Flávio Bolsonaro busca diálogo com o Supremo Tribunal Federal (STF) enquanto sua campanha e aliados ampliam as críticas ao ministro Alexandre de Moraes. A articulação ocorreu às vésperas de um ato convocado para 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
O movimento reúne duas frentes: de um lado, emissários do candidato do PL tentam sinalizar uma relação institucional com o tribunal; de outro, a mobilização política deve pressionar pela saída de Moraes e defender o ministro André Mendonça.
Marinho procura Gilmar Mendes
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha bolsonarista, reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes em 2 de setembro. O encontro durou cerca de 15 minutos e ocorreu no gabinete do decano do STF.
Segundo o relato, a conversa buscou transmitir que as críticas a Alexandre de Moraes e a pressão para que ele deixe o cargo não representam, na avaliação da campanha, um ataque ao Supremo como instituição.
Gilmar Mendes também teria sido procurado para colaborar em um eventual processo de transição, caso Flávio Bolsonaro vença a eleição presidencial. Na reunião, Marinho afirmou que o candidato manteria uma relação institucional e de harmonia entre os Poderes.
Campanha defende anistia
Flávio Bolsonaro tem afirmado que pretende construir, com o Congresso, uma anistia geral para os envolvidos no plano de golpe e nos atos de 8 de Janeiro. A proposta integra o discurso de sua candidatura pelo PL.
Como alternativa, caso não consiga aprovar a anistia, o senador promete conceder perdão presidencial ao pai, Jair Bolsonaro. De acordo com o material, o ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses.
Apesar desse posicionamento, aliados aconselham Flávio a enviar representantes ao STF. O objetivo seria abrir canais de comunicação e evitar uma repetição dos conflitos que marcaram a relação entre o tribunal e o governo de Jair Bolsonaro.
Ato amplia pressão sobre Moraes
A crise no STF tornou-se o principal tema do ato de campanha convocado por Flávio Bolsonaro para o feriado de 7 de Setembro. A manifestação está prevista para a Avenida Paulista.
Além de pressionar pela saída de Alexandre de Moraes, o evento deve fazer uma defesa pública de André Mendonça. O ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A campanha também pretende reforçar o argumento de que uma reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia alterar o equilíbrio da Corte. O raciocínio considera a possibilidade de Lula indicar ao menos quatro ministros.
Relatório abre disputa no Supremo
A tensão aumentou após André Mendonça, relator do caso Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento aponta supostas conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Após a divulgação, a oposição protocolou um novo pedido de impeachment contra Moraes e passou a pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautá-lo. O grupo também enviou um pedido de providências ao presidente do STF, Edson Fachin.
Em seguida, Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. Moraes alegou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça nos casos Master e INSS.
Fachin reorganiza apurações
Fachin determinou que o pedido de apuração contra Mendonça fosse retirado do inquérito das Fake News. Dessa forma, o tema deverá integrar o processo aberto pela Presidência do Supremo sobre o relatório da Polícia Federal.
Mendonça encaminhou o conteúdo à Presidência do STF e pediu análise em plenário. O caso envolve as supostas conversas citadas no relatório entre Moraes e Daniel Vorcaro.
Em evento no Palácio do Planalto, Fachin defendeu o encerramento do inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e a adoção de um código de ética para a Corte. Ao tratar das apurações, afirmou que os fatos estão sob análise institucional.
Lula já indicou dois ministros
No atual mandato, Lula indicou Cristiano Zanin, seu ex-advogado, e o ex-ministro da Justiça Flávio Dino para o STF. A campanha de Flávio Bolsonaro cita essas nomeações em seu discurso sobre a composição futura do tribunal.
O material também informa que Lula indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, mas que a indicação foi rejeitada pelo Senado. A menção integra o debate eleitoral sobre vagas e nomeações para a Corte.
Enquanto isso, a campanha tenta separar sua ofensiva contra Moraes da interlocução buscada com outros integrantes do Supremo. A estratégia será testada sob a pressão política esperada no ato de 7 de Setembro e durante o avanço das apurações internas no tribunal.


