O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial da Polícia Federal (PF). A medida também atingiu o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e produz efeitos imediatos.
A decisão, tomada no dia 8, relaciona os afastamentos a relatórios internos da PF que analisaram a atuação de Mendonça e de outras autoridades em apurações sobre fraudes no INSS e o Banco Master. Segundo o ministro, ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram submetidos a monitoramento sistemático.
Decisão afasta cúpula da PF
Leandro Almada ocupava a Diretoria de Inteligência Policial desde 2024. O setor integra a estrutura de cúpula da Polícia Federal, assim como a direção-geral, comandada por Andrei Rodrigues antes da cautelar.
Mendonça ordenou o afastamento preventivo dos dois dirigentes ao analisar a produção dos documentos internos. Na decisão, o ministro apontou indícios de grave omissão e de participação ou conhecimento, por ocupantes dos cargos mais elevados ligados à inteligência, sobre a elaboração dos relatórios.
Além disso, o ministro determinou que a Corregedoria da Polícia Federal abra uma investigação para apurar as circunstâncias em que os documentos foram produzidos. A apuração corre no âmbito da própria corporação.
Relatórios motivam medida cautelar
Os relatórios que embasaram a decisão tratavam da atuação de Mendonça e de outras autoridades em investigações relacionadas às fraudes no INSS e ao Banco Master. A decisão descreve o acompanhamento como monitoramento sistemático.
Segundo Mendonça, o monitoramento alcançou também Jorge Messias, advogado-geral da União. O ministro afirmou, em sua decisão, que a situação revelava gravidade por envolver um integrante da Suprema Corte.
O afastamento tem caráter preventivo. Portanto, a medida não encerra a investigação determinada à Corregedoria da PF sobre os documentos e as circunstâncias de sua elaboração.
Turma mantém afastamentos em vigor
A decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF ainda no dia 8. O colegiado formou maioria para referendar os afastamentos, com votos do relator, de Luiz Fux e de Nunes Marques.
Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”
André Mendonça, ministro do STF
No entanto, o ministro Gilmar Mendes pediu vista, o que interrompeu a conclusão do julgamento. O pedido adia o desfecho da análise pelo colegiado.
A interrupção não derruba a cautelar. Dessa forma, Andrei Rodrigues e Leandro Almada continuam afastados de seus postos enquanto a Segunda Turma não conclui o julgamento.
Almada acumulou passagens regionais
Natural do Rio de Janeiro, Leandro Almada é formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele ingressou na Polícia Federal como delegado em 2008.
Antes de assumir a Diretoria de Inteligência Policial, Almada comandou as superintendências regionais da PF no Amazonas, na Bahia e no Rio de Janeiro. Na corporação, também atuou em áreas voltadas ao combate ao crime organizado.
Sua trajetória na segurança pública começou antes da PF. Almada foi oficial temporário da Arma de Infantaria do Exército entre 1990 e 1994 e, depois, trabalhou por dez anos como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais.
Ele também foi corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas. Em 2020, ocupou por cerca de dois meses, entre julho e setembro, a Diretoria de Operações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, então chefiado por André Mendonça no governo Jair Bolsonaro.
Atuação inclui caso Marielle Franco
Almada participou de duas etapas das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Antes da federalização do caso, ele atuou na apuração que concluiu pela ocorrência de obstrução das investigações.
Essa apuração apontou a existência de uma organização criminosa que agia para dificultar o esclarecimento dos crimes. Posteriormente, Almada voltou a atuar no caso como superintendente da PF no Rio de Janeiro, função que exerceu entre 2023 e 2024.
Nesse período, sua equipe participou das negociações que resultaram nas delações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, condenados como executores dos assassinatos. As colaborações contribuíram para o avanço da investigação sobre os supostos mandantes.
Em março de 2024, a PF prendeu os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o então chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa. A investigação os apontou como envolvidos no crime.


