Kassio cobra partidos e diz que desigualdade barra mulheres no poder

Presidente do TSE cobrou dos partidos políticos condições reais para a permanência de mulheres na política durante lançamento de medidas contra a violência de gênero.

Da
Redação
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O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante evento de lançamento de medidas contra a violência política de gênero.
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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou durante evento oficial que a desigualdade de gênero ainda naturaliza a exclusão das mulheres dos espaços de poder na sociedade brasileira. A manifestação ocorreu no início da noite de terça-feira (22/9), no contexto do lançamento de novas iniciativas voltadas ao combate à violência política de gênero.

Durante a cerimônia, que contou com a formalização de acordos institucionais, o magistrado destacou que práticas discriminatórias recorrentes em diferentes setores acabam se refletindo de maneira direta no cenário partidário e eleitoral brasileiro.

O evento oficial marcou a assinatura de acordos estratégicos e a apresentação de ferramentas voltadas para a proteção do processo eleitoral e dos direitos políticos das mulheres em todo o país.

Ministro aponta exclusão feminina

O presidente do TSE ressaltou que a sociedade ainda reproduz comportamentos discriminatórios que impedem o avanço pleno das mulheres nos cargos de decisão e relevância pública. Segundo o magistrado, essas barreiras estruturais limitam a representatividade e afetam diretamente a qualidade da democracia representativa.

A autoridade judiciária enfatizou que os ataques direcionados às mulheres na política funcionam como mecanismos de silenciamento e exclusão sistêmica. Para o tribunal, o enfrentamento a esse cenário exige uma mudança profunda de postura em várias instâncias institucionais e sociais.

As declarações foram dadas diante de autoridades de diferentes órgãos do sistema de justiça e de representantes partidários reunidos na sede da Corte eleitoral.

Partidos devem garantir suporte

Durante o pronunciamento, Kassio cobrou das legendas partidárias ações concretas que ultrapassem a mera formalidade no registro de candidaturas femininas. O ministro pontuou que as estruturas partidárias precisam assegurar recursos e espaço político real para que as candidatas tenham competitividade efetiva.

A exigência abrange tanto a disputa eleitoral quanto o exercício cotidiano dos mandatos parlamentares e executivos conquistados nas urnas. O magistrado frisou que a permanência das mulheres nos cargos depende diretamente de amparo institucional e partidário contínuo.

A violência política de gênero não é apenas uma agressão contra uma mulher; é uma agressão contra a própria democracia.”

Kassio Nunes Marques

A cobrança visa combater práticas internas que dificultam a ascensão de lideranças femininas dentro das próprias siglas.

Não basta estimular formalmente a participação feminina; é necessário criar condições efetivas para que as mulheres possam participar, disputar, exercer mandatos e permanecer na política sem serem submetidas à violência e à discriminação.

Kassio Nunes Marques

Parceria combate desinformação

A solenidade também foi marcada pela apresentação da ferramenta Likeness ID, desenvolvida por meio de uma cooperação técnica entre o Tribunal Superior Eleitoral e a empresa Google. A tecnologia tem o objetivo de rastrear e identificar conteúdos sintéticos e deepfakes no YouTube que empreguem indevidamente a imagem de candidatos.

A medida busca blindar o pleito contra fraudes digitais sofisticadas que possam confundir o eleitorado ou desqualificar candidaturas de forma artificial. Especialistas técnicos detalharam o funcionamento do sistema durante a programação do evento institucional.

A iniciativa integra o conjunto de ações preventivas adotadas pela Justiça Eleitoral para o próximo ciclo de votação.

Campanha orienta a sociedade

Como parte das medidas anunciadas na mesma data, o Ministério Público Federal e a Justiça Eleitoral lançaram oficialmente a campanha institucional denominada Política é Substantivo Feminino. O projeto tem como foco principal conscientizar a população sobre as diversas manifestações de violência política de gênero.

As peças informativas detalham condutas ilícitas que configuram crime ou assédio contra mulheres no exercício de funções públicas ou durante a fase de campanha. O material será veiculado em diferentes plataformas para alcançar o eleitorado em âmbito nacional.

As instituições envolvidas reforçaram que os canais oficiais permanecem abertos para o recebimento de denúncias e registros de infrações eleitorais.

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