Alemanha adia ligação entre Merz e Trump após vitória da AfD

Governo alemão não informou o motivo do adiamento; decisão ocorreu após críticas do presidente dos EUA à política migratória do país

Da
Redação
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Ligação entre o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente americano Donald Trump foi adiada pelo governo da Alemanha.REUTERS/Thomas Peter
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Alemanha adia ligação entre o chanceler Friedrich Merz e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prevista para 11 de setembro, data associada ao aniversário dos atentados de 2001. O governo alemão não informou o motivo da decisão nem marcou uma nova data.

O adiamento ocorreu depois de Trump elogiar a vitória da AfD, partido de extrema direita, nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt. O presidente americano também criticou as regras de imigração alemãs, enquanto o governo de Merz evita comentar diretamente a publicação.

Governo alemão adia a ligação

O porta-voz-chefe do governo alemão, Stefan Kornelius, anunciou o adiamento durante uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, dia 9. Segundo ele, a decisão partiu do lado alemão.

A conversa estava planejada para ocorrer por ocasião do 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. Kornelius afirmou que os dois governos ainda não definiram uma nova data.

Questionado sobre a razão do adiamento, o porta-voz não apresentou uma justificativa. A ausência de explicação oficial manteve a decisão separada das declarações recentes de Trump sobre a política alemã.

Trump critica a política migratória

Na terça-feira, dia 8, Trump atribuiu o resultado da AfD às regras e políticas de imigração da Alemanha. O presidente americano classificou essas medidas como prejudiciais ao país.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os eleitores alemães haviam se cansado das regras de imigração. A mensagem também celebrou o desempenho eleitoral do partido de extrema direita.

Eles finalmente se cansaram das regras e regulamentações de imigração absolutamente horríveis que prejudicaram tanto a Alemanha”

Donald Trump, em publicação na rede Truth Social

O governo de Merz, por outro lado, não comentou diretamente a postagem. Kornelius lembrou que o chanceler já havia indicado que intervenções estrangeiras sobre eleições e política interna alemãs estão fora de questão.

AfD vence eleição na Saxônia-Anhalt

A AfD terminou em primeiro lugar nas eleições de domingo na Saxônia-Anhalt. O resultado marcou a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial em que um partido de extrema direita chegou tão perto de assumir o poder em nível estadual, segundo o material.

O avanço ocorreu em meio à preocupação de parte da população com a imigração em massa. A legenda transformou o tema em um dos principais eixos de sua campanha regional.

Ulrich Siegmund, integrante da AfD e candidato a liderar o governo estadual, prometeu deportações de imigrantes em situação irregular desde o início de uma eventual gestão. A proposta se aproxima das políticas migratórias defendidas por Trump.

Resultado pressiona o governo de Merz

A vitória da AfD representou um dos maiores reveses para os conservadores de Merz desde o retorno do grupo ao poder nacional, há mais de um ano. O resultado amplia a pressão sobre o governo alemão em torno da imigração e da disputa política nos estados.

Apesar da repercussão internacional, Kornelius evitou avaliar diretamente a eleição regional. Ele também não vinculou publicamente o adiamento da ligação às declarações do presidente americano.

O porta-voz, no entanto, reafirmou que o governo alemão considera a liberdade, a democracia e o respeito valores que definem e unem Alemanha e Estados Unidos.

Deportações (de imigrantes ilegais) desde o primeiro minuto”

Ulrich Siegmund, integrante da AfD e candidato a liderar o governo da Saxônia-Anhalt

Relação entre aliados enfrenta divergências

A Alemanha e os Estados Unidos mantêm uma aliança tradicional, mas a relação passou a enfrentar novas tensões desde o retorno de Trump à Presidência americana.

As divergências incluem tarifas comerciais, a guerra contra o Irã e o apoio à Ucrânia. A política migratória alemã também se tornou alvo frequente das críticas de Trump.

O presidente americano acusa países europeus, entre eles a Alemanha, de perderem o controle das fronteiras após o aumento da chegada de migrantes e requerentes de asilo, sobretudo do Oriente Médio e do Afeganistão.

Nova data ainda não foi definida

O governo alemão informou apenas que a ligação foi adiada e que uma nova data não está definida. Por isso, não há confirmação pública sobre quando Merz e Trump voltarão a conversar.

A decisão ocorre em um momento de tensão política para o chanceler alemão, após o avanço regional da AfD e a manifestação pública de apoio de Trump ao partido.

Enquanto isso, Berlim mantém a posição de que governos estrangeiros não devem interferir na política interna alemã. A declaração de Kornelius preserva essa linha, sem esclarecer se as críticas americanas influenciaram o adiamento.

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