A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, dona da produtora responsável pelo filme Dark Horse, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a ação, conduzida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Os mandados são cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Frias negou ao STF ter usado emendas parlamentares para financiar o filme.
Operação Make Up apura desvios
Segundo a Polícia Federal, a apuração trata de uma suposta organização criminosa que reuniria agentes públicos e privados. A corporação investiga a destinação de valores recebidos por meio de emendas parlamentares.
De acordo com a PF, os recursos teriam sido direcionados de forma irregular a empresas subcontratadas. A suspeita inclui a ausência de comprovação da efetiva execução dos serviços previstos nos contratos.
Os investigadores informaram ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que integram o esquema sob apuração. A operação abrange suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
Mario Frias nega verba para Dark Horse
Em manifestação enviada a Flávio Dino, Frias afirmou que as emendas sob questionamento tiveram finalidade social. Além disso, pediu o arquivamento de uma petição apresentada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
A defesa do parlamentar sustentou que os repasses não eram emendas Pix. Segundo esse argumento, tratava-se de transferências com finalidade definida, previstas na Constituição e registradas no sistema Transferegov com objeto específico.
O financiamento de Dark Horse já havia sido tema de reportagem do Intercept em maio. O site divulgou um áudio enviado por Frias ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no qual o deputado agradece o apoio financeiro ao projeto.
Deputado atuou no governo Bolsonaro
Antes de entrar na política, Mario Frias ganhou projeção como ator de televisão entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000. Ele participou de novelas como Malhação, Floribella, O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino e Os Mutantes.
Em 2020, o então presidente Jair Bolsonaro o nomeou secretário especial da Cultura. Frias assumiu o posto depois da saída da atriz Regina Duarte, sem experiência anterior em gestão cultural, conforme o material divulgado sobre a operação.
Bolsonaro exonerou Frias da secretaria em 2022. Naquele mesmo ano, ele disputou pela primeira vez uma vaga de deputado federal por São Paulo e foi eleito.
Gestão na Cultura enfrentou controvérsias
A passagem de Frias pela Secretaria Especial da Cultura incluiu uma regra sobre linguagem neutra em projetos vinculados à Lei Rouanet. Em 2021, uma portaria do Ministério do Turismo proibiu o uso e a apologia dessa forma de linguagem nos projetos de incentivo cultural.
A norma chegou a vigorar, mas a Justiça a vedou em abril de 2022. O episódio ocorreu durante a gestão de Frias na área cultural do governo federal.
Outro fato daquele período foi o incêndio na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Nove dias antes do fogo, o Ministério Público Federal havia alertado o governo federal sobre o risco de incêndio na instituição.


