Nona morte de mulher amplia investigação sobre crimes em Ekurhuleni

Polícia sul-africana reforça equipes e tenta esclarecer se os casos registrados desde julho têm ligação entre si

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Equipes policiais e de perícia atuam em Boksburg após a descoberta do corpo de uma mulher em 17 de setembro de 2026.Emmanuel Croset/AFP
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A polícia da África do Sul ampliou nesta quinta-feira, 17 de setembro, a investigação sobre uma série de mortes de mulheres em Ekurhuleni, região metropolitana a leste de Joanesburgo, após a descoberta de um nono corpo em dois meses. A vítima mais recente foi localizada em Dawn Park, na área de Boksburg, e ainda não havia sido oficialmente identificada nas primeiras horas da apuração.

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a mulher aparentava ter cerca de 30 anos. Os indícios preliminares apontam que o corpo pode ter sido deixado no local depois da morte. A polícia ainda não confirmou se todos os casos têm relação direta entre si, mas as semelhanças encontradas em parte das ocorrências levaram à formação de uma equipe multidisciplinar.

O número de vítimas chegou a nove desde julho, em diferentes pontos de Ekurhuleni, o que aumentou a pressão por respostas rápidas e por reforço da segurança na região.

Polícia reforça investigação

O Serviço de Polícia da África do Sul informou que investigadores, peritos e especialistas foram mobilizados para trabalhar de forma conjunta. O objetivo é reconstruir os últimos passos das vítimas, cruzar informações entre os locais onde os corpos foram encontrados e identificar possíveis padrões.

As autoridades também ampliaram patrulhas e ações de presença policial em áreas consideradas sensíveis. Em Kempton Park, um dos pontos onde ocorreram descobertas recentes, houve bloqueios viários e reforço de efetivo.

A polícia fez ainda um apelo à população para que qualquer informação relevante seja encaminhada aos canais oficiais. O governo reforçou que denúncias podem ser feitas de forma confidencial.

Casos ocorreram desde julho

A primeira ocorrência da sequência sob investigação foi registrada em julho. Desde então, corpos de mulheres foram encontrados em áreas como Kempton Park, Rhodesfield, Olifantsfontein, KwaThema e Boksburg.

Algumas vítimas foram localizadas nuas ou parcialmente vestidas, e parte dos corpos apresentava sinais de violência. Apesar dessas semelhanças, a polícia evita afirmar que há um único responsável ou que todos os crimes foram cometidos pelo mesmo grupo.

Entre as vítimas já identificadas estão Elizabeth Moselakgomo, de 38 anos, e Dineo Evelyn Motapane, também de 38. A identificação de outras mulheres ainda depende do trabalho forense e da comunicação com famílias que procuram parentes desaparecidos.

Autoridades evitam conclusão

Uma das principais linhas de trabalho é verificar se existe conexão entre os crimes. A hipótese de um assassino em série foi levantada publicamente devido à proximidade temporal e a características semelhantes de algumas ocorrências, mas a polícia ressalta que essa possibilidade ainda não foi comprovada.

Também está sendo considerada a possibilidade de crimes sem relação direta, inclusive ações de imitadores. A investigação busca diferenciar evidências concretas de coincidências que podem surgir em casos registrados em uma mesma região.

Um homem foi preso em ligação com o primeiro caso registrado em julho, mas as autoridades não apresentaram até agora elementos que permitam atribuir a ele responsabilidade pelas demais mortes.

Violência gera mobilização

A sucessão de casos provocou reação de organizações civis, grupos de mulheres e associações esportivas. A morte de Elizabeth Moselakgomo ganhou grande repercussão depois que corredores divulgaram pedidos de ajuda nas redes sociais quando ela desapareceu.

A África do Sul enfrenta há anos altos índices de violência contra mulheres. O tema voltou ao centro do debate público à medida que novas vítimas foram encontradas e moradores passaram a cobrar medidas adicionais de proteção.

O governo sul-africano afirmou que a investigação será tratada como prioridade. Enquanto os peritos avançam na análise dos casos, a polícia mantém o apelo para que familiares comuniquem desaparecimentos rapidamente e para que a população evite divulgar informações não confirmadas ou imagens gráficas nas redes sociais.

WhatsAppFacebook
Share This Article
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *