A Polícia Civil do Estado de São Paulo abriu investigação para apurar a conduta do pai do menino Guilherme Correa Lima, de 1 ano e 8 meses, que morreu após ser atropelado na frente da própria residência. O caso ocorreu na tarde do último sábado na Rua Coriolano Pompeu de Campos, situada no bairro Jardim São Genaro, no município de Birigui.
Segundo as apurações iniciais conduzidas pela delegacia local, um veículo parou em frente ao imóvel para que o passageiro, que seria amigo do pai da vítima, conversasse com ele na calçada. Durante o diálogo, a criança acabou saindo da residência sem ser percebida pelos adultos e foi atingida pelo automóvel no momento em que o motorista retomou a marcha.
A polícia investiga se houve omissão por parte do pai
O inquérito policial foi inicialmente registrado no plantão da região como homicídio culposo na direção de veículo automotor, além de apurar a saída do local do acidente. O condutor do carro, de 35 anos, apresentou-se espontaneamente à delegacia dias depois, acompanhado por advogados, e prestou depoimento formal aos investigadores.
Delegado apura dever de guarda
Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Ícaro Oliveira Borges, titular do 1º Distrito Policial de Birigui, explicou que a linha investigativa passou a abranger o comportamento paterno. De acordo com o entendimento jurídico preliminar apresentado pela autoridade policial, a legislação estabelece o dever parental de guarda, proteção e cuidado constante com menores de idade.
Os investigadores buscam esclarecer se houve negligência ou omissão no momento em que a criança conseguiu acessar a via pública sem supervisão. Os pais do menino deverão ser formalmente intimados para prestar depoimento nos próximos dias, tão logo haja avanço nas diligências conduzidas pela polícia civil do estado.
Até o momento, nenhum dos envolvidos foi formalmente indiciado pelas autoridades policiais, que aguardam a conclusão de laudos periciais e a oitiva de novas testemunhas para definir os próximos passos do procedimento criminal instaurado na comarca.
Motorista nega intenção de fuga
O condutor do Hyundai Sonata envolvido no atropelamento apresentou versão oficial por meio de sua defesa ao se apresentar voluntariamente às autoridades policiais. O motorista alegou que não percebeu o atropelamento no instante em que deixou o local e pensou ter passado por cima de uma pedra ou de uma valeta ao sentir um solavanco.
A tese apresentada pelos advogados afasta a suposição de fuga intencional após o impacto que tirou a vida do menino. O passageiro que acompanhava o condutor, identificado como amigo do pai da vítima, também já foi ouvido formalmente pelos investigadores e figura no inquérito na condição de testemunha dos fatos.
A investigação busca confrontar os depoimentos prestados com imagens de câmeras de segurança instaladas nas imediações do endereço onde ocorreu a tragédia. Peritos analisam a dinâmica exata da saída do veículo e o posicionamento dos adultos no momento imediatamente anterior ao atropelamento.
Polícia analisa consumo de álcool
Outro ponto que integra o escopo das diligências policiais é a verificação sobre a eventual ingestão de bebida alcoólica pelo motorista antes do acidente. Os investigadores estiveram em um estabelecimento comercial do tipo depósito de bebidas, onde o condutor e o passageiro teriam estado antes de passarem pela residência da família.
A confirmação sobre a suposta embriaguez ao volante depende diretamente de laudos periciais definitivos e da análise minuciosa de imagens de monitoramento recolhidas no estabelecimento comercial visitado pelos ocupantes do carro. O material técnico subsidiará a decisão do delegado sobre eventuais responsabilidades criminais adicionais.
A morte do pequeno Guilherme gerou forte abalo na comunidade local. O corpo da criança foi velado no Memorial São Judas Tadeu e sepultado no Cemitério Municipal da Consolação, ambos localizados no município paulista, em cerimônia que reuniu familiares e moradores consternados.
Desdobramentos do inquérito policial
O inquérito policial segue em ritmo de oitivas e coleta de provas materiais para esclarecer todas as circunstâncias que envolveram o falecimento do menino. A autoridade policial enfatizou que o trabalho técnico exige cautela para examinar a responsabilidade civil e criminal de cada um dos envolvidos na tragédia urbana.
A expectativa é de que novos depoimentos sejam colhidos ao longo da semana, incluindo o acareamento de versões divergentes caso surjam contradições nos relatos prestados pelo motorista e pelas testemunhas oculares arroladas pelos investigadores do caso em São Paulo.
O caso permanece sob sigilo parcial inerente às diligências de homicídio culposo, enquanto o Ministério Público acompanha o andamento das peças informativas enviadas periodicamente pelo distrito policial encarregado da apuração no interior paulista.


