PF apura suspeita de uso de emendas no filme Dark Horse

Investigação aponta que R$ 750 mil chegaram à produtora do longa após repasses ligados a recursos destinados pelo deputado Mário Frias ao Instituto Conhecer Brasil.

Da
Redação
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A Operação Make Up apura o possível desvio de emendas parlamentares e transferências relacionadas à produtora de Dark Horse.Instagram/Jim Caviezel
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A Polícia Federal investiga uma suspeita de uso de emendas no filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a apuração, R$ 750 mil chegaram à Go Up Entertainment, produtora do longa, após uma série de transferências envolvendo empresas ligadas a um grupo que recebeu recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB).

O ICB recebeu R$ 2 milhões por duas emendas parlamentares apresentadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), destinadas a projetos de educação e esporte. A investigação resultou na Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira (10) com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

PF rastreia R$ 750 mil para produtora

O percurso financeiro sob análise começou com pagamentos feitos pelo ICB à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. As duas empresas, ligadas ao mesmo grupo, receberam juntas R$ 700 mil entre fevereiro e março de 2025 por serviços associados a um projeto custeado com emenda parlamentar.

Mais tarde, entre novembro e dezembro, a NTT Brasil — também vinculada ao grupo — transferiu R$ 750 mil à Go Up Entertainment. Por isso, a Polícia Federal apura se houve conexão entre os recursos que saíram do ICB e o valor posteriormente enviado à produtora.

Para a corporação, o fluxo identificado pode indicar que valores associados aos contratos do instituto foram direcionados à empresa responsável pelo filme. A investigação ainda busca esclarecer se dinheiro público participou do financiamento da produção.

Gravações coincidem com pagamentos

O repasse de R$ 750 mil ocorreu no período em que Dark Horse era filmado em São Paulo, conforme a investigação. Na mesma janela, a Go Up realizou pagamentos a empresas de hotelaria, alimentação, eventos e produção audiovisual.

Os recursos tiveram fim social.”

Mário Frias, deputado federal (PL-SP), em manifestação enviada ao STF

Entre as despesas apontadas estão R$ 906,7 mil destinados ao Hotel Unique e R$ 653,1 mil à Foodflix Alimentação. Esses pagamentos integram o conjunto de movimentações financeiras analisadas pelos investigadores.

A PF também identificou transferências de R$ 645,4 mil feitas pelo próprio Mário Frias à Go Up em menos de dois meses. A decisão que autorizou a operação registra que os rendimentos mensais do parlamentar eram de cerca de R$ 44 mil e levanta questionamentos sobre o lastro financeiro desses repasses.

Operação cumpre 49 mandados

A Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao financiamento de Dark Horse. Entre os alvos estiveram Karina Gama, presidente do ICB e proprietária da Go Up Entertainment, e o deputado Mário Frias.

As medidas foram executadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A Polícia Federal atuou em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo a PF, as investigações apontam a suspeita de uma organização criminosa com agentes públicos e privados. A corporação apura possível direcionamento irregular dos recursos recebidos a empresas subcontratadas, sem comprovação da prestação dos serviços contratados.

Inquéritos avançam no Supremo

O financiamento de Dark Horse é objeto de dois inquéritos no STF. Um é relatado pelo ministro André Mendonça, enquanto o procedimento sobre o possível direcionamento de emendas parlamentares está sob relatoria de Flávio Dino.

Em março, Dino determinou que Mário Frias prestasse esclarecimentos sobre a emenda de R$ 2 milhões destinada ao ICB. A organização tem ligação com a produtora do filme, e o ministro solicitou informações sobre possíveis irregularidades na aplicação dos recursos.

Em manifestação enviada ao Supremo em maio, Frias negou irregularidades e sustentou que os recursos tiveram finalidade social. A operação apura, entre outros possíveis crimes, peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos licitatórios.

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