Ataques a petroleiros elevaram a tensão militar entre Estados Unidos e Irã no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Pelo menos sete embarcações foram atingidas desde a noite de terça-feira (8), segundo informações divulgadas por autoridades americanas, iraquianas e empresas ligadas aos navios.
A sucessão de incidentes ocorre enquanto Washington amplia a pressão sobre Teerã, com escoltas a navios comerciais no Estreito de Ormuz e bloqueio naval a portos iranianos. Ao mesmo tempo, o Irã anunciou que pretende expandir sua zona de restrição marítima na região.
Ataques a petroleiros se concentram no Golfo
Na noite de terça-feira, os Estados Unidos atacaram cinco petroleiros iranianos e afundaram um deles, depois de o Irã lançar mísseis balísticos contra um navio de guerra americano. O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) informou que quatro navios-tanque de petróleo bruto foram atingidos no Golfo de Omã.
Segundo o comando, outra embarcação sofreu ataque perto da Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico. A ilha abriga um importante centro de exportação de petróleo iraniano, o que adiciona peso econômico aos episódios militares.
O Exército americano divulgou nas redes sociais um vídeo que mostra o M/T Riesco em chamas e afundando no Golfo de Omã. De acordo com o CENTCOM, as forças dos Estados Unidos ordenaram que as tripulações deixassem os navios antes dos ataques.
Drones atingem navios perto de Dubai e do Iraque
Na quarta-feira (9), dois outros petroleiros foram atingidos por drones no Golfo. Um estava ancorado na costa de Dubai, enquanto o outro navegava em águas territoriais iraquianas.
Um tripulante morreu em um incidente com o Hercules Star, petroleiro de derivados de petróleo de bandeira de Gibraltar. A Peninsula, empresa responsável pelo fretamento da embarcação, confirmou a morte, mas não informou a causa.
Antes disso, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) havia relatado que uma embarcação na mesma área apresentava inclinação, sinal de que poderia estar entrando água após ser atingida por um projétil de origem desconhecida.
No Iraque, o Ministério dos Transportes informou que um petroleiro de bandeira panamenha teve o casco danificado por uma fonte não identificada. Não houve mortos nem feridos entre os tripulantes. Até o momento relatado, ninguém havia reivindicado os dois ataques com drones.
Confronto alcança também a Jordânia
O Irã respondeu aos ataques americanos com uma série de mísseis contra a Jordânia, aliada regional dos Estados Unidos. Teerã afirmou que buscava atingir a Base Aérea Muwaffaq Salti, instalação usada pelas forças americanas.
Um funcionário americano afirmou que os sistemas integrados de defesa aérea e antimísseis impediram que o ataque tivesse efeito. Por sua vez, o Exército jordaniano declarou ter interceptado 20 mísseis balísticos.
Para cada vez que fizer isso ou tentar fazer isso, eles perderão petroleiros”
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos
Segundo os militares jordanianos, 18 projéteis foram destruídos, e outros dois caíram em áreas desabitadas. O episódio amplia o alcance regional da disputa, que já envolvia embarcações militares e comerciais nas águas próximas ao Irã.
O CENTCOM disse que as ações contra os petroleiros responderam a tentativas iranianas de atingir um navio da Marinha americana nos dois dias anteriores. O navio teria escapado dos mísseis e seguido em patrulha, sem militares dos Estados Unidos feridos, conforme o comando.
Estados Unidos mantêm pressão sobre portos iranianos
Além das operações militares, os Estados Unidos concentram a estratégia em aumentar a pressão econômica sobre o governo iraniano. A atuação inclui escolta a embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Ormuz e bloqueio naval aos portos do Irã.
No fim de semana, forças americanas já haviam atingido três navios-tanque iranianos. Segundo a versão apresentada pelos Estados Unidos, a operação ocorreu após uma tentativa iraniana de atacar um porta-aviões e um destróier americano equipado com mísseis guiados.
Durante viagem à Colômbia, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que Washington reagirá a ataques iranianos contra navios militares americanos. A declaração vinculou as tentativas de atingir a Marinha dos EUA à perda de petroleiros iranianos.
Irã amplia restrição marítima na região
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã havia alertado tripulações de petroleiros próximos a portos do Kuwait e do Bahrein para que deixassem as embarcações. A corporação relacionou os dois países às ações dos Estados Unidos na região.
Além disso, Teerã anunciou a ampliação de sua zona de restrição marítima. O porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hossein Mohebbi, disse que a área começará aproximadamente na direção de Chabahar, cidade portuária iraniana no Golfo de Omã.
A nova faixa também incluirá uma parte do Mar Arábico ao longo da rota até o Estreito de Ormuz, segundo Mohebbi. As coordenadas precisas seriam divulgadas posteriormente.
Hamidreza Azizi, analista sênior sobre o Irã no International Crisis Group, avaliou que as repetidas tentativas iranianas de atingir navios americanos e o aumento da qualidade e da quantidade dos mísseis apontam para uma escalada gradual. Enquanto isso, o petróleo Brent chegou a avançar 2,3% e superou brevemente US$ 100 por barril, antes de recuar.
Mercado reage ao risco sobre o petróleo
Os ataques ocorrem em uma das principais áreas de circulação e exportação de petróleo do mundo. Por isso, a ofensiva contra navios e a perspectiva de novas restrições no mar tiveram efeito imediato sobre as cotações internacionais.
O Brent, referência global, ultrapassou brevemente US$ 100 por barril pela primeira vez desde julho. A alta refletiu a preocupação com a segurança das rotas marítimas na região.
Nos Estados Unidos, o preço da gasolina subiu na terça-feira para uma máxima em três meses, acima de US$ 4,15 por galão. O avanço dos combustíveis reforça o impacto econômico da escalada sobre consumidores, além das consequências militares no Golfo.


