Anúncios pró-Trump centralizam campanha das eleições de meio de mandato no presidente

Peças iniciais da Securing American Greatness destacam Donald Trump, enquanto republicanos esperam recursos para as disputas ao Congresso.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
Presidente Donald Trump • Reuters
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Os primeiros anúncios da operação política ligada ao presidente Donald Trump para as eleições de meio de mandato de 2026 colocam o próprio Trump no centro da mensagem. As peças foram lançadas pela Securing American Greatness, braço sem fins lucrativos do super PAC pró-Trump MAGA Inc., e têm circulação em grandes mercados de mídia dos Estados Unidos.

Uma das campanhas não menciona o Congresso nem o Partido Republicano. A outra cita medidas tributárias e econômicas, mas também termina com um apelo para que o público ajude Trump a “terminar o trabalho”. A estratégia ocorre enquanto republicanos aguardam uma mobilização mais ampla dos recursos da operação política do presidente.

Anúncios colocam Trump no centro

O vídeo chamado Toughest Guy apresenta o presidente do UFC, Dana White, elogiando a firmeza de Trump. Em seguida, o presidente aparece com uma mensagem sobre prosperidade, orgulho, força e vitória dos Estados Unidos.

A peça tem características de publicidade voltada a uma campanha pessoal de Trump. No entanto, não traz referências a candidatos republicanos, cadeiras legislativas ou à disputa pelo controle do Congresso.

O segundo vídeo, Tax Cut Prices, se aproxima mais de uma mensagem sobre ações do governo republicano em Washington. Ainda assim, a narrativa também privilegia a atuação individual do presidente.

Peça associa medidas ao presidente

No anúncio, Trump afirma que seu governo assegurou isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social, além de promover grandes cortes tributários. Ele também cita queda no preço dos ovos, redução de preços de medicamentos prescritos e exigências energéticas para grandes empresas de tecnologia.

O material que deu origem à pauta aponta que diversas alegações da peça são falsas ou enganosas. Entre elas, estão afirmações sobre a tributação da Previdência Social, os preços de remédios e a obrigação de data centers produzirem a própria energia.

Além disso, o texto observa que algumas das medidas citadas não dependeram de legislação do Congresso. As duas últimas, segundo o material, decorreram de ações do Poder Executivo, o que limita a associação direta delas aos parlamentares republicanos.

Veiculação começa em grandes mercados

Dados atribuídos à empresa de monitoramento AdImpact indicam que os anúncios começaram a ser exibidos em Nova York, Washington, Chicago e Filadélfia. O investimento informado é de cerca de US$ 1 milhão.

Esse montante corresponde a uma parcela pequena dos recursos disponíveis na operação política de Trump, descrita como formada por centenas de milhões de dólares. Por isso, o início da veiculação não representa, por si só, uma grande liberação de recursos para as campanhas legislativas.

Republicanos esperam que a estrutura ligada ao presidente amplie os gastos em favor do partido nas eleições de meio de mandato. Até agora, porém, o ritmo de desembolso é apresentado como lento.

Estratégia busca mobilizar a base

A ênfase em Trump tem uma justificativa eleitoral apontada no material: seus eleitores seriam menos propensos a participar de pleitos em que o nome dele não aparece na cédula. Dessa forma, vincular as disputas legislativas ao presidente poderia estimular a presença dessa base nas urnas.

Em declaração à Fox News reproduzida no material, Trump disse que faria campanha como se disputasse a eleição. Ao mesmo tempo, afirmou que espera que os eleitores tenham a impressão de que ele próprio é candidato.

A opção também traz risco para os republicanos. O texto afirma que a aprovação de Trump tem ficado frequentemente na casa dos 30%, podendo cair ainda mais, e avalia que uma eleição fortemente associada ao presidente pode dificultar a situação de candidatos que prefiram se afastar de suas políticas.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *