Os Estados Unidos pretendem pedir ao Congresso US$ 45 milhões em recursos adicionais para segurança no Equador, disse o secretário de Estado Marco Rubio em 9 de setembro de 2026, durante visita a Quito. Segundo ele, a verba deve apoiar o combate ao tráfico de drogas, acompanhado do envio de equipamentos ao país.
Rubio se reuniu com o presidente equatoriano, Daniel Noboa, cuja gestão assumiu em 2023 com a promessa de enfrentar a violência ligada ao avanço do Equador como rota de passagem de drogas. A agenda dos EUA prevê cooperação com o governo equatoriano em operações contra organizações criminosas e embarcações suspeitas de transportar entorpecentes.
EUA pedem recursos para segurança
O pedido de US$ 45 milhões será encaminhado pela administração de Donald Trump ao Congresso americano, de acordo com Rubio. O montante financiará novos compromissos dos Estados Unidos com o Equador na área de segurança.
Além disso, Rubio citou uma iniciativa de US$ 10 milhões voltada ao enfrentamento da mineração ilegal de ouro, do recrutamento por gangues e de fluxos financeiros ilícitos. O secretário não detalhou a divisão dos valores nem o cronograma de liberação.
Durante a visita, ele afirmou que Washington vem ampliando o trabalho com a administração de Noboa. A cooperação inclui ações conjuntas contra embarcações que os governos consideram ligadas ao contrabando de drogas.
Rubio classifica Los Tiguerones
Também em 9 de setembro, Rubio classificou a gangue equatoriana Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. A medida segue designações feitas no ano anterior contra outras duas gangues do Equador.
Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o grupo tem ligação com o narcotráfico e outras atividades ilícitas. Entre os episódios associados à gangue pelo órgão está a invasão, transmitida ao vivo, de uma emissora de televisão equatoriana em 2024.
Rubio afirmou que as organizações criminosas atuam além de crimes convencionais e têm capacidades terroristas na região. O secretário disse que os Estados Unidos estão comprometidos com o desmantelamento desses grupos.
Washington anuncia barcos e sanções
Os Estados Unidos devem fornecer à Marinha equatoriana um navio de patrulha da Guarda Costeira de aproximadamente 33 metros e cinco embarcações interceptadoras. Os equipamentos serão destinados ao combate ao tráfico marítimo de drogas.
As cinco lanchas se somam a sete embarcações que, segundo Rubio, foram entregues ao Equador neste ano. A iniciativa amplia o apoio material americano às operações no litoral do país.
Ao mesmo tempo, Rubio declarou que Washington aplicará sanções contra sete ex-autoridades equatorianas acusadas de suborno. Ele não identificou os nomes durante a declaração mencionada no material.
Operações marítimas provocam críticas
Em conversa com jornalistas em Quito, Rubio reconheceu que a campanha dos EUA contra embarcações suspeitas de tráfico passou a incluir ações conjuntas com o Equador. Segundo ele, os governos avaliam os alvos individualmente e contam com cooperação equatoriana nas decisões.
Na semana anterior à visita de Rubio, o ministro da Defesa do Equador defendeu operações em que embarcações equatorianas foram interceptadas e afundadas. De acordo com o ministro, as ações resultaram de investigações conjuntas para desarticular o tráfico de drogas.
Esses afundamentos integram, segundo o material, a Operação Southern Spear, campanha militar mais ampla dos Estados Unidos. A operação destruiu cerca de 70 embarcações e matou mais de 220 pessoas no último ano, gerando críticas de organizações de direitos humanos e de alguns líderes latino-americanos, que classificaram os ataques como execuções extrajudiciais.
Embora o governo americano tenha assumido responsabilidade por dezenas de ofensivas nessa campanha, não reivindicou autoria de outros três incidentes ocorridos neste ano com barcos de pesca da província de Manabí. Tripulantes de duas embarcações foram repatriados via El Salvador, enquanto um barco desapareceu, conforme os relatos citados no material.
Viagem reforça presença regional
A visita ao Equador faz parte de uma agenda de Rubio por três países latino-americanos cujos líderes são descritos como alinhados a Trump. Antes de Quito, o secretário esteve na Colômbia e prometeu ampliar a cooperação em segurança com o novo presidente do país, Abelardo De La Aspriella.
O governo Trump apresenta os novos compromissos na América Latina como uma reformulação da Doutrina Monroe, formulação do século XIX que defendia a primazia dos Estados Unidos nas Américas. Por outro lado, críticos relacionam essa tradição a décadas de intervenções americanas na região.
No Equador, a parceria combina financiamento, fornecimento de equipamentos, sanções e operações marítimas. Assim, o anúncio de Rubio insere a política de segurança de Noboa em uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para a região.


