Alemanha pede que Ucrânia compre mais armas de empresas do país

Ministro alemão afirma que apoio a Kiev deve incluir a indústria de defesa local; fala ocorre após aumento da tensão com a Rússia.

Da
Redação
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Alemanha defende maior participação de sua indústria de defesa nas compras de armas da Ucrânia.. 11/06/2024 Jens Buttner/Pool via REUTERS
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A Alemanha pediu que a Ucrânia compre mais armas de empresas alemãs. Em declaração ao jornal Bild na terça-feira (8), o ministro do Exterior Johann Wadephul vinculou a proposta ao papel de Berlim como maior doadora de Kiev.

Segundo Wadephul, o governo alemão seguirá apoiando a defesa ucraniana contra a Rússia. A manifestação veio após a Alemanha atribuir à Rússia uma tentativa de ataque com drone contra o aeroporto de Leipzig/Halle, em agosto, acusação que Moscou negou.

Alemanha vincula apoio a compras locais

Wadephul disse que a condição de maior doadora da Ucrânia permite à Alemanha esperar encomendas para seu setor de defesa. A declaração trata diretamente da participação de fabricantes alemães nas aquisições militares de Kiev.

O ministro relatou ter transmitido a posição ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, durante uma visita realizada no mês passado. Na ocasião, segundo ele, Berlim assegurou a continuidade do apoio à Ucrânia.

Ao justificar a cobrança, Wadephul afirmou ao Bild que também precisa prestar contas aos contribuintes alemães. Para ele, a indústria de defesa do país deve participar de todas as atividades de aquisição relacionadas a esse apoio.

Ministro aponta baixa nas encomendas

O chefe da diplomacia alemã afirmou que o volume de pedidos recebidos na Alemanha ainda não satisfaz o governo. Ele não apresentou, nas declarações citadas, números sobre contratos, valores ou compras já realizadas.

A fala insere as compras de armamentos na discussão sobre o suporte alemão a Kiev. Assim, Wadephul aproximou a ajuda à defesa da Ucrânia do envolvimento das empresas do próprio país fornecedor.

O ministro não condicionou explicitamente a continuidade do apoio alemão à realização das encomendas. Ainda assim, indicou que espera maior presença da indústria local nas aquisições ucranianas.

Acusação sobre drone eleva tensão

Os comentários foram feitos poucos dias depois de Berlim acusar a Rússia de estar por trás de uma tentativa de ataque com drone ao aeroporto de Leipzig/Halle. Segundo as autoridades alemãs, o episódio de agosto quase provocou uma grande catástrofe.

A Rússia negou a acusação. O caso, no entanto, ampliou a tensão entre Moscou e Berlim, já marcada pelo apoio alemão à Ucrânia em meio à guerra contra a Rússia.

Em resposta ao incidente, a Alemanha ordenou o fechamento do consulado russo em Bonn e de um centro cultural russo em Berlim. As medidas ocorreram depois da acusação alemã sobre o drone.

Moscou reage às medidas alemãs

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, classificou as acusações alemãs, em declaração citada pela agência estatal TASS, como algo que representava “em grande medida, o início de uma guerra de verdade”.

Wadephul rejeitou a avaliação de Lavrov e defendeu a reação de Berlim ao incidente. Segundo o ministro alemão, o governo não tinha outra alternativa diante do que atribuiu à Rússia.

O ministro alemão também disse que homens ucranianos em idade de serviço militar que vivem na Alemanha deveriam voltar ao país. Ele acrescentou que Berlim poderia auxiliar o governo ucraniano a identificá-los a partir de informações de residência e registros de benefícios sociais.

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