A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição total da comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso de lotes falsificados do gel hidratante intravaginal Hidrafemme e do antitranspirante Perspirex Strong. As medidas preventivas foram formalizadas em resoluções publicadas no Diário Oficial da União.
A decisão do órgão regulador ocorre após denúncias e averiguações sobre produtos que circulavam no mercado nacional sem a devida autenticidade. Empresas detentoras dos registros originais apontaram divergências graves nas características físicas e na rotulagem dos itens, motivando a intervenção federal para proteger os consumidores.
Fabricante aponta falhas no Hidrafemme
No caso do gel hidratante intravaginal Hidrafemme, a Helianto Farmacêutica identificou que unidades falsificadas estavam sendo comercializadas por meio da plataforma de marketplace Shopee. A empresa constatou que os produtos apresentavam discrepâncias alarmantes em relação às especificações originais de fábrica.
Entre as falhas apontadas na denúncia consta que a caixa do produto falsificado era menor do que a original. Além disso, os aplicadores incluídos no kit eram totalmente diferentes dos oficiais e sequer cabiam dentro da embalagem comercializada aos consumidores.
A investigação técnica também revelou que o rótulo da bisnaga consistia apenas em um papel impresso colado de forma rudimentar. A detentora do registro esclareceu que o código informado na embalagem fraudulenta, identificado como lot 2 2511006, não corresponde a nenhum lote fabricado ou comercializado no território brasileiro.
Empresa descarta lotes do Perspirex
A atuação da Anvisa também alcançou o antitranspirante Perspirex Strong após notificações envolvendo os lotes 614323 e 614326 do produto. A Megalabs Farmacêutica S.A., detentora do registro oficial, confirmou formalmente que não produziu os itens encontrados à venda.
Segundo os levantamentos da agência reguladora, os produtos irregulares estavam sendo disponibilizados por uma empresa desconhecida no mercado. Para tentar burlar a fiscalização, os responsáveis utilizavam indevidamente os dados cadastrais da farmacêutica legítima junto aos órgãos competentes.
Diante da confirmação de que os itens não possuem procedência segura, a Anvisa determinou o recolhimento de todas as unidades remanescentes no mercado. A medida visa impedir que a população utilize cosméticos sem garantia de controle de qualidade e eficácia.
Órgão determina recolhimento de itens
Com a publicação das resoluções no Diário Oficial, fica proibida qualquer atividade relacionada aos lotes fraudulentos, incluindo a comercialização em farmácias, comércios locais ou páginas da internet. Plataformas de comércio eletrônico e vendedores terceirizados devem interromper imediatamente a oferta dos itens.
A fiscalização sanitária orienta que os consumidores que tenham adquirido os produtos sob suspeita interrompam o uso de maneira imediata. Caso haja dúvidas sobre a autenticidade de itens de higiene pessoal, a recomendação é verificar os dados de fabricação e consultar os canais oficiais do órgão regulador.
As empresas responsáveis pelos registros originais reiteraram colaboração com as autoridades para rastrear a origem das fraudes. As tentativas de contato da reportagem com os fabricantes para obter novos posicionamentos sobre o caso não obtiveram retorno até o fechamento desta edição, mas o espaço segue aberto.
Mercado exige rigor contra fraudes
A circulação de produtos falsificados em plataformas de comércio eletrônico tem exigido maior rigor por parte dos órgãos de fiscalização e das próprias empresas detentoras de marcas no Brasil. Itens de saúde e cuidados pessoais exigem rigorosas condições de armazenamento e procedência certificada.
Especialistas em vigilância sanitária alertam que o uso de cosméticos e géis intravaginais sem controle laboratorial pode causar sérios riscos à saúde, incluindo reações alérgicas graves, infecções e irritações severas na pele e em mucosas sensíveis.
As autoridades reforçam que denúncias sobre a venda de produtos irregulares ou falsificados na internet podem ser encaminhadas aos canais de atendimento da Anvisa ou aos órgãos de defesa do consumidor de cada estado, auxiliando na retirada rápida de anúncios ilegais.


