Volkswagen prevê conversão de fábrica alemã para setor de defesa

Acordo preliminar para a unidade de Osnabrück envolve a Aurelius Capital e o estado da Baixa Saxônia; produção de veículos deve terminar em 2027.

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Redação
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A fábrica da Volkswagen em Osnabrück é alvo de acordo preliminar para mudança de gestão e possível conversão ao setor de defesa.REUTERS
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A Volkswagen fechou na segunda-feira (7) um acordo preliminar para vender sua fábrica de Osnabrück, na Alemanha, e estudar a conversão da unidade para a produção de equipamentos de defesa. A iniciativa ocorre durante a reestruturação da montadora, que busca reduzir capacidade excedente e recuperar margens no mercado europeu.

Segundo os termos iniciais divulgados, a Aurelius Capital e o estado da Baixa Saxônia devem assumir a fábrica. A Volkswagen prevê encerrar a produção de veículos no local em 2027, enquanto as partes avaliam projetos industriais ligados à defesa.

Acordo prevê nova gestão

A Volkswagen informou que o entendimento ainda é preliminar. A Aurelius Capital e a Baixa Saxônia, estado que abriga a sede da montadora e é seu segundo maior acionista, assinaram uma declaração de intenções para assumir a unidade.

A operação, portanto, não representa uma transferência concluída. O texto divulgado descreve uma etapa inicial, na qual os envolvidos desenham a mudança de controle e os possíveis usos futuros da fábrica.

Osnabruck é uma das instalações cujo destino ganha relevância na reorganização da companhia. A montadora enfrenta, segundo o material divulgado, demanda fraca, custos elevados e concorrência crescente de fabricantes chineses com custos menores.

Produção de carros termina em 2027

A produção de veículos em Osnabrück deve ser encerrada em 2027, de acordo com a declaração de intenções. Até lá, a definição dos novos projetos será decisiva para a continuidade da atividade industrial na área.

A Volkswagen apresentou a conversão para defesa como uma alternativa para uma fábrica automotiva com futuro incerto. Ao mesmo tempo, a medida busca responder ao excesso crônico de capacidade no mercado europeu de veículos.

O caso pode servir de referência para outras unidades da empresa. A Volkswagen alertou que até quatro fábricas na Alemanha podem enfrentar fechamento ou conversão se não encontrarem novos usos.

Defesa pode ancorar a unidade

O projeto inicial previsto para Osnabrück é uma cooperação com a israelense Rafael Advanced Defense Systems. A empresa é apresentada como parceira dos sistemas israelenses de defesa aérea e antimísseis Iron Dome, Arrow e David’s Sling.

Segundo a Volkswagen, os planos abrangem a possível fabricação de sistemas e componentes destinados à defesa aérea da Alemanha e da Europa. A empresa também afirmou que essa cooperação poderá abrir caminho para acordos semelhantes.

Não há, no material disponível, indicação de volumes de produção, prazos para a fabricação ou contratos definitivos para esses sistemas. Por isso, o projeto deve ser tratado como uma possibilidade em desenvolvimento, e não como produção já contratada.

Empregos podem ser preservados

Autoridades trabalhistas estimam que a operação poderia preservar cerca de 1.400 dos 1.800 empregos da fábrica. A estimativa está vinculada aos termos iniciais do acordo e aos projetos que ainda precisam avançar.

Assim, a possível manutenção de postos de trabalho depende da transição da unidade e da implantação de novas atividades. O material não detalha como seriam distribuídas as vagas preservadas nem quais funções seriam necessárias.

A perspectiva de empregos é um dos pontos centrais da negociação. A troca da produção de veículos por atividades de defesa procura criar uma alternativa para parte da força de trabalho diante do fim planejado da produção automotiva.

Outros projetos seguem em avaliação

Uma pessoa a par do assunto afirmou que outros projetos poderiam incluir a conversão de picapes VW Amarok em veículos militares. A informação foi relatada como possibilidade, sem confirmação pública dos envolvidos.

A mesma fonte disse que o grupo polonês de defesa WB Group poderia realizar operação parecida com veículos da MAN. A MAN pertence à Traton, empresa controlada pela Volkswagen.

A Baixa Saxônia e o WB Group recusaram comentar esses planos. Dessa forma, as eventuais conversões de Amarok e de veículos MAN permanecem no campo das discussões relatadas, separadas da cooperação anunciada com a Rafael.

Reestruturação busca reduzir capacidade

O acordo em Osnabrück foi divulgado dias depois de a Volkswagen apresentar uma ampla reformulação para cortar empregos e simplificar sua estrutura. A companhia tenta elevar a rentabilidade em um mercado europeu descrito como estagnado.

O aumento dos gastos europeus com defesa abre uma possível saída para instalações automotivas subutilizadas. A conversão de capacidade industrial, contudo, depende de novos projetos e de acordos entre empresas, governos e potenciais clientes.

Outras companhias já buscam caminhos semelhantes. O material cita Rheinmetall e Continental entre as empresas que avaliam iniciativas ligadas ao aproveitamento de estruturas industriais para o setor de defesa.

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