África do Sul – Jornal Maior https://jornalmaior.com Muito mais notícia Mon, 21 Sep 2026 22:42:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://jornalmaior.com/wp-content/uploads/2026/09/cropped-icon_jm_square-1-32x32.jpg África do Sul – Jornal Maior https://jornalmaior.com 32 32 Avestruzes são depenados vivos para abastecer moda de luxo, diz relatório https://jornalmaior.com/2026/09/21/avestruzes-depenados-vivos-moda-luxo-2/ https://jornalmaior.com/2026/09/21/avestruzes-depenados-vivos-moda-luxo-2/#respond Mon, 21 Sep 2026 22:42:39 +0000 https://jornalmaior.com/?p=12579 Uma investigação sobre a cadeia de penas de avestruz na África do Sul registrou aves sendo contidas, encapuzadas e submetidas à retirada de penas enquanto ainda estavam vivas. O material, reunido pelas organizações World Animal Protection e Collective Fashion Justice, aponta que parte da produção abastece marcas de luxo e outras empresas do setor de moda.

O relatório, intitulado “Blood Feathers”, descreve o uso de equipamentos mecânicos, tesouras e alicates para cortar ou arrancar penas. As entidades afirmam que alguns procedimentos ocorreram sem analgesia e que aves voltavam a passar pelo processo em intervalos de aproximadamente seis meses.

A investigação cita fazendas e unidades de processamento ligadas ao fornecimento de penas para marcas como YSL, Louis Vuitton, Dior e Chanel, além da varejista Shein. A afirmação parte do rastreamento realizado pelas organizações e não equivale, por si só, a prova de que cada empresa tenha conhecimento direto das práticas registradas em todas as etapas da cadeia.

Aves foram contidas e depenadas

As imagens descritas no relatório mostram trabalhadores reunindo os avestruzes, colocando sacos sobre suas cabeças e retirando penas com diferentes instrumentos. Em alguns casos, as organizações relatam que penas ainda ligadas ao suprimento de sangue foram cortadas e depois removidas com alicates.

Essas penas em crescimento são conhecidas como “blood feathers”, expressão que deu nome ao relatório. A retirada pode provocar sangramento porque o eixo da pena ainda contém vasos sanguíneos durante essa fase de desenvolvimento.

As entidades também registraram aves feridas, algumas com dificuldade para permanecer de pé e outras com lesões provocadas por bicadas entre os próprios animais. O relatório associa esses comportamentos às condições de confinamento observadas nas propriedades visitadas.

A investigação contesta a ideia de que todas as penas usadas na moda sejam simplesmente recolhidas durante a muda natural. Organizações de bem-estar animal sustentam que, em cadeias comerciais, as penas podem ser cortadas ou arrancadas antes do abate.

Luxo aparece no fim da cadeia

A África do Sul responde por cerca de 75% do mercado mundial de avestruzes, segundo os dados citados no levantamento. A criação comercial fornece carne, couro e penas, que entram em diferentes mercados internacionais.

O relatório afirma que mais de 150 toneladas de penas de avestruz foram exportadas pelo país na temporada 2024-2025. No mesmo período, aproximadamente 150 mil aves teriam sido abatidas para abastecer as cadeias de carne, couro e penas, com base em dados obtidos do governo sul-africano.

Penas de maior qualidade são usadas principalmente em moda, figurinos e peças de acabamento. A World Ostrich Association informa que penas adultas de asas e exemplares de maior qualidade são destinadas, entre outros usos, a desfiles, espetáculos e produtos de moda.

Entidades cobram mudança da moda

As organizações responsáveis pela investigação defendem que marcas substituam penas naturais por alternativas sintéticas ou de origem vegetal capazes de reproduzir volume, movimento e leveza.

Penas são a nova pele: é a mesma crueldade, apenas com um animal diferente”.

Olivia Charlton, World Animal Protection

A Collective Fashion Justice afirma que materiais como ráfia, fibras manipuladas, biofibras e plumas artificiais já conseguem produzir efeitos visuais semelhantes aos procurados por estilistas.

A crítica central das entidades é que parte da indústria abandonou o uso de peles por razões de bem-estar animal, mas manteve penas de avestruz em roupas e acessórios de luxo.

Comércio de penas tem longa história

A produção de penas de avestruz tem importância histórica na África do Sul. No início do século 20, o produto chegou a figurar entre as principais exportações do país, impulsionado pela demanda internacional da moda.

Hoje, a criação comercial continua concentrada no sul da África, embora existam fazendas de avestruzes em outras regiões do mundo. O valor econômico das penas varia conforme tamanho, cor, qualidade e origem.

O novo levantamento amplia a pressão sobre empresas de moda para que revelem a origem dos materiais usados em coleções e adotem políticas específicas para penas decorativas. As organizações pedem que marcas publiquem critérios de rastreabilidade e eliminem práticas que envolvam retirada de penas de animais vivos.

