A Polícia Civil do Ceará prendeu preventivamente nesta terça-feira (22) João Munhoz Neto, de 34 anos, apontado como principal investigado pela morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos. A captura ocorreu no bairro Aldeota, localizado na capital cearense, em uma operação que mobilizou diferentes delegacias especializadas do estado para esclarecer o óbito registrado no último dia 13 de setembro.
A investigação é conduzida de forma conjunta pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, pela 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O suspeito havia prestado depoimento na segunda-feira (21) e foi ouvido novamente pelas autoridades policiais logo após a efetivação da ordem de prisão preventiva.
A corporação policial pontua que novas oitivas devem ser realizadas nos próximos dias para complementar o conjunto probatório. A família da estudante acompanha os desdobramentos do caso por meio de representação jurídica e cobra rigor na elucidação dos fatos que resultaram na morte da jovem em Fortaleza.
Polícia recolhe provas materiais
Equipes técnicas realizaram diligências minuciosas desde a noite da ocorrência, inspecionando o apartamento, o terraço do edifício e a área externa onde o corpo foi encontrado. A apuração policial também recolheu e analisa diversos itens, como aparelhos celulares, dispositivos eletrônicos e registros de câmeras de segurança instaladas nas proximidades do local.
Além do companheiro da vítima, outras sete pessoas já prestaram depoimento à força-tarefa montada pela segurança pública cearense para apurar o ocorrido. As autoridades policiais informam que o inquérito segue em ritmo acelerado para esclarecer todas as circunstâncias da queda que vitimou a jovem no condomínio onde o caso aconteceu.
A defesa constituída do suspeito ainda não havia retornado aos contatos feitos até o fechamento desta apuração inicial. O espaço permanece aberto para manifestações formais dos advogados de defesa de João Munhoz Neto.
Perícia aponta politraumatismo
A perícia técnico-científica produziu dez laudos oficiais até a última terça-feira, enquanto outros três procedimentos complementares continuam em fase de conclusão. Os documentos já finalizados incluem exames necroscópicos, análises de local e testes laboratoriais toxicológicos solicitados pela autoridade policial.
O laudo pericial oficial determinou que a causa determinante do óbito foi politraumatismo, com lesões corporais compatíveis com o forte impacto sofrido contra o solo. Os exames laboratoriais toxicológicos realizados no corpo da vítima apresentaron resultado totalmente negativo para a presença de substâncias entorpecentes ou alucinógenas.
O prazo estimado para a entrega final dos três laudos restantes é de dez dias úteis, conforme informaram os órgãos periciais responsáveis. O material técnico já foi integralmente anexado aos autos do inquérito policial para subsidiar os trabalhos conduzidos pelo Grupo Especial de Investigação e demais delegacias.
Família relata comportamento controlador
Isabelle Caracristi e o investigado mantinham um relacionamento afetivo havia cerca de dois meses. Os dois se conheceram em julho, após a estudante ingressar como estagiária em um escritório de advocacia onde o homem de 34 anos já trabalhava como profissional da área.
A família da jovem revelou que mantinha postura contrária ao namoro e percebeu sinais de isolamento e afastamento da estudante em relação ao convívio com parentes e amigos próximos. Parentes descreveram o comportamento do companheiro como controlador e obsessivo ao longo dos meses em que durou o vínculo.
O caso ganhou grande repercussão pública após a mãe da estudante, a professora Isorlanda Caracristi, publicar um vídeo nas redes sociais pedindo justiça. Ela relatou que a família apenas soube da tragédia no dia seguinte, ao ir pessoalmente ao condomínio após notar a falta de respostas às mensagens enviadas.
Perícia calcula horário da morte
De acordo com o relato da mãe, Isabelle enviou mensagens carinhosas por volta das 19h do dia 13 de setembro, incluindo a frase em que declarava afeto à família antes de o contato ser interrompido abruptamente pelas circunstâncias da noite.
A estimativa preliminar elaborada pelas equipes de perícia criminal aponta que o óbito da estudante ocorreu por volta das 20h40 daquela mesma data. O intervalo entre o último contato digital com a família e a morte calculada pelos peritos foi de aproximadamente uma hora e quarenta minutos.
As autoridades continuam a cruzar os dados obtidos por meio dos depoimentos e das análises técnicas para fechar o escopo temporal dos acontecimentos no interior do edifício em Fortaleza.


