O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Augusto Passos Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal, segundo reportagens de UOL, Metrópoles e R7. A medida foi relacionada pelas publicações às investigações da Operação Compliance Zero, associada ao caso Master.
De acordo com o UOL, o despacho também alcançou o delegado Leandro Almada, que ocupava a Diretoria de Inteligência Policial da PF. O afastamento ocorre em um período de divergências públicas e institucionais envolvendo o gabinete de Mendonça e a cúpula da corporação.
Decisão afasta cúpula da Polícia Federal
Andrei Rodrigues estava à frente da Polícia Federal desde janeiro de 2023. Registros públicos da corporação encaminhados ao Senado em setembro de 2025 o identificavam como diretor-geral.
A direção-geral é o posto máximo da Polícia Federal. Além de Andrei, a decisão noticiada nesta terça-feira atingiu Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial, conforme informou o UOL.
As reportagens apresentaram a medida como preventiva. O alcance administrativo do afastamento, incluindo uma eventual substituição na chefia da PF, não foi detalhado nas informações publicadas sobre a decisão.
Operação Compliance Zero concentra apurações
A Operação Compliance Zero reúne apurações ligadas ao Banco Master e a suspeitas de violação de sigilo funcional, entre outros fatos. Em maio, o STF informou que autorizou diligências para investigar uma possível violação de sigilo funcional atribuída a um policial federal.
Na mesma nota, o Supremo indicou André Mendonça como relator das medidas relacionadas à operação. Dessa forma, a decisão desta terça-feira se insere em procedimentos que já estavam sob a condução do ministro.
O caso Master foi apontado pelo Metrópoles como o contexto imediato da ordem de afastamento. A relação entre a medida e as diferentes frentes investigativas vinculadas à operação não foi especificada nas reportagens.
Embate antecede afastamento preventivo
Nas semanas anteriores, reportagens registraram tensão entre o gabinete de Mendonça e a direção da Polícia Federal. Entre os pontos relatados estavam restrições ao acesso de Andrei Rodrigues a informações de investigações submetidas à relatoria do ministro.
Também em setembro, o Partido Novo apresentou ao STF pedidos de prisão preventiva e de afastamento cautelar de Andrei Rodrigues no âmbito da Operação Compliance Zero. Tratava-se de uma iniciativa da legenda, sem decisão judicial naquele momento.
Um relatório interno da PF citado em decisão do ministro Alexandre de Moraes mencionou a possibilidade de Mendonça afastar Andrei. Segundo as reportagens sobre o documento, porém, essa referência se baseava em informações de baixa confiabilidade ou em relatos sem pleno esclarecimento.
Cargo depende de nomeação presidencial
A controvérsia também alcança a relação entre decisões judiciais e a administração da Polícia Federal. O cargo de diretor-geral da corporação é de nomeação do presidente da República.
Um relatório da PF reproduzido pelo Poder360 classificou um eventual afastamento judicial sem fundamento como intervenção excepcional sobre a chefia de um órgão federal. A discussão ganhou relevância com a decisão atribuída a Mendonça.
Por outro lado, a determinação noticiada se deu no âmbito de uma investigação sob relatoria no STF. A medida preventiva afeta diretamente os dois postos ocupados por Andrei Rodrigues e Leandro Almada na estrutura da Polícia Federal.