]]>
https://jornalmaior.com/2026/09/21/avestruzes-depenados-vivos-moda-luxo-2/feed/ 0
Nona morte de mulher amplia investigação sobre crimes em Ekurhuleni https://jornalmaior.com/2026/09/17/nona-morte-mulher-ekurhuleni-investigacao/ https://jornalmaior.com/2026/09/17/nona-morte-mulher-ekurhuleni-investigacao/#comments Thu, 17 Sep 2026 12:51:56 +0000 https://jornalmaior.com/2026/09/17/nona-morte-mulher-ekurhuleni-investigacao/ A polícia da África do Sul ampliou nesta quinta-feira, 17 de setembro, a investigação sobre uma série de mortes de mulheres em Ekurhuleni, região metropolitana a leste de Joanesburgo, após a descoberta de um nono corpo em dois meses. A vítima mais recente foi localizada em Dawn Park, na área de Boksburg, e ainda não havia sido oficialmente identificada nas primeiras horas da apuração.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a mulher aparentava ter cerca de 30 anos. Os indícios preliminares apontam que o corpo pode ter sido deixado no local depois da morte. A polícia ainda não confirmou se todos os casos têm relação direta entre si, mas as semelhanças encontradas em parte das ocorrências levaram à formação de uma equipe multidisciplinar.

O número de vítimas chegou a nove desde julho, em diferentes pontos de Ekurhuleni, o que aumentou a pressão por respostas rápidas e por reforço da segurança na região.

Polícia reforça investigação

O Serviço de Polícia da África do Sul informou que investigadores, peritos e especialistas foram mobilizados para trabalhar de forma conjunta. O objetivo é reconstruir os últimos passos das vítimas, cruzar informações entre os locais onde os corpos foram encontrados e identificar possíveis padrões.

As autoridades também ampliaram patrulhas e ações de presença policial em áreas consideradas sensíveis. Em Kempton Park, um dos pontos onde ocorreram descobertas recentes, houve bloqueios viários e reforço de efetivo.

A polícia fez ainda um apelo à população para que qualquer informação relevante seja encaminhada aos canais oficiais. O governo reforçou que denúncias podem ser feitas de forma confidencial.

Casos ocorreram desde julho

A primeira ocorrência da sequência sob investigação foi registrada em julho. Desde então, corpos de mulheres foram encontrados em áreas como Kempton Park, Rhodesfield, Olifantsfontein, KwaThema e Boksburg.

Algumas vítimas foram localizadas nuas ou parcialmente vestidas, e parte dos corpos apresentava sinais de violência. Apesar dessas semelhanças, a polícia evita afirmar que há um único responsável ou que todos os crimes foram cometidos pelo mesmo grupo.

Entre as vítimas já identificadas estão Elizabeth Moselakgomo, de 38 anos, e Dineo Evelyn Motapane, também de 38. A identificação de outras mulheres ainda depende do trabalho forense e da comunicação com famílias que procuram parentes desaparecidos.

Autoridades evitam conclusão

Uma das principais linhas de trabalho é verificar se existe conexão entre os crimes. A hipótese de um assassino em série foi levantada publicamente devido à proximidade temporal e a características semelhantes de algumas ocorrências, mas a polícia ressalta que essa possibilidade ainda não foi comprovada.

Também está sendo considerada a possibilidade de crimes sem relação direta, inclusive ações de imitadores. A investigação busca diferenciar evidências concretas de coincidências que podem surgir em casos registrados em uma mesma região.

Um homem foi preso em ligação com o primeiro caso registrado em julho, mas as autoridades não apresentaram até agora elementos que permitam atribuir a ele responsabilidade pelas demais mortes.

Violência gera mobilização

A sucessão de casos provocou reação de organizações civis, grupos de mulheres e associações esportivas. A morte de Elizabeth Moselakgomo ganhou grande repercussão depois que corredores divulgaram pedidos de ajuda nas redes sociais quando ela desapareceu.

A África do Sul enfrenta há anos altos índices de violência contra mulheres. O tema voltou ao centro do debate público à medida que novas vítimas foram encontradas e moradores passaram a cobrar medidas adicionais de proteção.

O governo sul-africano afirmou que a investigação será tratada como prioridade. Enquanto os peritos avançam na análise dos casos, a polícia mantém o apelo para que familiares comuniquem desaparecimentos rapidamente e para que a população evite divulgar informações não confirmadas ou imagens gráficas nas redes sociais.

]]>
https://jornalmaior.com/2026/09/17/nona-morte-mulher-ekurhuleni-investigacao/feed/ 1
EUA anunciam restrição de vistos para autoridades sul-africanas https://jornalmaior.com/2026/09/16/eua-restringem-vistos-autoridades-sul-africanas/ https://jornalmaior.com/2026/09/16/eua-restringem-vistos-autoridades-sul-africanas/#comments Wed, 16 Sep 2026 09:34:32 +0000 https://jornalmaior.com/2026/09/16/eua-restringem-vistos-autoridades-sul-africanas/ O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a criação de uma nova política voltada a restringir a concessão de vistos para autoridades da África do Sul. A medida mira agentes públicos sul-africanos que o governo norte-americano considera envolvidos ou cúmplices na aprovação e implementação de diretrizes ligadas a discriminação baseada em raça e confisco de terras sem indenização.

