O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou, no sábado (5), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de conduzir um “gabinete da perseguição” e defendeu que o Senado Federal paute o impeachment do magistrado. A declaração ocorreu após uma visita a Filipe Martins, preso em Ponta Grossa, no Paraná.
Flávio relacionou sua crítica a uma crise que envolveu ministros do STF durante a semana. Segundo o material que originou a declaração, André Mendonça retirou o sigilo de uma ação sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e Moraes; depois, Moraes usou o inquérito das Fake News para acusar Mendonça de crimes na condução de ações no tribunal.
Flávio cobra impeachment de Moraes
O senador afirmou que o Senado deveria avançar com um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. Ele disse que já teria passado o momento de a Casa colocar o tema em pauta.
O impeachment de ministros do STF é uma medida cuja análise cabe ao Senado Federal. Na declaração, porém, Flávio não detalhou qual pedido específico deveria ser apreciado nem indicou uma data para essa eventual discussão.
Ao fazer a cobrança, o parlamentar atribuiu a Moraes uma conduta de perseguição política. Trata-se de uma acusação feita por Flávio Bolsonaro, e o material disponível não apresenta decisão do Senado sobre o pedido mencionado.
Crise entre ministros ganha novo capítulo
A fala foi feita após episódios envolvendo Moraes e André Mendonça no STF. Na terça-feira (1º), Mendonça retirou o sigilo da ação que apura as trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e Moraes.
Já na noite de quinta-feira (3), segundo o relato fornecido, Moraes recorreu ao inquérito das Fake News para acusar Mendonça de cometer crimes na forma como conduziu ações no tribunal. O conteúdo não detalha quais crimes foram apontados pelo ministro.
Flávio aproximou esse embate do caso de Filipe Martins. Assim, usou a divergência pública entre os ministros como base para sustentar suas críticas à atuação de Moraes em processos ligados a aliados e adversários de seu grupo político.
Visita a Martins motiva declaração
Flávio falou a jornalistas depois de visitar Filipe Martins em Ponta Grossa. Ex-assessor de assuntos internacionais do ex-presidente Jair Bolsonaro, Martins está preso, conforme o material fornecido.
O texto informa que Martins foi condenado a 21 anos de prisão por participação na trama golpista. Alexandre de Moraes relatou esse processo no STF.
Segundo a condenação descrita no material, o ex-assessor participou de reuniões de articulação e ajudou a elaborar a chamada “minuta do golpe”. O documento, ainda conforme o texto, estabeleceria medidas excepcionais para manter Jair Bolsonaro no poder.
Senador questiona atuação no inquérito
Na avaliação de Flávio, Moraes teria empregado o inquérito das Fake News para perseguir adversários políticos. O senador também disse que o ministro adotaria agora conduta semelhante em relação a André Mendonça.
Ele afirmou que o magistrado definiria previamente seus alvos e construiria uma narrativa para condená-los. Essa versão representa a posição do senador e foi apresentada por ele ao comentar a atuação de Moraes.
O material informa que a CNN Brasil procurou Alexandre de Moraes para comentar as declarações de Flávio Bolsonaro e aguardava retorno. Portanto, não havia manifestação do ministro sobre as acusações no conteúdo disponibilizado.
Moro acompanha agenda no Paraná
O senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, acompanhou Flávio Bolsonaro depois da visita a Filipe Martins. Os dois são correligionários no PL.
Moro foi ministro da Justiça no governo Jair Bolsonaro e deixou o cargo acusando o então presidente de interferir na Polícia Federal. À época, contestou a ideia de que o ministro da Justiça deveria defender o presidente, mesmo diante de investigações.
A referência incluía o caso das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. Agora aliados partidários, Flávio minimizou as divergências passadas e afirmou que Moro tem convicção de que ele não cometeu irregularidades.


