Oposição venezuelana retorna ao país após anistia, diz CNN

Reportagem afirma que dirigentes antes exilados voltaram à Venezuela em um cenário político que atribui à queda de Nicolás Maduro e à aproximação com os Estados Unidos.

Da
Redação
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Pessoas seguram bandeiras da Venezuela em frente ao Tribunal Federal Daniel Patrick Moynihan, antes da audiência de acusação do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e da primeira-dama, Cilia Flores, em 5 de janeiro de 2026, na cidade de Nova York • Michael...
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A oposição venezuelana retorna ao país após anos de exílio, segundo reportagem da CNN Brasil. O texto cita ao menos uma dezena de políticos e dirigentes que voltaram em 2026 e relaciona parte desses movimentos à vigência de uma lei de anistia.

A CNN afirma que os retornos ocorrem oito meses depois de uma operação dos Estados Unidos em Caracas que teria resultado na captura de Nicolás Maduro e na posse de Delcy Rodríguez como presidente interina. Essas alegações, assim como a descrição do governo de transição, constam da reportagem fornecida e não foram acompanhadas de fontes adicionais no dossiê.

Entre os nomes mencionados está Omar González, dirigente nacional do Vente Venezuela e próximo de María Corina Machado. Conforme a CNN, ele retornou na semana anterior à publicação após quase três anos fora do território venezuelano.

Retornos reúnem dirigentes opositores

Além de González, a reportagem lista políticos vinculados ao Vente Venezuela, Voluntad Popular, Primero Justicia e Alianza Bravo Pueblo. Há também nomes que tiveram atuação próxima ao ex-candidato Edmundo González Urrutia ou ao ex-deputado Juan Guaidó.

Richard Blanco, presidente da Alianza Bravo Pueblo, voltou em 2 de junho, após sete anos no exílio, segundo o texto. Em 2019, ele havia buscado proteção na embaixada da Argentina em Caracas depois de perder a imunidade parlamentar.

Naquele período, autoridades venezuelanas o acusaram de participação em acontecimentos que o governo classificou como tentativa de rebelião liderada por Guaidó. A CNN recorda que a oposição denunciava medidas contra a Assembleia Nacional, então de maioria oposicionista.

Juan Pablo García, dirigente do Vente Venezuela em Monagas, retornou em 6 de agosto, informa a reportagem. Ele também perdeu a imunidade parlamentar em 2019 e, depois, viveu na Colômbia e na Espanha.

Anistia abre caminho jurídico

A CNN atribui boa parte dos retornos à lei de anistia promulgada pelo governo de Delcy Rodríguez semanas após a alegada derrubada de Maduro. Segundo a reportagem, a norma alcança pessoas acusadas em conflitos sociais e políticos ocorridos entre 1999 e 2026.

O texto sustenta que a medida pode regularizar a situação jurídica de milhares de pessoas. Dessa forma, exilados poderiam voltar ao país e detidos poderiam deixar a prisão.

Para a CNN, a anistia atende a uma exigência do governo de Donald Trump após a captura de Maduro: a libertação de presos políticos. O material fornecido não traz o texto da lei, informações sobre sua tramitação nem confirmação independente sobre seu alcance.

Carlos Ocariz, do Primero Justicia, é citado entre os políticos que teriam retornado sob esse mecanismo. Ocariz deixou a Venezuela em 2024, após acusações contra opositores no contexto da eleição presidencial daquele ano, de acordo com a reportagem.

Casos remontam a crises anteriores

Os regressos reúnem trajetórias ligadas a diferentes momentos da disputa política venezuelana. Blanco e García, por exemplo, aparecem associados à crise de 2019, quando Guaidó se autoproclamou presidente interino e obteve reconhecimento de mais de 50 países, segundo a CNN.

O governo de Maduro, por outro lado, chamou Guaidó de usurpador e adotou medidas contra parlamentares próximos a ele, relata a matéria. O governo interino de Guaidó perdeu força nos anos seguintes, e ele deixou a Venezuela rumo aos Estados Unidos em 2023.

Lester Toledo, cofundador do Voluntad Popular, havia saído da Venezuela em 2016. A reportagem diz que autoridades o acusaram de terrorismo durante protestos, acusação que ele rejeita.

Em 2024, a Procuradoria-Geral venezuelana acusou Toledo, Leopoldo López e Machado de organizar um suposto ataque cibernético ao sistema de transmissão de dados do Conselho Nacional Eleitoral, ainda segundo a CNN. A matéria registra que Toledo voltou em maio para acompanhar o caso judicial.

Exilados alegam perseguição política

Vários dos nomes citados contestaram acusações apresentadas contra eles por autoridades venezuelanas. García afirmou que continuou a sofrer perseguição depois de se deslocar para a Colômbia, antes de seguir para a Espanha.

Toledo declarou que voltou para se apresentar à Justiça e contestar as imputações. “Me colocar à disposição da Justiça por crimes que não cometi, e é isso que vou demonstrar nesta e em todas as instâncias”, afirmou, conforme reproduzido pela CNN.

Yon Goicoechea, hoje ligado ao Voluntad Popular, retornou em maio depois de viver na Espanha desde 2020. Ele havia sido preso em 2016 após autoridades o acusarem de portar explosivos, e deixou a prisão sob medidas cautelares em novembro de 2017.

Em outubro de 2025, segundo a reportagem, o governo de Maduro pediu a retirada da nacionalidade venezuelana de Goicoechea por ele supostamente solicitar uma invasão contra o país. O político negou a acusação.

Machado mantém intenção de voltar

Omar González afirmou que seu retorno seria uma “antessala” para a volta de María Corina Machado, relata a CNN. A reportagem diz que a líder opositora manifestou reiteradamente a intenção de retornar à Venezuela.

O texto situa a saída de Machado em dezembro de 2025, quando ela teria deixado o país para receber o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, na Noruega. A CNN descreve essa partida como arriscada e afirma que o governo norte-americano conhecia a operação de retirada.

Em entrevista publicada em 2 de setembro, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que Machado tem direito de entrar no país quando quiser. Ele acrescentou, segundo a CNN, que recebeu orientações para que a segurança dela fosse garantida.

Rubio também defendeu a possibilidade de retorno de outras figuras políticas exiladas que desejem participar da vida pública venezuelana sem risco. A reportagem vincula essa posição à realização de futuras eleições livres e a um plano de transição democrática atribuído pelos EUA.

Novos nomes ampliam a lista

A lista da CNN inclui Wilmer Azuaje, ex-deputado e ex-legislador regional que deixou o país em 2019 após ter ficado preso entre 2017 e 2018. Atualmente, ele atua como opositor independente, segundo o texto.

Marcos Velazco, dirigente do Vente Venezuela, teria voltado em maio após mais de um ano fora do país. A reportagem afirma que ele passou a participar de atividades políticas do movimento de Machado e González Urrutia.

Roberto Marrero, advogado e articulador político que trabalhou com Leopoldo López e Guaidó, retornou em maio. Ele ficou preso no El Helicoide entre 2019 e 2020, obteve indulto, deixou o país e, conforme a CNN, recebeu anistia em junho.

José Guerra e César Pérez Vivas também aparecem entre os retornados. Guerra disse ter encerrado um “exílio forçado de sete anos”, enquanto Pérez Vivas voltou no início de junho após um ano e oito meses fora da Venezuela, de acordo com a reportagem.

Ao comentar sua volta, Goicoechea defendeu o engajamento no país. “O momento de apostar na Venezuela é agora, porque há tudo para ser feito”, afirmou, segundo a CNN.

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