Como presos da Interpol tentaram escapar de presídio de segurança máxima

Holandês e colombiano renderam agente e pularam o muro em Bangu antes de serem interceptados pelas forças de segurança

Da
Redação
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Complexo Penitenciário de Gericinó, localizado em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.
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Dois presos estrangeiros protagonizaram uma fuga na manhã deste sábado (26) no Presídio Joaquim Ferreira de Souza, localizado em Bangu, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro. O holandês Gerel Lusiano Palm e o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez conseguiram render um policial penal e pularam o muro da unidade de segurança máxima, mas a tentativa de evasão foi frustrada rapidamente pelas forças de segurança do estado.

Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen), os dois detentos foram imediatamente recapturados ainda na área interna do complexo prisional. O policial penal rendido durante a ação não sofreu ferimentos graves. A Corregedoria da Seppen informou que um procedimento administrativo será instaurado para apurar todas as circunstâncias e falhas que permitiram a fuga dos presos estrangeiros.

Polícia investiga histórico de periculosidade

Ambos os detentos envolvidos na ocorrência possuem fichas criminais extensas e figuravam em listas internacionais de procurados. Gerel Lusiano Palm foi preso originalmente pela Polícia Federal em julho de 2021, em um apartamento de luxo na Barra da Tijuca. O nome dele constava na Difusão Vermelha da Interpol devido a condenações por tentativa de homicídio e porte ilegal de armas na Holanda, além de ser alvo do DEA por investigações de tráfico internacional de drogas.

Já o colombiano Juan Estebán Avendaño Perez foi capturado em dezembro de 2022 durante uma operação conjunta entre as polícias Civil e Federal na comunidade da Muzema. Ele era considerado suspeito de integrar o Cartel de Medellin e acumulava condenação na Colômbia pela morte de um policial ocorrida em 2010. O histórico de ambos motivou a transferência para unidades de rigorosa vigilância no sistema penitenciário fluminense.

As autoridades competentes reforçam que o monitoramento sobre alvos de alta periculosidade segue em constante avaliação para evitar novos episódios de vulnerabilidade nas unidades prisionais. A rápida mobilização dos agentes no perímetro evitou que os criminosos chegassem a abandonar a área externa circundante de Gericinó.

Esquema revela facilitação e corrupção

As conexões do traficante holandês com o crime organizado e agentes públicos já haviam sido alvo de operações de grande repercussão nos tribunais brasileiros. Em março, o Supremo Tribunal Federal decretou a prisão preventiva de diversos investigados, incluindo policiais e o ex-secretário estadual de Esportes Alessandro Pitombeira Carracena, sob a suspeita de integrarem uma rede de apoio ao grupo criminoso.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Federal, a estrutura contava com a participação de articuladores para garantir facilidades e tratamento privilegiado ao estrangeiro dentro do sistema. A apuração apontou o envolvimento de delegados, policiais penais e advogados em esquemas de corrupção e repasse de vantagens indevidas para blindar o detento de alta periculosidade.

O inquérito detalhou ainda que o grupo utilizava influências políticas e operacionais para intermediar benefícios ilícitos. A atuação coordenada entre diferentes setores do serviço público e operadores privados facilitava a permanência de detentos estrangeiros em condições diferenciadas dentro do complexo prisional fluminense.

Autoridades reforçam medidas de segurança

Após a recaptura bem-sucedida, os dois estrangeiros foram encaminhados para delegacias da região para o registro formal da ocorrência e adoção das providências legais cabíveis. A direção do sistema prisional avalia novas medidas de contenção para evitar episódios semelhantes nas unidades que abrigam alvos da Interpol e membros de cartéis internacionais.

A Secretaria de Polícia Penal ressaltou que a resposta rápida das equipes de plantão impediu que os detentos deixassem o perímetro do Complexo de Gericinó. As autoridades continuam monitorando os desdobramentos administrativos e criminais da fuga frustrada, enquanto o caso segue sob investigação rigorosa dos órgãos corregedores do estado.

As diligências prosseguem para identificar se houve suporte externo ou colaboração pontual durante a ação registrada no Presídio Joaquim Ferreira de Souza. O reforço no policiamento interno visa mitigar riscos operacionais em áreas críticas do sistema penitenciário carioca.

Desdobramentos e investigações oficiais

As autoridades policiais seguem colhendo depoimentos e analisando imagens de câmeras de segurança para esclarecer todos os pontos da dinâmica da fuga registrada neste sábado. O avanço das diligências busca determinar eventuais responsabilidades adicionais de funcionários ou colaboradores que possam ter facilitado a movimentação dos presos pela estrutura do presídio em Bangu.

O rigor na apuração administrativa e criminal é considerado prioritário pelas corregedorias envolvidas no caso. A adoção de protocolos mais rígidos de vigilância para detentos de alta periculosidade permanece no centro das discussões estratégicas da Secretaria de Estado de Polícia Penal para evitar brechas futuras.

A repercussão do episódio reforça a necessidade de constante fiscalização sobre os procedimentos adotados nas unidades de segurança máxima do estado do Rio de Janeiro. Órgãos de controle continuam acompanhando de perto os desdobramentos judiciais e operacionais decorrentes da tentativa de evasão frustrada no complexo penitenciário.

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