Dez integrantes da torcida organizada Bamor, principal facção vinculada ao Esporte Clube Bahia, foram presos preventivamente nesta segunda-feira (28) durante uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), vinculado ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). A ação policial teve como foco desarticular esquemas de violência extrema e resultou no cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Entre os alvos detidos na operação estão o presidente da torcida, Matheus Castro, e o vice-presidentes Luciano Venâncio. As investigações conduzidas pelo Ministério Público apontam que os suspeitos utilizavam a própria sede da torcida organizada como um centro de coerção, onde as vítimas eram submetidas a sessões sistemáticas de violência física e psicológica antes de terem bens roubados ou valores extorquidos.
Sede usada para tortura
Os relatos detalhados nas apurações do Gaeco revelam um cenário de extrema brutalidade dentro das instalações da Bamor. Conforme os documentos da investigação, as agressões incluíam práticas de tortura como sufocamento com saco plástico, afogamento com auxílio de pano e água, além de perfurações nas mãos e queimaduras em partes do corpo das vítimas.
Para a execução dos castigos físicos, o grupo contava com diversos instrumentos apreendidos pelas autoridades durante as diligências. Entre os materiais recolhidos na sede da organizada estão tacos de beisebol, martelos e facas, que seriam empregados para intimidar e lesionar aqueles que desagradavam à cúpula da facção.
Além das agressões corporais severas, os suspeitos direcionavam ameaças explícitas aos familiares das vítimas para garantir o silêncio e a impunidade dos atos. Em pelo menos um dos episódios mapeados pelos investigadores, houve o roubo do aparelho celular da vítima e o constrangimento mediante coação para a realização de transferências financeiras via sistema bancário.
Gaeco apreende armas e bens
Durante o cumprimento dos 15 mandados de busca e apreensão, os agentes do Ministério Público e das forças de segurança recolheram farto material na sede da torcida e em locais ligados aos investigados. Foram apreendidos dispositivos eletrônicos, documentos variados, armas de fogo, munições e diversos bens pertencentes às vítimas dos ataques.
O material apreendido passa agora por perícia técnica para subsidiar a continuidade das investigações e comprovar a materialidade dos delitos atribuídos aos membros da cúpula da organizada. A ofensiva do Gaeco busca desmantelar a estrutura de associação criminosa que utilizava a fachada de torcida para práticas de violência urbana e extorsão.
As autoridades continuam as apurações para identificar eventuais coautores dos crimes e verificar se outros torcedores sofreram abordagens semelhantes nos arredores ou no interior da sede. A atuação rigorosa do Ministério Público reflete o esforço institucional para coibir ações criminosas associadas ao cotidiano de facções de torcidas no estado.
Crimes e investigação criminal
O inquérito conduzido pelo Ministério Público da Bahia enquadra os dez suspeitos em múltiplos crimes graves, incluindo tortura, roubo qualificado, extorsão, ameaça e associação criminosa. A complexidade do caso exigiu uma operação integrada para garantir o afastamento cautelar dos principais líderes da Bamor e prevenir novas intimidações a testemunhas.
A prisão preventiva do presidente e do vice da torcida representa um revés significativo para a estrutura de comando da organizada. A Justiça acolheu os pedidos formulados pelo Gaeco diante dos indícios robustos de reiteração delitiva e do risco concreto à integridade de terceiros envolvidos nas denúncias apuradas.
O desdobramento judicial do caso deve avançar nos próximos dias com a análise do material eletrônico e o depoimento formal dos suspeitos custodiados. Enquanto o processo tramita nas instâncias competentes, o Esporte Clube Bahia não divulgou um posicionamento oficial detalhado sobre o impacto institucional das prisões na dinâmica do clube.
Medidas de segurança esportiva
A operação policial evidencia os riscos associados a desvios de conduta no âmbito das torcidas organizadas do futebol brasileiro, tema que tem motivado ações coordenadas de repressão por parte de órgãos de segurança pública e do Ministério Público em diversos estados. O combate ao crime organizado no esporte busca separar a paixão clubística de práticas delituosas graves.
Especialistas em segurança pública apontam que a responsabilização criminal de lideranças de torcidas organizadas é um passo essencial para enfraquecer redes de extorsão e violência que operam à margem da lei. A perda de controle sobre sedes sociais tem sido alvo frequente de intervenções judiciais para evitar que espaços coletivos sirvam de refúgio para crimes.
Com o encerramento da primeira fase ostensiva da operação, o foco da força-tarefa volta-se para a consolidação das provas e a formalização das denúncias perante o Poder Judiciário. A expectativa é que o rigor na apuração sirva de desestímulo a novas práticas de violência no ambiente das arquibancadas baianas.


