A ministra Cármen Lúcia destaca-se como a única integrante do Supremo Tribunal Federal a registrar um saldo favorável entre a aprovação e a rejeição do eleitorado brasileiro. Nova pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com o Estadão detalha a percepção pública sobre os magistrados da mais alta Corte do país, apontando divisões claras na imagem dos ministros.
O levantamento aponta que a condução e a imagem dos ministros são avaliadas de maneiras distintas pela sociedade. Enquanto alguns nomes concentram altos índices de rejeição, outros conseguem equilibrar ou superar as avaliações desfavoráveis no cenário político nacional, refletindo o grau de polarização em torno do tribunal.
A coleta de dados ouviu milhares de cidadãos em todo o país para mensurar o impacto institucional e individual de cada magistrado. A metodologia empregada buscou abranger diferentes recortes geográficos e demográficos para garantir a precisão retratada nos índices divulgados.
Cármen Lúcia lidera ranking e isola-se com saldo positivo
A pesquisa aponta que os ministros Cármen Lúcia, com 47% de imagem positiva, e André Mendonça, com 47%, lideram o ranking de avaliação na Corte. Como a margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, ambos configuram um empate técnico na primeira posição.
No entanto, do lado oposto do saldo de percepção, a magistrada registra 38% de imagem negativa, o que garante a ela a exclusividade de manter o saldo positivo. O ministro André Mendonça, por sua vez, alcança 48% de menções desfavoráveis entre os entrevistados pelo instituto.
Esses números demonstram que a estabilidade na opinião pública varia consideravelmente mesmo entre os magistrados melhor posicionados na pesquisa. A avaliação reflete o peso das decisões recentes e a exposição pública de cada um dos integrantes do tribunal.
Ministros enfrentam diferentes patamares de rejeição
Na sequência do levantamento, o ministro Flávio Dino vai a 44% de percepção positiva e anota 50% de imagem negativa perante os entrevistados. Logo abaixo, aparece o ministro Alexandre de Moraes com 36% de avaliação positiva, enquanto sua desaprovação chega ao patamar de 59% na mesma consulta.
Ao avaliar a instituição de forma geral, 61% dos entrevistados declaram que não confiam no trabalho e nos ministros do Supremo Tribunal Federal.”
Pesquisa AtlasIntel
O ministro Luiz Fux registra 36% de avaliações favoráveis e 49% de menções negativas. Ainda no bloco intermediário da Corte, o ministro Cristiano Zanin anota 34% de imagem positiva, posicionando-se diante de 48% de avaliações desfavoráveis registradas pelo instituto de pesquisas.
As taxas evidenciam que a maior parte dos ministros acumula um volume expressivo de críticas por parte do eleitorado. O cenário consolida a divisão de opiniões sobre a atuação dos magistrados no comando de processos de grande repercussão nacional.
Corte acumula maiores índices de reprovação na base
O decano Gilmar Mendes vai a 59% de avaliação negativa e 26% positiva, seguido por Edson Fachin com 54% de rejeição e 22% de aprovação. Os patamares demonstram o desgaste enfrentado por ministros com longos anos de atuação na mais alta instância do Judiciário brasileiro.
O ministro Kássio Nunes Marques aparece na sequência com 63% de reprovação e 12% de aprovação. Fechando a lista divulgada pelo instituto, Dias Toffoli soma 79% de imagem negativa e apenas 5% de menções positivas entre os participantes da consulta.
A concentração de altos índices de rejeição no final do ranking corrobora o desgaste enfrentado por figuras centrais do tribunal. A percepção negativa acentuada reflete o desgaste político acumulado ao longo de julgamentos polêmicos.
Maioria da população declara desconfiança na instituição
O percentual evidencia um desafio contínuo para a legitimidade perante parcelas expressivas da sociedade brasileira.
Aqueles que afirmam confiar na Corte somam 27,8%, enquanto uma parcela de 11,1% dos consultados não soube responder ao questionamento feito pelos pesquisadores. Os dados consolidam o diagnóstico sobre o distanciamento entre a cúpula do Judiciário e o cidadão comum.
A metodologia da AtlasIntel consistiu na audição de 1.852 eleitores entre os dias 17 e 21 de setembro, com recrutamento digital. O intervalo de confiança da pesquisa é de 95%, e o levantamento foi conduzido com recursos próprios do instituto.


