Os primeiros anúncios da operação política ligada ao presidente Donald Trump para as eleições de meio de mandato de 2026 colocam o próprio Trump no centro da mensagem. As peças foram lançadas pela Securing American Greatness, braço sem fins lucrativos do super PAC pró-Trump MAGA Inc., e têm circulação em grandes mercados de mídia dos Estados Unidos.
Uma das campanhas não menciona o Congresso nem o Partido Republicano. A outra cita medidas tributárias e econômicas, mas também termina com um apelo para que o público ajude Trump a “terminar o trabalho”. A estratégia ocorre enquanto republicanos aguardam uma mobilização mais ampla dos recursos da operação política do presidente.
Anúncios colocam Trump no centro
O vídeo chamado Toughest Guy apresenta o presidente do UFC, Dana White, elogiando a firmeza de Trump. Em seguida, o presidente aparece com uma mensagem sobre prosperidade, orgulho, força e vitória dos Estados Unidos.
A peça tem características de publicidade voltada a uma campanha pessoal de Trump. No entanto, não traz referências a candidatos republicanos, cadeiras legislativas ou à disputa pelo controle do Congresso.
O segundo vídeo, Tax Cut Prices, se aproxima mais de uma mensagem sobre ações do governo republicano em Washington. Ainda assim, a narrativa também privilegia a atuação individual do presidente.
Peça associa medidas ao presidente
No anúncio, Trump afirma que seu governo assegurou isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social, além de promover grandes cortes tributários. Ele também cita queda no preço dos ovos, redução de preços de medicamentos prescritos e exigências energéticas para grandes empresas de tecnologia.
O material que deu origem à pauta aponta que diversas alegações da peça são falsas ou enganosas. Entre elas, estão afirmações sobre a tributação da Previdência Social, os preços de remédios e a obrigação de data centers produzirem a própria energia.
Além disso, o texto observa que algumas das medidas citadas não dependeram de legislação do Congresso. As duas últimas, segundo o material, decorreram de ações do Poder Executivo, o que limita a associação direta delas aos parlamentares republicanos.
Veiculação começa em grandes mercados
Dados atribuídos à empresa de monitoramento AdImpact indicam que os anúncios começaram a ser exibidos em Nova York, Washington, Chicago e Filadélfia. O investimento informado é de cerca de US$ 1 milhão.
Esse montante corresponde a uma parcela pequena dos recursos disponíveis na operação política de Trump, descrita como formada por centenas de milhões de dólares. Por isso, o início da veiculação não representa, por si só, uma grande liberação de recursos para as campanhas legislativas.
Republicanos esperam que a estrutura ligada ao presidente amplie os gastos em favor do partido nas eleições de meio de mandato. Até agora, porém, o ritmo de desembolso é apresentado como lento.
Estratégia busca mobilizar a base
A ênfase em Trump tem uma justificativa eleitoral apontada no material: seus eleitores seriam menos propensos a participar de pleitos em que o nome dele não aparece na cédula. Dessa forma, vincular as disputas legislativas ao presidente poderia estimular a presença dessa base nas urnas.
Em declaração à Fox News reproduzida no material, Trump disse que faria campanha como se disputasse a eleição. Ao mesmo tempo, afirmou que espera que os eleitores tenham a impressão de que ele próprio é candidato.
A opção também traz risco para os republicanos. O texto afirma que a aprovação de Trump tem ficado frequentemente na casa dos 30%, podendo cair ainda mais, e avalia que uma eleição fortemente associada ao presidente pode dificultar a situação de candidatos que prefiram se afastar de suas políticas.


