propostas, o partido defende hastear a bandeira alemã em prédios públicos e promover uma campanha de “pensar como alemão”. Também prevê subsidiar em 50% a carteira de motorista de voluntários em socorro a desastres e serviços médicos de emergência.

Na estrutura de governo, Siegmund promete reduzir o número de ministérios, fundir funções e extinguir uma pasta ainda não especificada. Ele também propõe revisar a resposta do governo estadual à pandemia de COVID-19.

BSW pode dificultar apoio ao projeto

Um eventual apoio da AfD à fábrica pode complicar conversas com o BSW, partido populista de esquerda. Entre as forças citadas no material, o BSW é a única que não descartou cooperação com a AfD.

Assim como a AfD, o BSW se opõe ao apoio militar da Alemanha à Ucrânia. No entanto, a legenda fez campanha contra o projeto de Sangerhausen.

O BSW rejeitou os argumentos econômicos para atrair fabricantes estrangeiros de defesa. Dessa forma, a possível fábrica reúne um debate sobre empregos, produção industrial, política de defesa e negociações partidárias na Saxônia-Anhalt.

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