Polícia do Rio indicia 13 por morte de ciclista em Copacabana

Inquérito aponta agressões após falsa suspeita sobre bicicleta e apura atuação de uma estrutura clandestina de segurança no bairro.

Da
Redação
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Inquérito apontou que a bicicleta usada por Cláudio Rafael Landeiro Moreira pertencia à irmã da vítima.Reprodução
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro indiciou 13 pessoas no inquérito que apura a morte do ciclista Cláudio Rafael Landeiro Moreira, agredido na madrugada de 12 de agosto, em Copacabana, na zona sul da capital. O relatório final da 12ª DP (Copacabana) foi encaminhado ao Ministério Público em 2 de setembro.

Segundo a investigação, uma falsa acusação de furto relacionada à bicicleta usada por Cláudio desencadeou a abordagem. A polícia concluiu que o veículo pertencia à irmã da vítima e que a suspeita sobre sua procedência deu início à sequência de violência.

Inquérito aponta agressões após suspeita falsa

O inquérito descreve que Cláudio foi cercado e agredido por diferentes pessoas antes de morrer. A apuração atribui a cinco homens participação direta no espancamento.

De acordo com a Polícia Civil, Davi Santos Machado e os entregadores Felipe Eduardo dos Santos Silva e Ailton José da Silva teriam usado um pedaço de madeira, além de socos e chutes. A investigação registra mais de 30 golpes com o objeto.

A vítima teria sido levada para outra rua e ficado acuada na escadaria de um edifício. Nesse ponto, segundo os investigadores, ela continuou a sofrer agressões.

Polícia atribui homicídio a cinco investigados

Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Silva, Ailton José da Silva e Wellington Luiz Santos de Souza foram indiciados por homicídio triplamente qualificado. A Polícia Civil apontou motivo fútil, meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

Segundo testemunhas ouvidas no inquérito, Wellington chegou enquanto as agressões ocorriam, perguntou se Cláudio era ladrão e recebeu uma resposta afirmativa. A investigação também atribui a ele um chute na cabeça da vítima.

Wellington teve a prisão decretada, conforme o material da investigação. Os outros quatro indiciados por homicídio já estavam presos quando o relatório final foi encaminhado.

O indiciamento representa a conclusão da apuração policial. Agora, cabe ao Ministério Público analisar o caso e adotar as medidas na esfera judicial.

Laudo explica causa da morte

O laudo necroscópico concluiu que Cláudio morreu em consequência de traumatismo cranioencefálico grave. O exame também apontou hemorragia interna e lesões traumáticas no baço e no rim.

Para reconstruir a dinâmica, a Polícia Civil utilizou imagens do sistema de monitoramento urbano. Segundo a investigação, os registros ajudaram a identificar a participação dos envolvidos.

Ladrão tem que morrer mesmo”

Wellington Luiz Santos de Souza, segundo testemunhas citadas no inquérito

As imagens também mostrariam pessoas mexendo nos bolsos da vítima e fotografando o corpo depois das agressões, de acordo com o relatório. Esses elementos integraram o conjunto analisado pela delegacia.

Celulares reforçam apuração policial

Investigadores também analisaram celulares apreendidos com Aluísio da Silva Filho e Davi Santos Machado. Segundo a Polícia Civil, o conteúdo revelou comunicações ligadas a uma vigilância informal na região.

Além disso, Davi compareceu à delegacia no dia seguinte ao crime levando a bicicleta usada por Cláudio. Em depoimento, ele disse que buscava localizar o proprietário por grupos de WhatsApp.

A apuração, no entanto, concluiu que a bicicleta era da irmã da vítima. Para a polícia, a alegação sobre a origem do veículo serviu como ponto de partida para a abordagem que terminou na morte do ciclista.

Investigação apura segurança clandestina

Além do homicídio, o inquérito identificou uma estrutura de segurança clandestina que, segundo a Polícia Civil, atuaria em Copacabana. Seis pessoas foram indiciadas por exercício ilegal da profissão.

Aluísio da Silva Filho, Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias e Antônio Marcos Pires Sudre da Silva aparecem entre os indiciados por essa contravenção. A investigação também relacionou Antonia Sandra Rodrigues Ferreira, Antonio Gonçalves, Lucilene Barros e Antônio Ivan Alves Pereira ao financiamento da atividade.

Um depoimento reunido pela polícia atribuiu a coordenação da rede a Aluísio. Ainda segundo esse relato, comerciantes pagariam R$ 120 por semana, em dinheiro ou por Pix.

A imputação por exercício ilegal de atividade se baseia no artigo 47 da Lei das Contravenções Penais. As conclusões do inquérito seguem para avaliação do Ministério Público.

Outros dois recebem indiciamentos distintos

João Cleber de Souza Santiago foi indiciado por omissão de socorro. De acordo com a Polícia Civil, ele teria presenciado as agressões e não acionado ajuda de imediato.

Rayane de Sousa Batista Silva foi indiciada por lesão corporal. A investigação afirma que ela teria devolvido a um dos agressores o porrete usado no espancamento.

Assim, os 13 indiciamentos abrangem cinco suspeitos de homicídio, uma pessoa por omissão de socorro, uma por lesão corporal e seis por exercício ilegal da profissão. Davi e Jorge constam tanto entre os indiciados por homicídio quanto na apuração sobre a segurança clandestina.

Com o envio do relatório final, a Polícia Civil encerrou sua investigação. O Ministério Público será responsável por examinar os elementos reunidos e definir os próximos passos do caso.

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