Operação Make Up mira emendas para filme sobre Bolsonaro e apreende armas

PF cumpriu 49 mandados em quatro unidades da Federação; deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama estão entre os alvos.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
A Operação Make Up apura suspeitas sobre recursos públicos de emendas parlamentares ligados ao filme Dark Horse.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Polícia Federal cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na quinta-feira (10), na Operação Make Up, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares. Parte dos repasses sob investigação envolve o filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor das emendas investigadas e roteirista do longa, está entre os alvos. Karina Gama, da Go Up Entertainment, produtora da obra, também recebeu mandado. A ação ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

PF executa mandados em quatro locais

A operação teve autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a PF, a investigação trata de valores de emendas parlamentares repassados a uma organização da sociedade civil por meio de termo de fomento.

Além da Polícia Federal, a Controladoria-Geral da União (CGU) contribuiu com os trabalhos da operação. A CGU realizou auditoria que apontou suspeitas sobre as emendas de Frias.

Os mandados foram cumpridos simultaneamente em quatro unidades da Federação. A PF informou que a apuração inclui agentes públicos e privados suspeitos de participação no esquema investigado.

Emendas ligam apuração ao filme

Mario Frias é alvo da operação por ser o autor das emendas parlamentares sob investigação. Ele também assina o roteiro de Dark Horse, produção que aborda a trajetória de Bolsonaro.

Karina Gama é ligada à Go Up Entertainment, apontada como produtora do longa. A PF cumpriu mandado contra ela durante a operação.

De acordo com a corporação, os investigadores apuram se os recursos recebidos foram direcionados de forma irregular a empresas subcontratadas. A suspeita inclui a falta de comprovação da prestação efetiva dos serviços contratados.

Armas ampliam investigação contra Frias

A Polícia Federal divulgou uma imagem de sete armas apreendidas durante a Operação Make Up. Os armamentos estavam registrados em nome de Mario Frias.

Agentes localizaram as armas em endereço diferente daquele em que deveriam permanecer. Por isso, a PF também investigará possível posse ilegal de arma de fogo.

A apreensão ocorreu no curso das diligências autorizadas pelo STF. Paralelamente, o inquérito prossegue sobre os repasses de emendas e a movimentação financeira das empresas analisadas.

PF apura desvios e ocultação de valores

Segundo nota da PF, as investigações apontam para uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. O grupo é suspeito de encaminhar recursos a empresas subcontratadas de maneira irregular.

A corporação afirmou que os serviços contratados não teriam comprovação de execução. Ainda conforme a PF, tentativas de dissimular os supostos desvios teriam continuado até julho deste ano.

Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema sob apuração, de acordo com a Polícia Federal. Em tese, a investigação envolve peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Inquéritos alcançam produtora em São Paulo

Além do inquérito relatado por Flávio Dino, há outra investigação no STF sob relatoria do ministro André Mendonça. Em agosto, Dino autorizou a PF a acessar provas reunidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil deflagrou uma operação em junho em endereços ligados à produtora e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo. O inquérito estadual apura possíveis irregularidades e desvios em contrato municipal, além da eventual destinação dos recursos à equipe do longa-metragem.

A suspeita envolve um contrato de R$ 108 milhões entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. O acordo previa wi-fi gratuito em comunidades carentes. Karina negou irregularidades na investigação estadual e afirmou à coluna Mônica Bergamo que os recursos foram aplicados corretamente.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *