O candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou no sábado (5) que o Banco Master teria surgido e se desenvolvido durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Em agenda de campanha, ele classificou a instituição como resultado da atuação de uma “máfia” no país.
As declarações relacionaram o banco, controlado por Daniel Vorcaro, à gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central, a ex-ministros do governo Bolsonaro e a doações eleitorais feitas por Fabiano Zettel. Haddad não apresentou, na fala relatada, nomes dos três ex-ministros aos quais se referiu nem evidências específicas para sustentar a acusação de organização criminosa.
Haddad relaciona banco ao governo Bolsonaro
Segundo Haddad, o Banco Master “nasce, cresce e se desenvolve” no período em que Roberto Campos Neto comandou o Banco Central. O candidato citou a autorização para Daniel Vorcaro assumir a gestão do então Banco Máxima, que passou a se chamar Banco Master em 2021.
O ex-ministro da Fazenda também afirmou que a formação do banco estaria ligada ao governo de Jair Bolsonaro. A declaração foi feita no contexto da disputa pelo Governo de São Paulo, em que Haddad enfrenta o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ao fazer a associação, Haddad atribuiu caráter criminoso às relações que mencionou. Trata-se de uma acusação política grave apresentada pelo candidato, e o material disponível não traz manifestações de Vorcaro, Campos Neto, Bolsonaro, Tarcísio ou do Banco Master sobre as falas.
Candidato cita ex-ministros sem identificá-los
Durante o discurso, Haddad disse que três ex-ministros de Bolsonaro teriam realizado negócios com o Banco Master. Ele não informou quem seriam essas pessoas.
Quem montou o Banco Master nesse país é uma máfia para se perpetuar no poder.”
Fernando Haddad, candidato do PT ao Governo de São Paulo
Além disso, o candidato mencionou um quarto ex-ministro que, segundo ele, teria recebido dinheiro durante a campanha eleitoral de 2022. A fala não trouxe a identificação do ex-integrante do governo nem detalhes sobre valores, datas ou a natureza do suposto repasse.
Sem esses elementos, não é possível individualizar as alegações ou verificar, a partir do material fornecido, quais negociações ou pagamentos Haddad pretendeu apontar. A reportagem de origem também não apresenta respostas dos citados de forma indireta.
Doações de Zettel entram no discurso
Haddad citou doações eleitorais de Fabiano Zettel para as campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
De acordo com as informações relatadas, Zettel doou R$ 5 milhões no total: R$ 3 milhões à campanha de Bolsonaro e R$ 2 milhões à de Tarcísio. Nos dois casos, ele foi o maior doador individual das campanhas, segundo o material.
As doações são parte do argumento político usado por Haddad para conectar o banco a aliados e integrantes da gestão anterior. No entanto, a existência das contribuições, por si só, não comprova as acusações mais amplas feitas pelo candidato sobre a atuação de uma “máfia”.
Prisão ocorre na Operação Compliance Zero
O material informa que Fabiano Zettel está preso desde 4 de março, no âmbito da Operação Compliance Zero. Não foram fornecidos detalhes sobre os fatos investigados na operação, as acusações formais ou eventuais decisões judiciais relacionadas ao caso.
Haddad também retomou, em sua fala, o chamado plano “punhal verde e amarelo”. Segundo o relato, o documento motivou uma operação da Polícia Federal e previa matar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O candidato vinculou a trama golpista ao caso do Banco Master e disse que haveria uma tentativa de perpetuação no poder. Essa conexão foi apresentada por Haddad em discurso eleitoral; as informações disponíveis não detalham provas de vínculo entre o plano mencionado e a instituição financeira.


