Modi e Putin iniciaram nesta sexta-feira (11), em Nova Déli, conversas sobre energia, defesa e comércio entre Índia e Rússia. O encontro ocorre na véspera da cúpula anual do BRICS e representa a segunda reunião dos dois líderes em duas semanas.
Segundo uma fonte indiana, os presidentes devem abordar energia nuclear civil, fertilizantes, minerais críticos, manufatura, ferrovias e siderurgia. A agenda também inclui a relação energética entre os países, marcada pelo aumento das compras indianas de petróleo russo.
Líderes retomam diálogo antes do BRICS
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o presidente russo, Vladimir Putin, se encontraram em Nova Déli antes da reunião dos líderes do BRICS. A cúpula terá a participação do presidente chinês, Xi Jinping, e do presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, entre outros líderes.
O encontro bilateral acontece pouco mais de uma semana depois de uma conversa entre Modi e Putin à margem da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, realizada em Bishkek, no Quirguistão, em 31 de agosto.
Na ocasião, Modi afirmou a Putin que . O primeiro-ministro também disse que a Índia apoiaria todos os esforços de paz para encerrar os combates.
A proximidade das reuniões coloca a relação Índia-Rússia no centro das discussões que antecedem a cúpula do BRICS, bloco que reúne grandes economias emergentes e parceiros estratégicos dos dois países.
Índia amplia compras de petróleo russo
A Índia está entre as maiores compradoras de petróleo russo, ao lado da China. As compras ajudam Moscou a recompor seu orçamento desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, quando o país passou a enfrentar amplas sanções ocidentais.
Para Nova Déli, a manutenção do comércio de energia está ligada às necessidades de sua população e de sua economia. O governo indiano tem defendido o acesso a um fornecimento energético seguro, acessível e confiável.
A guerra na Ucrânia precisava terminar pelo bem da humanidade”
Narendra Modi
A participação da Rússia nas importações indianas de petróleo bruto chegou a 51% em julho de 2026, segundo o material divulgado, atingindo um recorde. O aumento ocorreu enquanto interrupções no fornecimento do Oriente Médio elevaram a dependência das refinarias indianas em relação ao petróleo russo.
Em agosto, essa participação provavelmente caiu com o aumento das compras chinesas de petróleo russo, de acordo com relatos da imprensa indiana citados no material. Ainda assim, a energia continua como um dos principais eixos da relação bilateral.
Países mantêm cooperação em setores estratégicos
As conversas em Nova Déli devem tratar de áreas que vão além do petróleo. A fonte indiana citada aponta energia nuclear civil, fertilizantes, defesa e minerais críticos entre os assuntos previstos.
Também estão na agenda manufatura, ferrovias e siderurgia. Esses setores compõem uma pauta de cooperação econômica e industrial entre os dois países, além da tradicional parceria na área de defesa.
Índia e Rússia concordaram, em dezembro de 2025, em expandir suas relações comerciais e de defesa. O acordo foi discutido durante a cúpula anual Índia-Rússia, realizada durante uma visita de Putin à Índia.
A agenda atual retoma, portanto, compromissos debatidos no encontro bilateral de dezembro. Ao mesmo tempo, a dependência indiana de energia russa acrescenta uma dimensão econômica às discussões sobre segurança e cooperação estratégica.
Nova Déli defende diálogo sobre a guerra
A Índia afirma que o conflito na Ucrânia deve ser resolvido por meio do diálogo e da diplomacia. O país também rejeita a ideia de interromper o comércio de energia, metais ou fertilizantes com a Rússia como forma de pressionar pelo fim da guerra.
Essa posição combina a defesa de esforços de paz com a preservação dos interesses econômicos indianos. Por isso, a relação com Moscou permanece ativa mesmo diante das sanções impostas por países ocidentais à Rússia.
O encontro entre Modi e Putin ocorre, assim, em uma fase de forte articulação diplomática antes da cúpula do BRICS. A participação de China e Irã amplia o peso político da reunião, enquanto Índia e Rússia discutem setores considerados estratégicos para suas economias.


