Três policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por corrupção passiva militar, sob acusação de cobrar dinheiro de comerciantes e empresas para oferecer policiamento diferenciado em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.
Em 10 de setembro de 2026, o MPRJ cumpriu mandados de prisão preventiva contra os três acusados. Dois já estavam presos por outro processo, enquanto o terceiro foi localizado em casa, em Nova Iguaçu. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.
Policiais priorizavam locais pagos
De acordo com o MPRJ, os policiais colocavam os estabelecimentos pagadores entre as prioridades das rotas de patrulhamento. Além disso, compareciam aos endereços quando eram acionados pelos responsáveis.
A acusação sustenta que os agentes usavam a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados. Os fatos teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2021, quando os três trabalhavam no Batalhão de Belford Roxo.
Uma clínica aparece entre as empresas que, segundo o Ministério Público, se beneficiavam do esquema. O estabelecimento pagava R$ 50 pelo serviço de policiamento diferenciado.
MPRJ prende um acusado em Nova Iguaçu
Os mandados foram cumpridos durante a quinta-feira, 10 de setembro. Dois dos denunciados já estavam detidos por causa de outro processo, conforme informou o MPRJ.
O terceiro policial foi preso em sua residência, em Nova Iguaçu, município também localizado na Baixada Fluminense. A medida adotada contra os três foi a prisão preventiva.
A denúncia enquadra os acusados por corrupção passiva militar. O caso tramita na Justiça Militar, após o recebimento da acusação pela Auditoria da Justiça Militar.
Investigação apura casos no batalhão
A investigação do MPRJ começou em maio de 2024 e apura práticas criminosas atribuídas a integrantes do Batalhão de Belford Roxo. A apuração contou, segundo o órgão, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Polícia Penal.
O caso atual se soma a outras medidas relacionadas ao mesmo batalhão. Em agosto de 2025, dez policiais foram presos sob acusação de extorquir comerciantes.
Em maio de 2026, o MPRJ denunciou 11 policiais por receber propina em troca de fornecer segurança a estabelecimentos durante o horário de expediente. No mês seguinte, quatro agentes foram denunciados por peculato e pela venda de uma pistola apreendida durante uma ocorrência policial.
Acusações seguem na Justiça Militar
Com o recebimento da denúncia, os três policiais passam a responder à ação penal na Justiça Militar. A acusação do Ministério Público ainda será analisada no curso do processo.
A prisão preventiva ocorre enquanto o caso tramita judicialmente. As medidas citadas pelo MPRJ estão vinculadas à investigação sobre a atuação de agentes do Batalhão de Belford Roxo.
Além da apuração sobre a cobrança por policiamento, o histórico recente apresentado pelo órgão reúne denúncias por extorsão, recebimento de propina, peculato e venda de arma apreendida. As investigações têm o apoio de órgãos de controle e do sistema penitenciário estadual.