A decisão representa o mais recente desdobramento das tensões diplomáticas promovidas pela administração do presidente Donald Trump contra o governo sul-africano. Washington acusa o país africano de promover atos discriminatórios contra cidadãos brancos e produtores rurais. Por outro lado, as autoridades da África do Sul rejeitam categoricamente as alegações e sustentam que suas políticas buscam corrigir os impactos históricos do apartheid.

Em comunicado oficial, Rubio afirmou que os Estados Unidos continuam profundamente preocupados com crimes motivados por questões raciais e com a discriminação promovida pelo governo contra africâneres e outras populações minoritárias na África do Sul, citando leis baseadas em raça, ameaças de expropriação e incitação à violência racial.

Washington altera prioridades do programa de refugiados

Paralelamente às restrições de vistos diplomáticos e institucionais, o governo do presidente Donald Trump promoveu alterações profundas na política de asilo e acolhimento do país. Poucas semanas após o início de seu segundo mandato, a Casa Branca anunciou que a quase totalidade dos refugiados admitidos nos Estados Unidos passaria a ser composta por sul-africanos brancos.

Essa mudança direcionou os esforços do programa de refugiados norte-americano, que durante décadas se voltou prioritariamente para o atendimento de populações em situação de deslocamento forçado devido a guerras e perseguições extremas. Através dessa nova orientação, milhares de solicitações de outras partes do globo foram suspensas ou drasticamente reduzidas.

Dados divulgados mostram que, até o fim de junho deste ano, os Estados Unidos já haviam admitido mais de 7.700 africâneres sob a condição de refugiados. A movimentação ocorreu simultaneamente ao encerramento prático dos programas de acolhimento voltados ao restante do mundo.

EUA cobram respostas diretas do governo sul-africano

De acordo com o posicionamento expresso pelo chefe da diplomacia norte-americana, a imposição de limites para a obtenção de vistos ocorre porque o governo sul-africano não respondeu adequadamente às preocupações apresentadas anteriormente por Washington. O comunicado reforça que ações consideradas arbitrárias não permanecerão sem resposta oficial do governo dos Estados Unidos.

Nossa política de governo é completamente, completamente contrária ao que ele estava dizendo.”

Cyril Ramaphosa

Marco Rubio declarou que tais condutas prejudicam diretamente a paz, a estabilidade econômica e o Estado de Direito na região, sendo incompatíveis com os pilares da política externa americana. Diante desse diagnóstico, Washington voltou a pedir que a administração sul-africana trate com rapidez as ações apontadas como flagrantes.

A nova política abrange cidadãos estrangeiros apontados como responsáveis ou cúmplices na aprovação ou implementação de leis que permitam o confisco de terras sem indenização, a discriminação baseada em raça ou a incitação à violência contra minorias étnicas na África do Sul.

Pretória defende reparações históricas do apartheid

O foco das críticas dos Estados Unidos recai sobre as propostas e regulamentações de reforma agrária na África do Sul, com a alegação de que agricultores brancos estariam sendo prejudicados. O governo sul-africano, no entanto, reafirma que as medidas são estruturais e indispensáveis para reparar o legado de concentração fundiária e desigualdade social herdado do regime de segregação racial do apartheid.

As divergências sobre o tema já haviam gerado episódios de atrito direto no ano passado, durante um encontro oficial entre o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca. Na ocasião, o presidente norte-americano chegou a exibir um vídeo para sustentar teses de que a população branca estaria sofrendo perseguição e violência no país africano.

Investigações conduzidas pela imprensa internacional e por apurações independentes da imprensa não encontraram evidências factuais que sustentem as acusações de genocídio ou violência sistêmica contra brancos na África do Sul. A apuração jornalística reforça que as alegações usadas para embasar as retaliações carecem de comprovação empírica.

Ramaphosa reforça compromisso com a democracia

Após a exibição das imagens na Casa Branca e o questionamento sobre a conduta das autoridades locais, o presidente Cyril Ramaphosa destacou a natureza das instituições e a liberdade de expressão vigentes no país. O líder sul-africano pontuou que manifestações individuais ou discursos inflamados não representam o arcabouço normativo do Estado.

Ramaphosa ressaltou que a África do Sul possui uma democracia multipartidária plenamente consolidada, que garante espaço para a livre expressão de diferentes correntes políticas e ideológicas. Ele assegurou que as posições extremadas exibidas em gravações de terceiros não traduzem as diretrizes oficiais de sua gestão.

A posição soberana do governo sul-africano reitera que os processos de reforma agrária e reparação histórica seguem os trâmites do debate legislativo, da Constituição e do Judiciário nacional, rebatendo qualquer tentativa de intervenção externa sobre a legislação do país.

]]>
https://jornalmaior.com/2026/09/16/eua-restringem-vistos-autoridades-sul-africanas/feed/ 2