Trump recebe Xi Jinping em visita cercada por disputa de IA e jantar com big techs

Encontro em Washington terá comércio, terras raras e inteligência artificial na agenda, além de jantar de Estado com líderes de tecnologia e finanças

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Encontro em Washington terá comércio, terras raras e inteligência artificial na agenda, além de jantar de Estado com líderes de tecnologia e finanças
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o presidente da China, Xi Jinping, em Washington na próxima semana para uma visita de Estado marcada por negociações comerciais, disputa tecnológica e uma agenda de alto nível com executivos das maiores empresas de tecnologia do mundo.

Xi deve chegar aos Estados Unidos em 23 de setembro, acompanhado da primeira-dama Peng Liyuan. O encontro principal com Trump está previsto para o dia 24, na Casa Branca, com cerimônia oficial, reunião bilateral e jantar de Estado.

A visita ocorre em um momento de competição intensa entre Washington e Pequim em áreas estratégicas, especialmente inteligência artificial, semicondutores, terras raras e cadeias de suprimentos. A expectativa é que esses temas dominem boa parte das conversas entre as duas delegações.

Trump prepara recepção incomum para Xi

A programação prevê que Trump e a primeira-dama Melania Trump recebam Xi e Peng Liyuan na Base Conjunta de Andrews, nos arredores de Washington. A recepção presidencial no aeroporto é considerada um gesto de protocolo pouco comum para visitas desse tipo.

No dia seguinte, os líderes participarão de uma cerimônia de chegada na Casa Branca, seguida por uma apresentação militar no Rose Garden e por uma reunião bilateral.

À noite, Trump oferecerá um jantar de Estado no East Room, ocasião em que os dois presidentes devem discursar diante de convidados dos setores empresarial, financeiro e tecnológico.

A dimensão tecnológica da visita se tornou uma das marcas da agenda, refletindo a disputa crescente entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial e infraestrutura digital.

Big techs estarão no jantar de Estado

A lista de convidados inclui alguns dos principais nomes da indústria de tecnologia dos Estados Unidos.

Entre os executivos esperados estão Sam Altman, da OpenAI; Jensen Huang, da Nvidia; Tim Cook, da Apple; Sundar Pichai, do Google; Elon Musk, ligado à Tesla e à SpaceX; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Também são esperados representantes de empresas como Qualcomm e Dell Technologies. A composição final da lista ainda pode sofrer alterações até a realização do jantar.

A presença desses executivos reforça o peso econômico da visita e coloca a indústria de tecnologia no centro de uma agenda que combina diplomacia, comércio e competição estratégica.

Inteligência artificial deve dominar parte das conversas

Estados Unidos e China disputam a liderança global em inteligência artificial, setor considerado decisivo para crescimento econômico, defesa, produtividade e influência internacional.

Washington mantém restrições à exportação de chips avançados e equipamentos relacionados à produção de semicondutores para empresas chinesas, enquanto Pequim investe em modelos próprios e amplia sua presença no mercado global.

Nos Estados Unidos, o governo Trump tem defendido que empresas americanas avancem rapidamente no desenvolvimento de IA para evitar perda de vantagem competitiva diante da China.

Ao mesmo tempo, especialistas e executivos discutem possíveis salvaguardas internacionais para reduzir riscos ligados ao uso militar, à segurança de modelos e à autonomia de sistemas avançados.

Comércio e terras raras também entram na agenda

Além da tecnologia, a reunião deve tratar de tarifas, acesso a mercados e fornecimento de minerais estratégicos.

As terras raras são especialmente relevantes porque entram na fabricação de componentes usados em eletrônicos, veículos, sistemas militares e equipamentos de energia.

Washington busca reduzir dependências em cadeias de fornecimento controladas pela China, enquanto Pequim tenta preservar sua posição como grande fornecedora global desses materiais.

Negociadores dos dois países devem manter conversas preparatórias antes do encontro entre Trump e Xi, incluindo reuniões entre autoridades econômicas e comerciais.

Relação entre os dois países segue competitiva

A visita ocorre meses depois de Trump ter realizado uma viagem de Estado à China, em maio de 2026. Na ocasião, os dois governos anunciaram uma visão de relacionamento baseada em estabilidade estratégica e continuidade do diálogo.

As empresas americanas estão profundamente envolvidas na reforma e abertura da China, um processo do qual os dois lados se beneficiaram.

Xi Jinping

A declaração de Xi durante os contatos anteriores ajuda a explicar por que o setor privado voltou a ocupar espaço importante na agenda bilateral.

Mesmo com a manutenção de canais diplomáticos, persistem divergências sobre tecnologia, comércio, segurança e influência geopolítica.

Visita termina com agenda simbólica em Washington

Depois das reuniões oficiais e do jantar, Trump e Xi devem participar de uma programação mais simbólica no dia 25.

A agenda inclui um chá privado na Casa Branca com as primeiras-damas e uma visita aos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos.

A instituição reúne documentos históricos do país e participa das comemorações dos 250 anos da independência americana.

Após a visita, Xi deverá retornar à Base Conjunta de Andrews para deixar Washington, encerrando uma viagem que combina cerimônia, negociações econômicas e uma disputa estratégica cada vez mais concentrada em tecnologia e inteligência artificial.

WhatsAppFacebook
Share This Article
2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *