Uma orientação para reduzir o desempenho do Starshield, sistema de comunicações por satélite utilizado pelas forças ucranianas, teria partido de dentro da Casa Branca. A informação foi atribuída pela Reuters a duas autoridades americanas e a uma autoridade ocidental com conhecimento do assunto.
Os relatos indicam que dirigentes do Departamento de Defesa dos Estados Unidos foram informados de que o serviço militar fornecido pela SpaceX deveria funcionar com limitações. As fontes não identificaram a pessoa que autorizou a medida nem esclareceram quem conduziu sua implementação.
Fontes apontam para a Casa Branca
O episódio ganhou importância operacional porque as comunicações por satélite são utilizadas em drones e em atividades militares na guerra contra a Rússia. Uma redução de desempenho pode afetar a orientação de equipamentos empregados em operações no terreno.
Uma autoridade de alto escalão do governo americano disse, contudo, que o presidente Donald Trump não fez tal solicitação. A Casa Branca não esclareceu se outro integrante da administração teria transmitido uma orientação semelhante, segundo a reportagem da Reuters.
Receptores apresentaram limitações
Autoridades da Ucrânia informaram que receptores de uso militar deixaram de funcionar quando instalados em objetos que se deslocavam em velocidades elevadas. A restrição teria prejudicado drones que dependem da conexão para sistemas de orientação durante missões.
Um representante do Ministério da Defesa ucraniano declarou, na quinta-feira (15), que os equipamentos voltaram a operar durante o deslocamento, mas apenas até cerca de 160 quilômetros por hora. A informação descreve uma melhora parcial, não a retirada integral dos limites.
As autoridades relataram dificuldades tanto em missões contra forças e estruturas logísticas russas em territórios ocupados quanto na operação de drones interceptadores. Estes são utilizados para enfrentar aeronaves não tripuladas lançadas pela Rússia.
O Starshield é voltado a clientes governamentais e militares e utiliza como base a infraestrutura da constelação Starlink. O Departamento de Defesa americano figura entre seus principais clientes, o que distingue sua administração da contratação comercial do serviço convencional.
Pressão dos EUA sobre ataques russos
A notícia surge em meio a pressões de Trump para que Kiev interrompa ataques a refinarias de petróleo russas. O presidente americano associa essas ações ao aumento dos preços da energia, tema sensível nos Estados Unidos antes das eleições legislativas de novembro.
Especialistas ouvidos na cobertura também apontam fatores adicionais para o encarecimento da energia, sobretudo o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetou instalações energéticas e o transporte de petróleo na região do estreito de Ormuz.
A proximidade entre a discussão energética e a limitação do sistema de satélites não prova, por si só, que uma medida foi tomada como resposta direta aos ataques ucranianos. A motivação específica da orientação atribuída à Casa Branca não foi esclarecida pelas autoridades citadas.
Quem controla o Starshield
Elon Musk, executivo da SpaceX, escreveu na rede X na quarta-feira (14) que o controle de utilização e das limitações da versão militar Starshield pertence ao governo americano. Segundo ele, decisões sobre velocidade e funcionamento caberiam aos militares dos Estados Unidos ou ao presidente.
A declaração de Musk não identifica quem teria ordenado a limitação relatada pelas fontes. Ela estabelece, porém, uma distinção entre as decisões sobre a infraestrutura comercial Starlink e as regras aplicadas à versão desenvolvida para defesa e segurança nacional.
A SpaceX, o Departamento de Defesa e a embaixada ucraniana em Washington não responderam aos pedidos de comentário descritos pela Reuters até a publicação da reportagem. A ausência dessas respostas deixa sem confirmação pública detalhes sobre a ordem e seu alcance.
O governo ucraniano relatou que os sistemas recuperaram parte da capacidade durante o deslocamento. Segundo o representante do Ministério da Defesa, a velocidade operacional informada após a mudança era de aproximadamente 160 quilômetros por hora.
