Gilmar propõe barrar delegados da PF em gabinetes do STF

Medida contraria decisão do Ministério da Justiça, que manteve cinco policiais cedidos à Corte para auxiliar em inquéritos relatados por ministros

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Proposta de Gilmar Mendes abre divergência com decisão do Ministério da Justiça sobre delegados da PF cedidos ao STF.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A proposta formalizada pelo ministro Gilmar Mendes para proibir delegados da Polícia Federal em gabinetes do Supremo Tribunal Federal contraria o entendimento adotado pelo Ministério da Justiça sobre servidores cedidos. A pasta decidiu manter cinco delegados que atuam como assessores de ministros da Corte.

A decisão ocorreu após o Ministério da Justiça convocar, em julho, 52 servidores da PF cedidos a outros órgãos. Os policiais que trabalham no STF ficaram fora da medida porque a pasta considerou necessário preservar o apoio aos inquéritos relatados pelos ministros.

Gilmar propõe restringir a atuação

Gilmar Mendes apresentou uma proposta para impedir que delegados da Polícia Federal trabalhem nos gabinetes de ministros do STF. A iniciativa abriu uma divergência institucional com a posição adotada pelo Ministério da Justiça.

A medida envolve a forma como a Corte organiza o apoio técnico às investigações sob relatoria de seus ministros. Os delegados cedidos atuam como assessores nos gabinetes, segundo as informações disponíveis no material.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou apoio à proposta do ministro. A manifestação ocorreu nesta semana, em meio à crise entre o Supremo e a Polícia Federal.

Ministério da Justiça mantém cinco delegados

Em julho, o Ministério da Justiça convocou 52 servidores da Polícia Federal que estavam cedidos a outros órgãos. A decisão atingiu servidores ligados a instituições como o Superior Tribunal de Justiça, a Advocacia-Geral da União, a Defensoria Pública da União, o Coaf e a Justiça Federal.

No entanto, a pasta não incluiu os cinco delegados que trabalhavam no STF como assessores de ministros. O argumento adotado foi que esse apoio era necessário para os inquéritos relatados pelos magistrados.

Depois da reação de servidores e instituições, a maioria dos delegados convocados apresentou recurso e permaneceu nos órgãos onde atuava. O Ministério da Justiça criou um grupo de reavaliação para analisar a situação.

Recursos adiam retorno à Polícia Federal

A convocação dos servidores provocou pedidos para que alguns delegados continuassem cedidos. Entre os órgãos que recorreram estava o STJ, que solicitou a manutenção de sua equipe.

Assim, a decisão de devolver delegados à PF não produziu o mesmo efeito em todas as instituições. A permanência passou a depender da análise dos recursos e da avaliação administrativa do Ministério da Justiça.

O material não informa o resultado final de todos os pedidos. A pasta, porém, decidiu preservar os delegados lotados nos gabinetes do STF e indicou que avaliaria situações específicas.

Casos Master e INSS ampliam a tensão

A permanência dos delegados no STF ganhou atenção porque dois ministros relatam investigações consideradas sensíveis. André Mendonça é o relator do caso Master e das apurações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.

O gabinete de Mendonça conta com dois delegados da Polícia Federal. Por isso, surgiu o questionamento sobre como uma eventual devolução desses servidores poderia afetar o andamento das investigações.

Após ser pressionado sobre o tema, o ministro da Justiça decidiu não convocar os dois delegados de volta naquele momento. Segundo o material, ele afirmou a interlocutores que analisaria os casos individualmente.

Outros ministros também têm policiais

Além dos dois delegados que atuam com André Mendonça, há um policial no gabinete de Alexandre de Moraes e outro no gabinete de Luiz Fux.

A presença desses servidores mostra que a discussão não se limita a um único inquérito ou gabinete. A proposta de Gilmar Mendes alcançaria a estrutura de apoio formada por delegados cedidos à Corte.

Ao mesmo tempo, a decisão do Ministério da Justiça tratou a permanência desses profissionais como uma necessidade ligada aos inquéritos relatados pelos ministros. Essa diferença explica parte da divergência entre a proposta e a decisão administrativa.

Delegados criticam a proposta de Gilmar

Delegados da Polícia Federal passaram a criticar a iniciativa de Gilmar Mendes. Segundo o material, integrantes da categoria avaliam que o ataque aos delegados pode desviar a atenção da crise instalada entre o STF e a PF.

A reação ocorre depois da retirada do sigilo de parte do caso Master, que trouxe implicações contra o ministro Alexandre de Moraes. O material não detalha quais foram essas implicações.

A disputa, portanto, reúne três posições distintas: a proposta de restringir a presença de delegados no STF, a decisão do Ministério da Justiça de manter cinco servidores na Corte e o apoio manifestado pela direção-geral da PF à iniciativa do ministro.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *