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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) em três dos quatro blocos do debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), segundo a avaliação do cientista político Antonio Lavareda. O pesquisador descreveu uma vitória clara, mas não esmagadora, e ressaltou que o desempenho televisivo não permite antecipar o resultado do segundo turno.

Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, atribuiu uma pequena vantagem ao senador no primeiro bloco. Na sequência, considerou que Lula foi superior no segundo e no terceiro e abriu a maior diferença na etapa final. Trata-se de uma leitura analítica do desempenho dos participantes, não de uma pesquisa de opinião com espectadores.

Lavareda aponta três blocos

O encontro foi o segundo debate entre os presidenciáveis neste segundo turno, após o confronto promovido pela Band em 18 de outubro. Segundo o analista, Flávio chegou à Globo mais preparado e disciplinado do que no encontro anterior, mas não conseguiu manter a iniciativa nos trechos que tiveram maior peso na avaliação geral.

O episódio integra a reta final de uma eleição na qual os candidatos procuram convencer eleitores com escolhas ainda abertas. Ambos haviam deixado de comparecer aos debates do primeiro turno, o que tornou os encontros diretos do segundo turno especialmente importantes para confrontar propostas e históricos.

Lula venceu o debate por margem clara, embora não esmagadora.”

Antonio Lavareda

Caso Ana Clara pesou

O momento mais forte de Lula, na avaliação de Lavareda, ocorreu quando ele confrontou o senador com o caso de Ana Clara, criança de cinco anos morta em Niterói, em 2021. Flávio integrou a defesa de um policial militar acusado de envolvimento no episódio; a acusação ainda depende de julgamento. O presidente levou a mãe da menina ao debate.

Ao responder, Flávio prestou solidariedade à família, mas chamou a mãe pelo nome da criança. O cientista político entendeu que a troca de nomes e a insistência do senador em defender a inocência do policial contribuíram para colocá-lo em uma posição defensiva.

Lavareda também destacou a discussão sobre a licença-maternidade e o ataque do senador aos nove dedos de Lula, ligado à deficiência física do presidente. Na análise, o petista conseguiu levar o adversário a admitir um erro em uma votação e a pedir desculpas pela provocação pessoal.

O debate pode produzir alguns décimos ou até cerca de um ponto de movimento.”

Antonio Lavareda

Economia ajudou o senador

Flávio teve melhor desempenho, segundo o pesquisador, nos temas relacionados ao preço dos alimentos, aos juros, ao endividamento das famílias e à segurança pública. O candidato do PL também enfatizou a proposta de retomada de territórios dominados por grupos criminosos, assunto que integra suas críticas à política de segurança do governo.

O analista reconheceu que o senador produziu frases simples, de circulação fácil nas redes sociais. Ao mesmo tempo, criticou o uso repetido de bordões, a presença de informações imprecisas e a falta de detalhamento do chamado tesouraço, proposta de corte de gastos mencionada pelo candidato.

Lula, por sua vez, começou o confronto com sinais de irritação e dificuldades na administração do tempo, de acordo com Lavareda. A partir do segundo bloco, relacionou sua trajetória pessoal a programas sociais e passou a citar medidas nas áreas de renda, crédito e educação, movimento que o pesquisador considerou favorável ao desempenho do presidente.

Votos seguem indefinidos

Lavareda avaliou que o saldo do encontro pode favorecer Lula especialmente entre mulheres, indecisos e eleitores menos identificados com campos ideológicos. Ressalvou, porém, que Flávio preservou o apoio de sua base, mesmo após perder oportunidades de ampliar sua competitividade na reta final.

O cientista político estimou que o efeito do debate poderia representar variação de alguns décimos ou aproximadamente um ponto, sem assegurar direção ou magnitude real do voto. A circulação posterior de cortes nas redes sociais e a verificação das falas dos participantes também poderiam influenciar a recepção do confronto.

No primeiro turno, Flávio somou 47,03% dos votos e Lula obteve 45,16%. Pesquisa Datafolha divulgada em 22 de outubro apontou empate de 50% a 50% nos votos válidos do segundo turno, dentro da margem de erro. A votação decisiva está marcada para domingo, 25 de outubro.

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