O senador democrata Bernie Sanders e Steve Bannon, aliado do presidente Donald Trump, defenderam na terça-feira (15) restrições aos sistemas de inteligência artificial nos Estados Unidos. Os dois participaram de um mesmo evento em Washington.
A presença conjunta reuniu adversários políticos em torno de preocupações sobre os possíveis danos da tecnologia às pessoas. O debate ocorre enquanto os riscos associados à inteligência artificial ganham espaço também fora dos Estados Unidos.
Evento reúne rivais políticos
Sanders e Bannon estão em campos opostos da política americana, mas compartilharam críticas à condução do debate sobre inteligência artificial. A convergência evidenciou uma aliança incomum em torno da necessidade de limites para a tecnologia.
O encontro também destacou como as discussões sobre inteligência artificial e data centers têm atravessado divisões partidárias nos Estados Unidos. As preocupações envolvem possíveis efeitos da expansão tecnológica sobre a sociedade.
Pesquisas recentes apontaram que a maioria dos americanos teme que a inteligência artificial seja usada para eliminar empregos, elevar os custos para as famílias ou provocar outros danos sociais.
Sanders cobra regras obrigatórias
Ao falar primeiro no evento, Sanders alertou para o avanço dos riscos relacionados à inteligência artificial e defendeu que o setor seja submetido a regras obrigatórias de segurança.
O Congresso não deveria aprovar leis que impeçam os estados de aplicar suas próprias regras para a tecnologia”
Steve Bannon, aliado de Donald Trump, em seu podcast
O senador, que se define como socialista democrático, também criticou a concentração do controle da tecnologia entre executivos do setor. A manifestação foi aplaudida pelo público presente.
Entre os nomes citados por Sanders estava Elon Musk, CEO da SpaceX e ex-assessor de Trump. O senador associou a concentração de poder na área tecnológica à necessidade de ampliar a supervisão sobre os sistemas de IA.
Bannon defende autonomia estadual
Bannon criticou a forma como Trump trata a supervisão da inteligência artificial. Antes do evento, em seu podcast de segunda-feira, ele se opôs a medidas federais que restrinjam a capacidade dos estados de estabelecer normas próprias para a tecnologia.
Ex-estrategista da Casa Branca durante o primeiro governo Trump, Bannon defendeu que os estados possam aplicar suas próprias regras. Sua posição contrasta com iniciativas que poderiam concentrar a regulação no Congresso.
A defesa da autonomia estadual se soma às críticas de Bannon à abordagem do governo federal para a inteligência artificial, embora sua proposta tenha foco distinto da cobrança de Sanders por padrões obrigatórios de segurança.
Trump rejeita nova moratória
Trump minimizou na segunda-feira as preocupações manifestadas por líderes do setor no fim de semana sobre o uso indevido da inteligência artificial. O presidente afirmou que os Estados Unidos já dispõem de mecanismos de proteção para a tecnologia.
Na terça-feira, o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, apoiou a posição de Trump. O republicano disse que uma moratória sobre o desenvolvimento da inteligência artificial poderia comprometer a vantagem competitiva americana diante da China.
Johnson também afirmou que empresas do setor podem se autorregular. A avaliação se opõe à defesa de Sanders por regras obrigatórias e mantém em disputa o alcance da supervisão sobre a inteligência artificial nos Estados Unidos.


