Operação Make Up mira repasse ligado ao filme Dark Horse

PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão; decisão retirada de sigilo cita 53 alvos, entre pessoas e empresas.

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Redação
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Operação Make Up apura indícios na destinação de emenda parlamentar ao Instituto Conhecer Brasil.Reprodução/Redes Sociais
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A Operação Make Up, da Polícia Federal, cumpriu nesta quinta-feira (10) 49 mandados de busca e apreensão em apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos citados estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, ligada à produtora responsável pela obra.

A investigação trata de indícios apontados pela Controladoria-Geral da União (CGU) na destinação de R$ 2 milhões. O dinheiro veio de emenda parlamentar de Frias e foi repassado ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG ligada à produtora de Karina Gama.

Operação Make Up cumpre 49 mandados

A Polícia Federal realizou as buscas contra pessoas e empresas relacionadas à apuração. A medida foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No fim da manhã, Dino retirou o sigilo da decisão que permitiu a operação. Segundo as informações divulgadas, a decisão menciona 53 alvos: 29 pessoas físicas e 24 pessoas jurídicas.

O número de alvos informado na decisão é superior aos 49 mandados de busca e apreensão cumpridos. As duas referências dizem respeito a dados distintos da operação: uma indica os alvos, e a outra, as medidas executadas pela PF.

CGU aponta indícios em repasse de R$ 2 milhões

A CGU identificou indícios de irregularidade no repasse de R$ 2 milhões oriundo de uma emenda parlamentar de Mario Frias. A verba foi destinada ao ICB, conforme os dados que embasaram a operação.

O instituto é descrito como ligado à produtora de Karina Gama. Ela é sócia da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse.

Além de exercer mandato na Câmara, Frias é produtor executivo do longa. Ele também comandou a Secretaria Especial da Cultura durante o governo Bolsonaro.

Frias nega irregularidades no uso dos recursos

Em manifestação enviada ao STF em maio, Mario Frias negou irregularidades. Segundo a posição apresentada pelo deputado, os recursos tiveram finalidade social.

A operação, porém, tem como foco os indícios identificados pela CGU sobre a destinação da emenda. A apuração alcança tanto pessoas físicas quanto empresas relacionadas aos fatos investigados.

Karina Gama aparece entre os alvos por sua ligação com a produtora do filme e com o ICB. Também foi alvo Raphael Augusto Azevedo, que atuou como assessor e chefe de gabinete de Frias.

Empresas ligadas ao instituto entram na apuração

Entre os nomes citados estão Ademar de Sena Sampaio, sócio de Karina Gama na Upcon Serviços Especializados, e André Feldman, proprietário da Complexsys Soluções Integradas. A empresa é apontada como ligada à ONG de Karina.

Débora Gomes Feldman, proprietária da Fastfuture Tecnologias Emergentes, e William Silva Ferreira, CEO da Ultra IP Tecnologia e Serviços, também figuram entre os alvos. As duas empresas foram relacionadas ao instituto no material divulgado.

A lista ainda inclui Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio da Urban Connect Serviços e Tecnologia; Daywson Moreira Medeiros, empresário da MEcla Soluções Educacionais; e Georgia Helena Medeiros Lira, sócia da Medeiros & Medeiros.

Investigação cita destinos e pagamentos da ONG

Dayvid Moreira Medeiros, dono da Editora Dinâmica, está entre os alvos. A empresa é suspeita de ter sido usada como intermediária para receber recursos do ICB provenientes da emenda parlamentar, segundo a apuração.

Heric Fabiano Dias, empresário e sócio da Editora Dinâmica, também aparece na relação. Da mesma forma, Pamella Cristiane Dias, fundadora do Instituto Super Poder Educacional, é citada porque a entidade recebeu verba do ICB.

Também foram incluídos Ana Patrícia Aguiar dos Santos, dona da Cometa Livraria; Francelino Aparecido Barreto Pereira, dono da Garden Comércio de Artigos; e Luiza Tessari Rocha Dias, sócia-administradora das empresas 2N Construtora e Incorporadora e Corredor Park 1 SPE.

Lista reúne assessores, advogados e empresários

Fábio Lago Meirelles, advogado de Mario Frias e proprietário de escritório contratado pelo ICB, é um dos alvos. Diego Aguilera Martinez, sócio fundador da Aguilera Martinez Sociedade de Advocacia, também integra a relação por pagamentos que, segundo a acusação, teriam sido recebidos da ONG de Karina Gama.

A lista divulgada inclui ainda Catia Regina Peinado, sócia da Figueiredo Contabilidade; Kayo Henrique Azevedo, advogado e presidente municipal do PL em Pirassununga; e Rudyge Alex Scatolini Boldrini, dono de empresa de ensino de arte e cultura registrada no município.

Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama, também foi alvo. Ele e Karina prestaram serviços à campanha de Frias para deputado em 2022; Wemerson preside o Instituto Brasileiro de Educação e Desenvolvimento em Inovação Sustentável (Ibedis) e já ocupou a vice-presidência do ICB.

Completam os nomes informados Marcello Machado, vice-presidente da Academia Nacional de Cultura; Vanderlei Magalhães Natividade; Bruno Cassimiro da Silva; Luiz Claudio Faria Velloso, secretário parlamentar do gabinete de Frias; e André Velloso Belleza Cortes, também secretário parlamentar do deputado.

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