A ex-vereadora Verônica Costa, famosa como Mãe Loira do Funk, foi capturada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (24/9) em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, para cumprir pena definitiva. A localização aconteceu em uma área do distrito de Araras após buscas iniciadas no dia anterior.
Com o esgotamento dos recursos judiciais, a 16ª Vara Criminal expediu o mandado de prisão com pena de 10 anos e oito meses em regime inicialmente fechado. Outros três familiares condenados pelo mesmo crime também foram alvos da operação policial.
Polícia cumpre mandado em Petrópolis
Os agentes da Polícia Civil intensificaram as buscas por Verônica Costa depois de não a encontrarem em um endereço situado na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. Com a ausência no local indicado inicialmente, a ex-vereadora passou a ser tratada pelas autoridades como foragida até ser localizada na Região Serrana.
A captura em Petrópolis encerra uma fase de diligências para cumprir o mandado decorrente da condenação em última instância. Além de Verônica, a ofensiva policial cumpriu mandados contra outros alvos cujas penas também haviam sido estabelecidas pelo Poder Judiciário em decorrência do mesmo processo criminal.
A investigação e o desdobramento judicial arrastaram-se por mais de uma década, envolvendo recursos em diferentes instâncias até alcançar a definitividade. O cumprimento da pena em regime fechado foi determinado de imediato pelos órgãos competentes logo após a localização da ex-vereadora.
Ex-marido relata agressão em 2011
O caso que resultou na condenação teve início em fevereiro de 2011, quando o ex-marido de Verônica, Márcio Costa, registrou uma ocorrência policial relatando agressões. Na época, ele afirmou ter sido imobilizado, amordaçado e submetido a violência durante cerca de 20 horas no interior de um imóvel.
Segundo o relato apresentado às autoridades policiais, familiares da então vereadora teriam participado diretamente das agressões e da imobilização. O episódio ganhou grande repercussão pública na época, dividindo atenções entre a trajetória artística da pioneira do funk e o escândalo policial.
Durante todas as etapas do processo judicial, a defesa de Verônica Costa negou veementemente as acusações e sustentou a inocência da ex-vereadora. Os advogados argumentaram que a condenação carecía de respaldo probatório suficiente, mas os recursos foram esgotados nos tribunais superiores.
Tribunal amplia pena para familiares
Em primeira instância, o processo resultou em uma sentença de cinco anos e dez meses de reclusão proferida em 2019. Contudo, o Ministério Público recorreu da decisão, levando o caso para a apreciação da segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça ampliou a punição para 10 anos e oito meses de prisão, determinando também a perda definitiva do mandato de vereadora de Verônica. A decisão colegiada estabeleceu o regime fechado para o início do cumprimento da pena.
Outros parentes da ex-vereadora também foram severamente apenados no mesmo processo. Entre eles estão o irmão Bruno Chaves Ribeiro, condenado a 10 anos e oito meses, além de Tatiane Chaves Ribeiro, Bruno Marcelo Bahia Marques e Sebastião de Oliveira Evangelista, cujas penas alcançaram 10 anos de reclusão.
Verônica abandona vida pública
Antes de ingressar na vida política e conquistar um mandato eletivo, Verônica Costa alcançou notoriedade nacional nos anos 2000. Ela se consolidou como uma das principais impulsionadoras e pioneiras do movimento funk no estado do Rio de Janeiro, recebendo a alcunha de Mãe Loira do Funk.
A popularidade conquistada nos palcos e na produção cultural serviu de base para sua transição para a política institucional, onde atuou como parlamentar municipal. No entanto, o envolvimento no processo criminal e a posterior condenação definitiva alteraram abruptamente sua trajetória pública.
Com o trânsito em julgado e a execução da pena imposta pela Justiça, a ex-vereadora retira-se definitivamente da vida pública para cumprir a reclusão em regime fechado, acompanhada por outros familiares envolvidos nos desdobramentos judiciais do caso.


