A injeção de lenacapavir, medicamento de aplicação semestral usado na prevenção do HIV, teve preço máximo estabelecido em até R$ 20,9 mil por dose no Brasil. O teto foi definido na regulação nacional de preços de medicamentos, meses depois de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizar o uso preventivo da substância.
O valor autorizado não significa que o produto já esteja disponível nas farmácias, nem representa preço obrigatório de venda. Também não há incorporação automática ao Sistema Único de Saúde: uma eventual oferta gratuita depende de análise específica e de decisão do Ministério da Saúde.
Preço é teto regulatório
O limite de R$ 20,9 mil foi divulgado como preço máximo por dose do medicamento. Na prática, valores efetivamente praticados podem depender do canal de comercialização, de negociações e da disponibilidade do produto no país.
Como o esquema envolve aplicações com intervalo de seis meses, o gasto com as doses é um elemento importante na discussão sobre acesso. Entretanto, não é possível transformar o teto unitário em custo exato de tratamento sem considerar apresentação, protocolo médico e condições de fornecimento.
A Gilead Sciences, responsável pelo medicamento, ainda precisa viabilizar a distribuição comercial brasileira. Por isso, autorização sanitária e preço regulado são etapas distintas da chegada efetiva do produto aos pacientes.
O lançamento de uma nova opção de profilaxia não altera a necessidade de avaliação médica e testagem. Pessoas interessadas na prevenção devem recorrer aos serviços de saúde para conhecer os métodos atualmente disponíveis.
Anvisa autorizou uso preventivo
A Anvisa publicou em 12 de janeiro de 2026 a ampliação de indicação do Sunlenca, nome comercial do lenacapavir, para profilaxia pré-exposição, também conhecida como PrEP. A finalidade é reduzir o risco de infecção pelo HIV-1 adquirido sexualmente.
Segundo o registro sanitário, o medicamento pode ser indicado a adultos e adolescentes a partir de 12 anos que pesem pelo menos 35 quilos e apresentem risco de adquirir HIV. A avaliação clínica individual continua necessária.
Antes de iniciar o esquema, o paciente deve ter resultado negativo em teste de HIV-1. A exigência é relevante porque a estratégia preventiva se destina a pessoas que não vivem com a infecção.
Aplicação ocorre duas vezes ao ano
O lenacapavir amplia as possibilidades da profilaxia pré-exposição ao permitir aplicações semestrais. A alternativa pode reduzir a dependência de comprimidos diários em pessoas que encontram dificuldade para manter uma rotina contínua.
A PrEP já é utilizada no Brasil com medicamentos de administração oral, conforme indicação e acompanhamento pelos serviços de saúde. O regime adequado varia de acordo com as características clínicas e as orientações de cada protocolo.
Estudos clínicos apresentados na avaliação regulatória mostraram desempenho elevado do lenacapavir na prevenção do HIV. Resultados de estudos, porém, não autorizam prometer proteção absoluta a qualquer pessoa ou situação.
SUS ainda depende de avaliação
Para integrar a rede pública brasileira, uma nova tecnologia precisa passar por avaliação de incorporação, que considera evidências científicas e impacto econômico. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec, participa desse processo.
O Ministério da Saúde estuda a possibilidade de incluir o lenacapavir nas estratégias preventivas, especialmente para públicos com maior dificuldade de adesão ao medicamento diário. Até a conclusão desse caminho, não há garantia de fornecimento universal.
Um acordo envolvendo a farmacêutica Gilead e a Organização Pan-Americana da Saúde abre possibilidades de ampliação de acesso na América Latina. Preço de aquisição, prazos e critérios de distribuição ao Brasil, contudo, precisam ser confirmados em anúncios específicos.
A população pode procurar unidades do SUS para obter orientação sobre testagem, preservativos e as modalidades de prevenção do HIV atualmente oferecidas, sem aguardar o lançamento comercial de um novo produto.
