Três PMs são presos por suspeita de cobrar propina em Belford Roxo

Segundo o MPRJ, agentes negociavam policiamento privilegiado para estabelecimentos comerciais; prisões ocorreram na sexta fase da Operação Patrinus

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Três policiais militares foram presos na sexta fase da Operação Patrinus, que investiga suspeitas de cobrança por policiamento em Belford Roxo.Reprodução
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Três policiais militares foram presos preventivamente nesta quinta-feira (10), no Rio de Janeiro, sob suspeita de cobrar propina para oferecer policiamento privilegiado a estabelecimentos comerciais de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou os agentes por corrupção passiva militar.

As prisões ocorreram durante a sexta fase da Operação Patrinus, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ) e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ). A ação teve apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal.

Agentes direcionavam o patrulhamento

Segundo o MPRJ, os policiais recebiam e negociavam pagamentos para incluir determinados comércios em uma rede chamada pelos próprios agentes de “padrinhos”. Em troca, os estabelecimentos teriam atendimento diferenciado de equipes da Polícia Militar.

O esquema investigado incluía o direcionamento do patrulhamento, a prioridade de determinados locais nas rotas e o deslocamento de policiais quando os responsáveis pelos comércios faziam solicitações.

Para o Ministério Público, os agentes usavam a estrutura e o serviço público da Polícia Militar para atender interesses privados. Os fatos atribuídos aos três denunciados teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2021, quando eles estavam lotados no 39º Batalhão de Polícia Militar, em Belford Roxo.

Prisão ocorreu em três endereços

Dois dos denunciados já estavam presos em razão de outro processo relacionado à mesma investigação. Os novos mandados foram cumpridos no Batalhão Especial Prisional e no presídio Joaquim Ferreira de Souza.

O terceiro policial foi localizado em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu. A operação reuniu órgãos do Ministério Público e estruturas das polícias Militar e Penal.

A denúncia contra os três foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar. Além disso, um dos agentes foi expulso da corporação após o oferecimento da denúncia.

Mensagens registraram negociação

Um dos episódios analisados envolve a Clínica Fênix, em Belford Roxo. De acordo com o Gaesp, houve pagamento de R$ 50 aos policiais e negociação para que o valor chegasse a R$ 100.

Mensagens extraídas do celular de um dos denunciados registraram uma discussão sobre a diferença entre o valor pago e o que teria sido combinado. Em outra conversa, um policial também relatou ter recebido R$ 50.

Segundo o MPRJ, um dos agentes intermediava o contato com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento das equipes. Outro acompanhava as tratativas e os pagamentos, enquanto o terceiro teria participado do patrulhamento, enviado fotos da atuação no local a um grupo de WhatsApp e recebido pessoalmente R$ 50.

Operação ampliou investigação

A Operação Patrinus começou em maio de 2024, a partir de uma apuração sobre policiais militares do 39º BPM. A análise de celulares apreendidos durante as diligências levou os investigadores a outros suspeitos e a indícios de diferentes práticas criminosas.

Em agosto de 2025, dez policiais militares foram presos sob suspeita de achacar comerciantes. Já em maio de 2026, o Gaesp denunciou outros 11 PMs por supostamente receberem propina para prestar segurança a estabelecimentos comerciais durante o expediente.

Um mês depois, quatro policiais foram denunciados por peculato e comércio ilegal de arma de fogo. Segundo a investigação, eles teriam vendido uma pistola apreendida em uma ocorrência e dividido o dinheiro obtido com a negociação.

Denúncia segue na Justiça Militar

O caso dos três policiais presos tramita na Justiça Militar após o recebimento da denúncia pela Auditoria. A acusação trata de corrupção passiva militar, crime relacionado à solicitação ou recebimento de vantagem indevida em razão da função.

As suspeitas descritas pelo MPRJ envolvem o uso do policiamento ostensivo para beneficiar estabelecimentos privados. Por isso, a investigação também alcança a forma como as equipes eram direcionadas e como os pagamentos eram negociados.

A Clínica Fênix foi procurada e permanece aberta para manifestação, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *