O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Além disso, restabeleceu as atividades da Diretoria de Inteligência da PF, que haviam sido suspensas por decisão do ministro André Mendonça.
Ao justificar a medida, Dino afirmou que a interrupção dos relatórios de inteligência poderia comprometer centenas de investigações. O ministro citou o assassinato da vereadora Marielle Franco, casos de negociação de decisões judiciais, uso ilegal de precatórios e participação de agentes públicos em organizações criminosas.
Dino restabelece inteligência da PF
A decisão de Dino reverteu o afastamento de Rodrigues e Almada, determinado anteriormente por Mendonça. Com isso, os dois voltam às funções de diretor-geral da PF e diretor de Inteligência Policial, respectivamente.
O ministro também mandou retomar a produção de relatórios pela área de inteligência da corporação. Segundo Dino, esse trabalho fornece suporte a investigações em curso, inclusive a diligências ligadas a processos sob sua relatoria.
Na avaliação apresentada pelo ministro, a suspensão adotada por Mendonça teria efeito sobre um volume amplo de apurações. Dino associou a atuação da inteligência policial ao esclarecimento de crimes e esquemas complexos.
Decisão cita investigações relevantes
Entre os exemplos citados por Dino está a apuração dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O ministro também mencionou investigações sobre compra e venda de decisões judiciais.
Outro ponto destacado foi o uso ilegal de precatórios no mercado financeiro. Dino incluiu ainda casos que envolvem magistrados e policiais em organizações criminosas.
Ao reunir esses exemplos, o ministro sustentou que a inteligência policial teve papel no avanço de investigações de naturezas distintas. Por isso, vinculou a retomada das atividades da diretoria à continuidade desses trabalhos.
Almada atuou no caso Marielle
Leandro Almada participou de duas fases das investigações sobre os assassinatos de Marielle e Anderson Gomes. Antes da federalização do caso, ele atuou na apuração que concluiu ter havido obstrução das investigações.
Essa etapa também apontou a existência de uma organização criminosa que agia para dificultar o esclarecimento dos crimes. Posteriormente, Almada comandou a superintendência da PF no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024.
Nesse período, ele e sua equipe participaram das negociações que levaram às colaborações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, condenados como executores dos assassinatos. As delações contribuíram para o avanço da investigação sobre os supostos mandantes.
Em março de 2024, a PF prendeu os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o então chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa. A investigação os apontou como envolvidos no crime.
Trajetória reúne PF e segurança pública
Natural do Rio de Janeiro, Almada formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele é delegado da Polícia Federal desde 2008.
Antes de chefiar a Diretoria de Inteligência Policial, em 2024, comandou as superintendências regionais da PF no Amazonas, na Bahia e no Rio de Janeiro. Na corporação, também trabalhou em áreas de combate ao crime organizado.
Em 2020, Almada dirigiu por cerca de dois meses a Diretoria de Operações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, entre julho e setembro. Naquele momento, André Mendonça comandava a pasta no governo de Jair Bolsonaro.
Sua carreira na segurança pública começou no Exército, onde atuou como oficial temporário da Arma de Infantaria entre 1990 e 1994. Depois, trabalhou por dez anos como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais e foi corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas.


