Brasil e Emirados Árabes ampliam parceria militar em ciberdefesa e mísseis

Grupo Edge expande investimentos em empresas brasileiras e firma projetos com Exército e Marinha, de acordo com informações divulgadas pela companhia.

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Redação
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Cooperação entre Brasil e Emirados Árabes Unidos reúne projetos de ciberdefesa, mísseis e vigilância marítima.Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A parceria militar entre Brasil e Emirados Árabes Unidos avança em frentes que incluem defesa cibernética, mísseis antinavio, vigilância marítima e expansão industrial. O Edge Group, conglomerado de tecnologia e defesa sediado em Abu Dhabi, concluiu a compra da brasileira Akaer e firmou iniciativas com o Exército e a Marinha.

O movimento reúne participações em empresas brasileiras, instalações industriais e cooperação com as Forças Armadas. Segundo Rodrigo Torres, diretor financeiro do Edge Group, a estratégia busca manter no país atividades de produção, engenharia e propriedade intelectual, além de conectar essas capacidades a projetos internacionais.

Parceria militar avança na ciberdefesa

O Edge e o Comando de Defesa Cibernética do Exército (ComDCiber) planejam criar um centro de excelência em defesa cibernética. Cada lado responderá por metade da estrutura prevista para a instituição.

De acordo com Torres, o centro seguirá padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e usará tecnologia já empregada nos Estados Unidos e na Europa. A iniciativa prevê uma instituição permanente que reúna governo, indústria e academia.

O espaço deverá atender as três Forças Armadas e instituições federais. Entre as áreas previstas estão resposta a incidentes cibernéticos, perícia digital, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, exercícios militares e criação de soluções próprias.

Marinha amplia cooperação de vigilância

A Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM) e o Edge assinaram em agosto um memorando de entendimento para estudar capacidades de monitoramento, vigilância e reconhecimento do espaço marítimo brasileiro.

O acordo estabelece intercâmbio de conhecimento entre as partes. Além disso, prevê a definição de requisitos técnicos e logísticos, treinamento e a avaliação de iniciativas futuras.

A relação do grupo com a Marinha já incluía o programa do MANSUP, míssil antinavio desenvolvido no Brasil. A SIATT participa desse projeto e passou a integrar a estratégia internacional do grupo emirati depois do investimento do Edge na companhia.

MANSUP equipa fragatas Tamandaré

Em fevereiro de 2025, a Marinha acertou o fornecimento de mísseis MANSUP para as fragatas da classe Tamandaré. O sistema foi desenvolvido para atender demandas brasileiras, dos Emirados Árabes Unidos e do mercado externo.

Segundo Torres, a estrutura do programa preserva interesses estratégicos do Brasil. A Marinha detém a propriedade intelectual do MANSUP e poderá receber royalties se houver exportações do míssil.

O Edge passou a deter 50% da SIATT em 2023. A empresa brasileira atua no desenvolvimento de mísseis e sistemas de alta tecnologia, em uma área central para a cooperação industrial entre os dois países.

SIATT expande fábrica em São Paulo

Em agosto, a SIATT colocou em operação a primeira fase de uma nova unidade em Caçapava, no interior de São Paulo. A fábrica é voltada ao desenvolvimento, à fabricação, à integração e aos testes de mísseis, foguetes guiados e sistemas de propulsão.

A empresa também anunciou, com a Safran Electronics & Defense, um acordo para avaliar a produção brasileira de motores-foguete de propelente sólido. A cooperação inclui ainda sistemas de mísseis, munições vagantes e defesa costeira.

Torres atribuiu ao capital dos Emirados a ampliação das capacidades já existentes nas empresas brasileiras. Ele afirmou que a SIATT tinha cerca de 40 trabalhadores quando o Edge realizou a aquisição e que a previsão é chegar a 500 pessoas.

Edge conclui compra da Akaer

A conclusão da aquisição da Akaer representa o movimento mais recente do grupo no Brasil. Sediada em São José dos Campos, a empresa de engenharia aeroespacial acumula mais de 10 milhões de horas de engenharia em programas do setor.

A Akaer já trabalhava com o Edge no desenvolvimento e na industrialização de sistemas não tripulados. A operação também foi estruturada para atender às regras brasileiras aplicáveis à indústria de defesa.

Uma participação minoritária da Akaer ficará com a SIATT para preservar o enquadramento da companhia como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Antes da compra da Akaer, o Edge havia adquirido 51% da Condor, fabricante brasileira de tecnologias não letais, em 2024.

Akaer mantém projeto do Exército

Com a aquisição, o Edge passa a controlar uma empresa envolvida no programa de modernização das viaturas blindadas EE-9 Cascavel, do Exército. A Akaer lidera o consórcio Força Terrestre, contratado para executar essa atualização.

O projeto começou com um lote-piloto e, segundo Torres, seguirá entre as prioridades da companhia. Dessa forma, a expansão empresarial do grupo também se conecta a programas conduzidos pelas Forças Armadas brasileiras.

O Edge apresenta o Brasil como cliente, parceiro tecnológico e base industrial para projetos externos. O MANSUP já é oferecido para exportação, enquanto as novas instalações da SIATT foram planejadas também para atender contratos internacionais.

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