A Justiça revogou a prisão preventiva da delegada Layla Lima Ayub, da Polícia Civil de São Paulo, que estava detida sob a acusação de suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A soltura ocorreu na última sexta-feira, segundo confirmação obtida junto à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O processo judicial responsável pelo caso tramita sob sigilo.
A investigação que resultou na prisão da delegada teve início com a Operação Serpens, deflagrada em janeiro deste ano. A ação foi conduzida de forma conjunta pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de São Paulo e do Pará, além da Corregedoria-Geral da Polícia Civil. Na ocasião, Layla foi alvo das autoridades ao lado de seu namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel e apontado como uma liderança da facção criminosa na região Norte.
Segundo as apurações do Ministério Público de São Paulo, a recém-empossada delegada mantinha vínculos pessoais e profissionais com integrantes do crime organizado. A acusação aponta ainda que ela teria atuado de maneira irregular como advogada em audiência de custódia para presos de organizações criminosas, mesmo após já ter tomado posse em seu cargo público na corporação paulista.
Justiça revoga prisão preventiva da delegada
A defesa da investigada confirmou que a soltura ocorreu no final da última semana e que o caso segue sob segredo de justiça. Os advogados apontam que a prioridade agora é concentrar esforços na demonstração da inocência durante o andamento da ação penal instaurada contra ela.
O processo tramita em sigilo e impede a divulgação integral de todos os detalhes processuais em curso. No entanto, os registros iniciais apontam que a investigação avalia a conduta da policial desde o período anterior e posterior à sua posse na corporação estadual.
A revogação da prisão preventiva altera o status da investigada, permitindo que ela responda aos trâmites da Justiça em liberdade enquanto os recursos e argumentos da defesa são analisados pelo Poder Judiciário.
Operação policial revela elo com facção
A deflagração da Operação Serpens ocorreu em janeiro de 2026, mobilizando corregedorias e órgãos de persecução penal de diferentes estados. O objetivo inicial era desarticular esquemas de infiltração e conexões entre agentes públicos e o crime organizado.
Além da economia formal, o crime organizado tem se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de estado.”
Procurador-geral de Justiça Paulo Sérgio de Oliveira e Costa
As autoridades policiais identificaram que o companheiro da delegada possuía mandados e restrições judiciais pendentes, além de integrar o alto escalão de grupos criminosos atuantes na região Norte do país. O relacionamento entre os dois acabou centralizando as atenção dos investigadores.
A apuração demonstrou que a proximidade entre a agente de segurança e o suspeito extrapolava o âmbito pessoal, levantando suspeitas sobre favorecimentos e suporte logístico a lideranças criminosas instaladas no território paulista.
Acusação aponta atuação irregular em casos
Além da suspeita de ligação com o PCC, o Ministério Público identificou episódios em que a profissional teria atuado formalmente na defesa jurídica de custodiados ligados a outras organizações criminosas rivais. A atuação ocorreu mesmo após a posse oficial no cargo público.
As normas que regem as corporações policiais vedam o exercício da advocacia por parte de delegados de polícia, o que agravou a situação jurídica da investigada perante a corregedoria da instituição e os promotores do caso.
O material reunido ao longo da investigação detalha que a atuação irregular aconteceu no Pará, envolvendo detentos que respondiam por crimes de tráfico de drogas e associação criminosa, ampliando o escopo das denúncias contra ela.
Defesa rebate acusações na ação penal
Após a liberação da custódia preventiva, os representantes legais da delegada emitiram manifestação pública reforçando a confiança na absolvição e criticando a medida cautelar anteriormente imposta pelas instâncias judiciais.
A defesa sustenta que a prisão decretada anteriormente era inadequada e que os elementos reunidos até o momento poderão ser esclarecidos de forma definitiva no decorrer da instrução criminal na Justiça.
Com a liberdade garantida, a investigada e seus defensores preparam as próximas etapas da estratégia jurídica para contrapor as acusações formuladas pelo Ministério Público na denúncia original.


