Acordo de petróleo dos EUA na Venezuela envolve empresário sob investigação

Alejandro Betancourt controla a NABEP, parceira do governo americano em negócio que reserva 35% da nova empresa a um órgão do Pentágono.

Da
Redação
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Parceria anunciada pela Casa Branca prevê exploração de 17 campos de petróleo na Venezuela por 100 anos.
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O acordo de petróleo dos EUA na Venezuela anunciado pela Casa Branca em 31 de agosto de 2026 coloca o empresário Alejandro Betancourt, controlador da North American Blue Energy Partners (NABEP), no centro de uma parceria com o governo americano. O Office of Strategic Capital, ligado ao Pentágono, deverá deter 35% da empresa formada para explorar 17 campos venezuelanos.

Betancourt foi investigado nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça por suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, mas não sofreu denúncia formal em nenhum desses países, segundo reportagem da Reuters. A promotoria de Zurique afirma que o procedimento suíço continua, enquanto permanecem abertas dúvidas sobre os termos jurídicos e financeiros do novo negócio.

Acordo entrega campos à nova empresa

A parceria prevê direitos de exploração por 100 anos sobre 17 campos de petróleo na Venezuela. As reservas provadas dessas áreas foram estimadas em 65 bilhões de barris, de acordo com os detalhes divulgados sobre o pacto.

A NABEP é uma empresa privada controlada por Betancourt e descrita como a segunda maior produtora privada de petróleo venezuelano. A companhia se associará ao governo americano por meio do Office of Strategic Capital, estrutura vinculada ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Além da participação de 35% na companhia a ser criada, os Estados Unidos terão o direito de adquirir 20% da produção a preço de custo. A Casa Branca também informou que poderá vetar integrantes do conselho de administração da empresa.

O governo Trump apresenta a iniciativa como uma forma de ampliar a produção venezuelana, assegurar acesso americano ao petróleo do país e diminuir a influência de grupos russos e chineses no setor. Ainda assim, não foram divulgados integralmente documentos sobre governança, repartição de receitas e fiscalização.

Investigações cercam Alejandro Betancourt

As apurações que envolveram Betancourt incluíram uma suposta operação de desvio de mais de US$ 1 bilhão da estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA). Segundo as reportagens, os recursos teriam sido objeto de alegada lavagem por meio de imóveis em Miami e de contas em Malta e na Suíça.

My client denies any wrongdoing.”

Jon A. Sale, advogado de Alejandro Betancourt

Essas suspeitas não equivalem a uma condenação ou acusação formal. A Reuters informou que o empresário foi investigado nos três países, sem indiciamento formal nos Estados Unidos, na Espanha ou na Suíça.

O advogado Jon A. Sale declarou ao The Washington Post que seu cliente nega irregularidades. Por isso, as alegações devem ser tratadas como parte de investigações, e não como fatos comprovados contra Betancourt.

O empresário ganhou projeção anteriormente por sua ligação com a Derwick Associates, grupo que obteve contratos de infraestrutura elétrica na Venezuela durante o governo de Hugo Chávez. Registros reconstituídos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ, associaram seu histórico empresarial a suspeitas financeiras examinadas nos FinCEN Files.

Suíça mantém procedimento aberto

Em 2025, Betancourt foi detido duas vezes no Reino Unido em conexão com pedidos apresentados por autoridades da Espanha e da Suíça, segundo o The Washington Post. No ano seguinte, a Suíça retirou o pedido de extradição que havia encaminhado aos britânicos.

A retirada ocorreu em maio de 2026, mas não representou o encerramento do caso. A promotoria de Zurique declarou que a investigação criminal suíça contra o empresário permanece em andamento.

O The Washington Post noticiou que autoridades americanas conversaram com autoridades suíças para tentar viabilizar uma solução sem punição criminal e permitir as viagens de Betancourt. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não comentou essas conversas, segundo o jornal.

Também não há confirmação pública sobre o desfecho da apuração federal americana. A Reuters descreveu a investigação como pausada, enquanto o The Washington Post relatou ausência de novas medidas e intervenção de autoridades; as fontes, portanto, não permitem concluir se o procedimento foi encerrado.

Pentágono amplia papel no setor

O Office of Strategic Capital foi criado para apoiar investimentos em tecnologias consideradas críticas para a segurança nacional dos Estados Unidos. A participação em uma empresa voltada à exploração de petróleo, contudo, desloca o órgão para uma área diferente de sua finalidade original.

It feels like uncharted territory.”

Jon Hillman, do Council on Foreign Relations

Especialistas em direito e política energética ouvidos pelo Semafor questionaram a base legal para o órgão receber participação acionária na nova companhia. O governo americano afirma que usa mecanismos conhecidos como penny warrants, mas não divulgou uma fundamentação jurídica completa.

Jon Hillman, do Council on Foreign Relations, classificou a estrutura como algo sem precedente claro. A observação se refere ao formato de participação de um órgão do Pentágono em um empreendimento petrolífero estrangeiro.

A Casa Branca disse que a operação não terá custo para os contribuintes americanos. O acordo prevê, além disso, US$ 100 bilhões em investimentos em infraestrutura petrolífera, conforme os detalhes divulgados pela Associated Press.

Produção ainda depende de recuperação

O volume de 65 bilhões de barris corresponde às reservas provadas dos 17 campos abrangidos pelo acordo. Esse dado, no entanto, não determina por si só quanto petróleo poderá ser efetivamente produzido nem em que prazo os campos voltarão a operar em maior escala.

Analistas e ex-assessores de energia ouvidos pela Associated Press avaliam que a recuperação da indústria petrolífera venezuelana pode levar anos. Eles apontam riscos políticos e jurídicos que podem afetar a execução do plano.

O pacto foi anunciado após uma mudança de poder em Caracas e durante a reorganização do setor petrolífero venezuelano com participação do governo americano. Dessa forma, o negócio reúne uma meta energética de longo prazo e um modelo societário que ainda suscita questionamentos.

As condições gerais foram divulgadas, mas pontos relevantes seguem sem detalhamento público, como a avaliação da empresa, o calendário dos aportes, a divisão de receitas e os mecanismos de controle. A execução do contrato dependerá dessas definições e da recuperação operacional dos campos.

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