Vereador Jorge Canella é preso pela PF com fuzil e submetralhadora no Rio

Ação da Polícia Federal na Barra da Tijuca ocorreu durante a sétima fase da Operação Unha e Carne, que investiga vínculos entre políticos e o crime organizado

Da
Redação
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Operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro resultou na prisão em flagrante do vereador Jorge Canella.
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A Polícia Federal prendeu em flagrante nesta terça-feira (22) o vereador do Rio de Janeiro Jorge Canella (União Brasil) sob suspeita de posse irregular de armas de fogo de uso restrito. Os agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão e encontraram dois fuzis e uma submetralhadora na residência do parlamentar, localizada na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense.

A operação policial faz parte da sétima fase da Operação Unha e Carne, principal frente da corporação para apurar relações entre agentes políticos e o crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Além da residência na zona oeste, os policiais cumpriram mandados no gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e em endereços ligados a ele no Recreio dos Bandeirantes.

Segundo a assessoria da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, os agentes federais realizaram diligências no gabinete do parlamentar, mas nenhum material ilícito foi apreendido no local. Após a prisão em flagrante na residência da Barra da Tijuca, Jorge Canella foi encaminhado para a superintendência da Polícia Federal, situada na região central da capital fluminense, onde responderá formalmente pelo crime de posse ilegal de armamento restrito.

Operação mira conexões políticas

A nova fase da investigação aprofunda o escrutínio sobre alianças políticas no estado e suas supostas ligações com atividades criminosas. As apurações anteriores da Operação Unha e Carne já haviam resultado em desdobramentos de grande repercussão no cenário político fluminense, atingindo figuras com mandatos e forte atuação na região metropolitana.

Entre os alvos de etapas passadas da investigação figuram nomes de peso da política estadual, como o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar e o deputado estadual Thiago Rangel. As autoridades buscam mapear uma rede de influências que conecta mandatos eletivos a esquemas ilícitos investigados pelas forças de segurança federais.

O avanço das diligências tem provocado forte reconfiguração nas articulações partidárias locais, especialmente em legendas envolvidas diretamente nas apurações. A cúpula nacional e estadual dos partidos monitora os desdobramentos jurídicos e políticos decorrentes das prisões sucessivas de aliados estratégicos.

Vínculos e histórico familiar

Jorge Canella é aliado político de Marcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, embora não possuam laços deparentesco. O padrinho político de Jorge também foi alvo da Polícia Federal em julho, quando acabou preso em flagrante após a localização de um fuzil no interior de seu veículo particular, sendo posteriormente solto por determinação do Supremo Tribunal Federal.

O histórico de articulações da família política inclui a expansão de bases eleitorais para além de Belford Roxo, alcançando a capital e outros municípios populosos da região metropolitana. Essa estratégia de ampliação de palanques ocorreu de forma articulada com lideranças partidárias nacionais empenhadas em fortalecer a presença na região.

As investigações apontam que a rede de influência construída por esses grupos políticos mobilizou diferentes setores da administração pública e órgãos estaduais ao longo dos últimos anos, o que motivou o cerco sistemático promovido pelos órgãos federais de persecução penal.

Repercussão e silêncio da defesa

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do vereador Jorge Canella informou que o gabinete parlamentar não vai se pronunciar sobre a prisão em flagrante e não repassou informações a respeito da constituição de defesa jurídica para o político detido.

O silêncio institucional contrasta com a gravidade das acusações e com o impacto imediato da operação sobre o mandato exercido na Câmara Municipal. Colegas de plenário e lideranças partidárias avaliam os danos políticos decorrentes da perda de liberdade do parlamentar durante o exercício do mandato.

As armas apreendidas na residência da Barra da Tijuca foram encaminhadas para perícia técnica na sede da Polícia Federal, enquanto o inquérito policial prossegue com novas diligências para esclarecer a origem do armamento restrito e eventuais coautores do esquema.

Desdobramentos eleitorais no estado

A sucessão de prisões e operações policiais impactou diretamente o tabuleiro eleitoral fluminense, forçando recuos em chapas majoritárias e reavaliações de candidaturas para o Parlamento e para o governo estadual. Alianças costuradas para o pleito precisaram ser revistas diante do desgaste institucional provocado pelas investigações.

O envolvimento de figuras centrais do cenário político fluminense em investigações sobre criminalidade organizada altera o equilíbrio de forças entre os principais partidos com atuação no estado. A movimentação das autoridades federais sinaliza que novas fases poderão atingir outros redutos eleitorais nos próximos meses.

A Justiça Federal deve analisar nos próximos dias os autos da prisão em flagrante para definir os rumos processuais do caso, incluindo a realização de audiência de custódia e a eventual conversão da prisão em preventiva, conforme os elementos reunidos pela força-tarefa policial.

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